Desenvolvimento pessoal

03 Dec 2014

Como encontrar sua missão pessoal

Já falei sobre a minha missão pessoal muitas vezes aqui no blog, que é inspirar as pessoas a se organizarem para que consigam transformar seus sonhos em objetivos, sendo mais felizes. É uma missão que, apesar de estar sempre em construção (as palavras que uso), nunca muda sua essência. Não foi fácil ou rápido descobrir qual é, mas me pedem para falar sobre como descobrir, então aqui vão minhas considerações sobre o assunto. Achei pertinente falar sobre isso em dezembro, o último mês do ano, que sempre nos faz repensar a nossa vida (levante a mão quem não faz isso!).

A primeira coisa a dizer é que não é um processo rápido, mas também não precisa demorar tanto. Depende muito de cada um. Tem gente que com 8 anos já sabe que quer ser médica quando crescer, ou cantora, ou professora. Eu sempre tive muitos interesses na vida, então talvez, por conta disso, eu tenha ficado um pouco perdida no mar de possibilidades. A questão de gostar de ajudar os outros veio com o tempo, porque não era algo que eu tinha como foco quando era mais nova. Lá no fundo, eu já tinha os meus valores, mas não tinha aprendido a externar isso de modo que esses valores norteassem quem eu queria ser e o que eu queria fazer. Fica aqui então a primeira dica, que é conhecer os seus valores. O que é importante para você? O que faz parte do seu caráter? O que você jamais aceitaria fazer? (Às vezes pode ser mais fácil a gente saber o que nunca faria do que o que a gente gostaria de fazer).

Eu fui descobrir isso aos poucos, talvez quando comecei a me envolver mais com a minha religião (Budismo), mas também veio do interesse que eu sempre tive por dar aulas (eu era aquela criança que adorava brincar de escolinha – sendo a professora e passando lição!). Fica a segunda dica, que é olhar para trás e analisar o que você sempre gostou de fazer, desde a infância. Mas aqui é um pouco mais complicado, porque não é pelo fato de você tocar piano com 12 anos de idade que vai ser pianista, por exemplo. Mas isso pode querer dizer que você gosta de metodologias, disciplina, esforço e exercer a criatividade.

Imagem: Life Hack

Imagem: Life Hack

Para ir além, você deve se perguntar: qual é a razão da minha existência? Por que eu estou aqui no Planeta Terra, nesta vida? O que eu nasci para fazer? Se a resposta vier de bate-pronto (muitas vezes vem!), você muito provavelmente já terá a sua missão pessoal. Se você não souber, vale a pena pensar sobre o assunto e ir observando o que você tem de valores e o que gosta de fazer. Pode te dar pistas. Sua missão “é a união de seus papéis, de seus corpos, de seus sonhos, crenças e valores” (Christian Barbosa, “A tríade do tempo”). E continua: “Uma declaração de missão descreve o que você é e a forma como você contribui com o mundo. (…) É o verdadeiro sentido da sua vida”.

Você pode começar assim:

“Eu acredito que…”

“Fico feliz quando posso…”

“Dou meu melhor quando…”

“Eu nasci para…”

“Estou aqui para…”

A ideia da missão é você tê-la sempre com você e reler para se inspirar e tomar decisões no dia a dia. Você verá como se tornará mais fácil decidir o que vai ou não fazer. Se não estiver de acordo com a sua missão pessoal, você terá respaldo para dizer “não”, e não ficará com a consciência pesada por conta disso.

É importante saber que missão não é a mesma coisa que objetivo. Missão é seu testamento pessoal, o seu motivo de viver, o que te faz levantar todos os dias de manhã e fazer o que você faz – ou correr atrás dos seus sonhos, estes sim seus objetivos. Sua missão deve ser inspiradora, motivadora, além de abranger todas as áreas da sua vida, e não somente a profissional ou a pessoal, por exemplo. Você deve conseguir aplicar sua missão a absolutamente tudo o que você faz na sua vida. Deve guiar os seus passos. Por isso, ela também deve ser atemporal – ou seja, não deve ser aplicada a algo que, depois, não fará mais sentido. Exemplo: “ser um bom estudante na faculdade”. Sua faculdade vai acabar um dia.

