Bem-estar

23 May 2015

Como eu estou inserindo mais atividades de lazer no meu dia a dia

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O tema do mês no blog é Descanse e, com ele, venho tentando inserir mais atividades de descanso e lazer no meu dia a dia.

O principal passo que tomei foi o de inserir na minha revisão semanal do GTD o item: planejar tempo para sono e diversão. Ou seja: todos os dias, nem que seja minimamente, eu tenho que cumprir duas coisas:

  • Dormir uma quantidade suficiente de horas à noite
  • Fazer algo que me deixe bem e feliz

Tenho dormido uma média de 7 a 8 horas por noite, que é a quantidade necessária para eu me sentir bem. Se eu dormir mais do que isso, já me sinto com menos disposição. Com relação ao sono, o que tem funcionado muito bem para mim é acordar todos os dias no mesmo horário, especialmente aos finais de semana. Ou seja, se eu acordo todos os dias às 8 horas, aos sábados e domingos também acordo nesse horário. Isso tem sido muito bom porque meu corpo responde lindamente e não fico cansada, parece até mágica. Além disso, tenho mais tempo para mim pela manhã, porque meu marido e meu filho acordam mais tarde.

Fazer algo que me deixe bem e feliz pode ser algo maior, que demande deslocamento (como ir a uma livraria ou ao cinema), ou coisas pequenas, como ler um livro, ver um capítulo de série no Netflix ou simplesmente conferir as atualizações dos meus canais preferidos no YouTube. Tem sido tão fantástico dedicar todos os dias esse tempinho para mim que noto de longe a diferença no meu estado de espírito ao longo de toda a semana desde que comecei a fazer isso.

Venho de duas semanas com muitos compromissos profissionais e viagens, então ter estabelecido essas duas premissas acima me permitiu passar por esses momentos com um pouco mais de disposição. Se não “nos obrigarmos” a ter esses momentos de descanso e lazer, é normal acabarmos ficando apenas cumprindo obrigações, uma atrás da outra.

Eu também gostaria de dizer que sou uma pessoa de hábitos simples e que fica muito feliz com pequenas coisas do dia a dia, então acho que isso ajuda. :) Tenho me permitido sentar no chão e brincar com a minha cachorra quando eu chego em casa, em vez de passar correndo, ou ficar conversando sobre assuntos variados com o meu filho jogada no sofá sem pensar nas coisas que eu ainda preciso fazer, ou até mesmo beber demoradamente um copo de leite com mel antes de dormir, refletindo sobre o meu dia. Tudo isso são coisas que deixam meu dia a dia mais feliz.

09 Apr 2015

A diferença entre estar ocupado e ser produtivo

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Eu não gosto de estar ocupada nem de dizer que eu não tenho tempo. Porém, às vezes sinto que essas palavras querem pular da minha boca. Quando isso acontece, eu aprendi a ter a percepção de que algo está errado e que eu preciso tomar providências. Foi uma habilidade que adquiri com tantos anos do blog e uso do GTD, eu acho. Porém, é um assunto importante para todas as pessoas hoje, porque muitas vezes vejo todo mundo tão ocupado e, ao conversar, escuto muito frases como:

“Eu trabalho tanto mas, ao mesmo tempo, parece que não fiz nada de importante.”

“Estou extremamente esgotada/o mentalmente, mas minha vida não parece sair do lugar.”

“Estudei tanto, trabalhei pra caramba, mas ao mesmo tempo que celebro minhas conquistas, não sei se era exatamente o que eu queria.”

Você se identificou com uma dessas frases – ou todas? Você pode estar sofrendo da síndrome da pessoa ocupada que não é produtiva.

Vamos falar sobre o que é ser uma pessoa produtiva?

Uma pessoa produtiva é aquela que aproveita o tempo que tem. Desde o que vai fazer nos próximos 2 minutos até o que vai fazer nos próximos 2 anos.