Mais uma vez, quero dizer que não é fácil encontrar sua missão pessoal, apesar de algumas pessoas já a terem em vista. Vale a pena tirar um tempinho e refletir um pouco sobre quem você é, quais seus valores, quais suas principais qualidades e dons. Também é necessário entender o que é importante na sua vida – ter uma família, ter estabilidade financeira, ser independente? Todas essas escolhas podem pautar a sua missão. Pense no que você mais admira em determinadas pessoas – também são qualidades a ser exploradas na sua missão pessoal. Você também pode pensar o seguinte: se você pudesse ser um super-herói para o planeta, qual seria a sua super-missão? Para que você trabalharia todos os dias, incansavelmente? E, por fim, minha preferida: se você morresse hoje, qual seria seu legado para o mundo? O que você gostaria de deixar de herança por tudo o que você fez? O que faria diferença?

As perguntas acima podem ajudar você a ter um norte e encontrar sua missão pessoal. E, uma vez encontrada, você passará a ver como muitas coisas farão mais sentido (outras, menos) e as decisões ficarão mais fáceis na sua vida. Sabe aquela sensação de dúvida, de não saber por que caminho seguir? Ter uma missão pessoal é a garantia de que você não passará mais por isso, pois ela será sua base para a resposta. No final das contas, nem toda pessoa é pianista, mas todas são artistas. Viver é uma arte que está em eterna construção.

Imagem: Facie Populi

Imagem: Facie Populi

Boa sorte, bom dezembro e feliz 2015, que está chegando. :)

Obrigada por tudo, pessoal.

27 Oct 2014

5 maneiras de se motivar em um trabalho que não é o dos sonhos

Precisamos trabalhar em busca dos nossos sonhos e, até lá, passar por diversas situações que podem nos chatear ou estressar. Eu demorei para chegar em um nível de amor total ao que eu faço como hoje, então até aqui eu passei por elas. Hoje, vendo com um pouco mais de distância, identifico algumas maneiras de passar melhor por tudo isso sem prejudicar a saúde e a sanidade. São cinco:

1. Conheça suas responsabilidades

É muito fácil dizer “sim” para tudo quando começamos em um novo trabalho – queremos agradar, mostrar serviço etc. Porém, com o tempo, isso vai se tornando um comportamento nocivo para você. Além de não ter como abraçar o mundo (nosso tempo é limitado), podemos deixar de cumprir nosso papel para cuidar das responsabilidades dos outros. Por isso, a primeira coisa é conhecer seu papel na empresa e as suas responsabilidades oficiais. Essas devem ser feitas, independentemente das outras. As demais atividades devem ser vistas como segunda prioridade, ou até mesmo renegociadas. Para conseguir negociar, é importante ter seus projetos em ordem, para que eles sirvam como argumento para você conseguir se dedicar a eles.

2. Tenha relacionamentos sem dramas

Sei que é difícil e que passamos mais tempo no trabalho que em casa com a família. Porém, procure não ficar íntimo demais, se envolver em fofocas, falar do trabalho de outras pessoas, perder muito tempo no cafézinho, ir sempre para o happy-hour e por aí vai. Tenha uma certa distância até mesmo para se preservar. Discrição, neste caso, sempre será a melhor pedida.

3. Dê feedbacks positivos

Seja você um gestor ou um estagiário, é importante dar feedbacks positivos sempre que alguém realizar um bom trabalho. Não precisa fazer isso na frente de todo mundo, mas vale a pena mandar um e-mail, comentar no corredor ou durante o almoço. Você reforça seu relacionamento de uma maneira que todos cresçam, inclusive a confiança do time em você.

4. Aprenda a impôr limites

Não dá para a gente viver colocando a culpa nos outros pelas urgências que aparecem. Organize-se. Ninguém vai chegar para você e dar três horas a mais todos os dias para você organizar seus projetos. Não use a desorganização dos outros para não organizar as suas próprias atividades. Reserve tempo para imprevistos, trabalhe com margens de erro com relação a prazos e antecipe-se o máximo que puder. Se você não colocar limites e criar sua própria organização, ninguém fará isso por você.

5. Saia um pouco do computador

Dê uma volta, trabalhe offline, revise textos, faça mapas mentais, pesquise, leia, desenhe, exercite a criatividade fora da telinha também. Pode até mudar de lugar para fazer isso, indo para outra mesa ou área da empresa.