Ser produtivo não diz respeito ao trabalho, apenas. Se você tira férias e passa o tempo todo trabalhando ou mexendo no celular enquanto seus filhos estão te chamando na piscina, suas férias não foram produtivas. Ser produtivo/a é fazer as coisas com significado.

Se você perceber que está passando muito tempo do seu dia extremamente ocupado/a, sem tempo para fazer aquilo que considera importante – e isso pode ser desde um curso para a sua carreira até deitar e descansar no sofá depois de um dia cheio, pergunte-se se você está sendo produtivo/a ou apenas ocupado/a.

No geral, o simples sentimento de frustração já te diz a resposta.

Cuide do seu tempo. É da sua vida que estamos falando.

Ah, e não vale se manter ocupado/a para disfarçar a falta de produtividade, ok? Você pode enganar os outros, mas não a si mesmo/a.

11 Mar 2015

Como a meditação pode nos ajudar na conexão com nós mesmos e os outros

Venho praticando meditação todos os dias há cerca de um ano e meio. Posso dizer sinceramente que aprender a meditar mudou a minha vida. Eu não alcancei a iluminação nem levitei (ao menos, literalmente!), mas é uma prática que faz parte do meu dia a dia e faz toda a diferença no meu estado mental para realizar minhas atividades.

A meditação nos ajuda nessa conexão com nós mesmos porque é um momento em que estamos sozinhos, prestando atenção em nosso corpo, respiração, pensamentos. Já encontrei soluções para problemas complexos e fiquei mais calma em algumas situações que achei que “não teria jeito”. Como meditação nos ajuda na concentração e a ter foco, e como ter essa consciência, essa execução com significado no dia a dia, tem tudo a ver com produtividade, é um tema que sempre acho valer a pena tratar no blog.

Veja como a meditação pode nos ajudar no dia a dia, de maneira prática:

Você encontra mais significado nas suas atividades

Qual é a sua motivação? Por que você levanta todos os dias de manhã para ir trabalhar? O que te mantém motivado/a ou criativo/a? A não ser que você esteja em um estado de consciência atento, você não tem como observar suas ações. A meditação traz a oportunidade de refletir sobre seus pensamentos e trazer foco, ou mesmo acalmar sua respiração para que você conheça melhor o ritmo do seu corpo. Você consegue se concentrar no momento presente, nem que seja por alguns poucos minutos. Em um mundo onde tudo é feito com tanta pressa, encontrar esse tempinho de grande significância no dia a dia é precioso.

Você diminui seu nível de estresse

Doenças como síndrome do pânico são simplesmente estados de alteração da respiração. O estresse também está associado ao ritmo que respiramos. Quando nos sentamos, fechamos os olhos e prestamos atenção em nossa respiração, nossa mente se acalma junto com o ritmo natural que respiramos. Mesmo as situações mais estressantes podem ser controladas com a atenção à respiração. Quando você se sentir nervoso/a ou ansioso/a, pare durante alguns minutos e simplesmente respire.

A meditação não precisa ser feita em um período específico do dia (apesar de algumas pessoas gostarem de meditar pela manhã ou antes de dormir) nem com uma determinada duração. Você pode fazer uma meditação a qualquer hora do dia, de um a cinco minutos, ou até mais, se quiser. um minuto de meditação já fará toda a diferença.

Você aprende a controlar suas emoções e a tomar melhores decisões

No Budismo, aprendemos que todos os problemas são causados pela nossa mente. Quando você medita, além de se acalmar, consegue refletir sobre os seus sentimentos e emoções. Será que estou tomando a atitude certa? Às vezes, no cotidiano, não conseguimos entender se escolhemos o melhor caminho. Ao meditar, conseguimos observar um pouco mais de perto tais emoções e aprendemos a controlá-las de forma consciente – “não vou me sentir mal por determinada situação porque entendo que isso e aquilo”.

Você aprende a lidar melhor com as pessoas

Como você diminuirá seu nível de estresse, aprenderá a controlar suas emoções e a tomar melhores decisões, é natural que consiga refletir isso em atitudes relacionadas às outras pessoas. Todos sentirão a diferença, inclusive você.

Você vai melhorando sua meditação com a prática

É muito difícil conseguir meditar quando você tenta pela primeira vez – parece que sua mente fica ainda mais agitada, com todos aqueles pensamentos vindo à tona! Na verdade, o que acontece é que você simplesmente para para prestar atenção à sua mente – ela está agitada e cheia de pensamentos assim o tempo todo. Quando você começa a desenvolver essa atenção, aprende a controlar um pouco mais os seus pensamentos.

No mais, com o tempo muitas coisas vão melhorando com a meditação. Você acostuma seu corpo a ficar mais tempo na mesma posição, aprende a meditar por mais tempo, a respirar melhor, enfim, uma série de mudanças que só a prática constante pode trazer. Meditar demanda treino assim como andar de bicicleta ou tocar um instrumento – não acontece sem treino e dedicação diários.

Você pode meditar em casa, no trabalho, no carro, na natureza, nos 15 minutos antes de voltar ao trabalho na hora do almoço. Aproveite esse momento consigo mesmo/a e traga mais paz e significado ao seu dia a dia.

30 Jan 2015

Como organizar: Água

Nunca imaginei que chegaria ao ponto de escrever um post desse no blog, mas aqui estamos. A cidade de São Paulo está passando por uma crise hídrica gravíssima que, aos poucos, está se mostrando a precursora de outros lugares do país. Já fiz alguns posts aqui no blog com dicas para economizar água, mas eu diria que este aqui é definitivo. Além do que, traz dicas também para a gente conseguir passar pelo período sem água, o que está prestes a acontecer: o diretor da Sabesp disse que pode ser instaurado um rodízio de cinco dias sem água e apenas dois com água para os moradores da cidade. Além disso, o sistema Cantareira pode secar completamente em março – daqui a um mês! Saiba então o que você pode fazer agora para economizar ainda mais e o que você pode fazer caso fique realmente sem água durante um ou mais dias. Algumas pessoas já estão sem água durante vários dias, mesmo sem o rodízio.

Para fazer agora

  • Plante árvores, se você tiver um quintal. Se morar em condomínio, leve essa sugestão na próxima reunião. Como as árvores demoram a crescer, quanto antes você começar, melhor.
  • Lave roupas somente se necessário. Roupa dá para comprar – água, se acabar, não vai ter muito jeito. Procure usar diversas vezes a mesma roupa até que ela esteja realmente sem condições e precise ser lavada. Algumas manchas pequenas podem ser removidas sem lavar a peça inteira, por exemplo.
  • Quando lavar roupas, guarde a água que sai da máquina para a limpeza da casa ou a descarga do vaso sanitário. Vale lembrar que a máquina deve estar com a carga cheia para lavar por completo e economizar água.
  • Se você tem chuveiro a gás em casa, sabe o quanto ele desperdiça de água até finalmente esquentar. Troque por um modelo que utiliza a pressão do ar misturada às gotas de água para gastar menos água mas não perder em pressão. Enquanto a água esquenta, deixe um balde capturando essa água embaixo do chuveiro.
  • Se não for sair de casa, não tome banho. Limpe as partes necessárias com pouca água ou lenços umedecidos e aguente um dia.
  • Quando for tomar banho, ligue o chuveiro, molhe o cabelo e o corpo e desligue. Com o chuveiro desligado, passe o shampoo e ensaboe o corpo. Depois, abra o chuveiro e tire o sabão rapidamente. Repita o procedimento para colocar condicionador, se depilar ou fazer a barba. Não fique com o chuveiro ligado o tempo todo! Você também pode deixar alguns baldes embaixo para capturar a água do banho e utilizar no vaso sanitário.
  • Use regador em vez de mangueira para regar as plantas.
  • Não lave o carro, o chão da casa, a calçada. Não encha a piscina ou a banheira.
  • Utilize a velha tática do copo de água para escovar os dentes. Encha um copo, use um pouco para molhar a escova, escove os dentes e enxague a boca com o que estiver no copo, apenas.
  • Deixe grandes baldes ou cestos de roupa (sem furos, claro) para recolher água da chuva e usar em casa, especialmente para limpeza e descarga do vaso sanitário.
  • Usem a descarga somente quando fizerem o número 2 ou depois de uma certa rodada de número 1.
  • Coma menos carne. A carne bovina utiliza 15 vezes mais água para ser produzida que o trigo, por exemplo.
  • Cozinhe vegetais ao vapor. Você mantém os nutrientes dos vegetais e ainda pode reaproveitar a água. Se utilizar água para cozinhar, reaproveite-a fazendo caldos e sopas.
  • Em vez de lavar verduras na torneira, utilize uma tigela.
  • Esfregue e ensaboe toda a louça antes de abrir a torneira para começar a enxaguar.