São cinco dicas que eu aprendi só depois, mas que teriam me ajudado quando eu estava nessa situação. Espero que ajude algum leitor em situação semelhante. Me contem!

04 Oct 2014

Desculpas que nos damos quando adiamos nossos sonhos (e como contornar cada uma delas)

Tenho pensado muito ultimamente sobre as mudanças que vêm acontecendo na minha vida e como eu poderia escrever sobre elas aqui no blog. Mudanças internas, eu quero dizer. Porque, por mais que a gente mude por fora, significa que existiu uma revolução por dentro. E hoje eu gostaria de comentar sobre as principais desculpas que costumamos nos dar diariamente para não fazermos aquilo que queremos fazer, seja o que for.

A primeira desculpa é a velha “eu não tenho tempo”. Todas as pessoas do mundo têm a mesma quantidade de tempo – 24 horas por dia e 168 horas por semana. Precisamos aprender a gerenciar nosso tempo de vida o melhor possível, e para isso existe a organização. É justamente para pararmos algumas vezes ao longo do ano e pensar: “ok, onde eu quero chegar? porque preciso me organizar para chegar até lá”. É só isso. É simples, mas um trabalho que deve ser feito dedicado, ocasionalmente, para que a gente não perca nossos objetivos de vista. Se a gente continuar dizendo que não tem tempo, nunca vai ter mesmo. Ninguém vai chegar até você e dizer: “senhor, você foi contemplado com 30 horas a mais todos os dias para trabalhar em seus sonhos”. Portanto, precisamos aprender a fazer bom uso do tempo que todos nós temos.

A segunda desculpa é “eu não tenho dinheiro”. Geralmente, quando queremos mudar de carreira, de cidade, de país, fazer um mestrado, viajar ou qualquer outro projeto assim, vamos adiando dizendo que não temos dinheiro. Dinheiro é como tempo – a gente não tem, a gente providencia. Precisa gerenciar bem o que ganha, parar de gastar com bobagens e ter metas. Muitas vezes, quando pararmos para listar o quanto precisamos de dinheiro para realizar aquele sonho, percebemos que não é tanto quanto imaginávamos. Só de colocar no papel já ajuda a ter uma visão mais realista do que a gente pretende. E, com isso, vira um objetivo a ser alcançado, e podemos buscar outros meios para chegar até lá (bicos, investimentos e por aí vai).

A terceira desculpa, e a que mais me entristece, por ser tão comum, é “nunca vou conseguir fazer isso”. As pessoas costumam dar esse tipo de desculpa porque nasceram em uma família pobre (de dinheiro), ou porque não concluíram uma faculdade, ou porque nunca saíram do país, ou porque tem filhos e por aí vai. As desculpas vão alimentando umas às outras para chegar à conclusão mental de que nunca conseguirá o que quer. Supere o comodismo e busque soluções. Pare de falar que nunca conseguirá e monte um plano. Qual seria o primeiro passo? Às vezes é necessário apenas agir, colocar as coisas em movimento, que o resto você vai fazendo.

A quarta desculpa é “melhor um pássaro na mão do que dois voando”. Meus amigos, eu fiquei com essa desculpa em mente durante tanto tempo! Até que percebi que o que estava trocando não era um pássaro voando por um na mão, mas dois pássaros na mão por um só. Entenderam a diferença? Toda mudança envolve algum tipo de risco, mas ficar onde está também envolve – especialmente se estivermos falando de sonhos! Diminua os riscos o tanto quanto possível e simplesmente acredite que conseguirá o resultado que deseja, porque é provável que ele ainda supere as suas expectativas.

A quinta desculpa é a simples “eu tenho medo”, que a gente acaba confessando só lá no fundo, pra gente mesmo. É normal ter medo! De verdade. Porém, não deixe que esse medo paralise você. Como eu comentei na desculpa anterior, muitas vezes estamos trocando algo muito melhor pela situação em que nos acomodamos agora. Use o medo como parâmetro para decisões bem pensadas, mas de nada adianta decidir sem agir.

Apenas alguns pitacos sobre essas questões que estavam na minha cabeça e quis passar para vocês.