Onde pode ser reutilizada a água capturada da chuva ou do chuveiro

  • Descarga.
  • Limpar a casa.
  • Regar as plantas (não use naquelas que você está cultivando para comer).

Para se preparar caso a água acabe

  • Instale uma segunda caixa d’água em casa. Se morar em condomínio, converse com o síndico sobre os planos para a contratação de caminhão-pipa para os moradores.
  • Faça estoque de água mineral, que deverá ser utilizada somente para beber e para preparar refeições.
  • Arranje baldes e outros compartimentos grandes para recolher a água da chuva. Lembre-se de tampar por causa do perigo da dengue!

Para fazer quando não tiver água

  • Use shampoo seco para limpar os cabelos.
  • Utilize lenços umedecidos para limpar o corpo.
  • Use álcool-gel para a higiene das mãos.
  • Use talco no corpo para evitar o suor no calor.
  • Use desodorantes mais fortes. Evite perfumes.
  • Alimente-se com ingredientes que não precisam de preparo nem demandam água para a louça que ficará suja, como frutas, verduras higienizadas, alimentos crus e congelados (a opção menos saudável).
  • Use louças descartáveis. Nada ecológico, eu sei, mas você vai deixar de beber água para lavar a sua louça? Trata-se de uma situação drástica e infeliz.
  • Substitua a escova e a pasta de dentes por enxaguantes bucal fortes. Continue usando fio dental.
  • Abuse de frutas com bastante água em sua composição, como melancias.
  • Na pior das hipóteses (caso acabe a água mineral no mercado, por exemplo), beba outros líquidos prontos, como sucos, chás e refrigerantes.

E vamos torcer para que os governantes façam a parte deles enquanto fazemos a nossa. :(

17 Jan 2015

Encontrando nosso limite de “ter menos coisas”

É muito comum, quando falamos sobre simplicidade voluntária, associar ao conceito minimalista de ter menos coisas. Muitas pessoas chegam até mesmo a dizer que não conseguem simplificar a vida porque não se imaginam vivendo em uma casa vazia, porque gostam das coisas… mas epa, peraí! Quem disse que ser minimalista significa ter poucas coisas?

Ser minimalista significa ter o mínimo necessário para viver bem. Isso varia de pessoa para pessoa.

Outro ponto é que nem todo mundo que busca simplificar a vida precisa necessariamente ser minimalista, apesar de uma coisa estar sim ligada à outra, pelo menos conceitualmente. Afinal, se queremos simplificar, para que vamos complicar tendo coisas além do que precisamos? É mais coisa para limpar, cuidar, guardar, ocupar espaço.

Penso que, por fim, trata-se mais de pensar sobre as coisas que temos. Falo muito aqui no blog que não é possível organizar tralha, justamente porque não adianta organizarmos tudo o que temos dentro de caixas se ali dentro tem objetos que não usamos, embalagens vazias, papéis que deveriam ter ido para o lixo etc. Faz parte do processo de organização essa seleção do que será guardado também. Se não, isso não é organização, é arrumação.

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Thoreau disse que se sentia orgulhoso por todas as coisas dele caberem em um único carrinho de mão. Se pararmos para pensar, precisaaar mesmo, só precisamos de poucas coisas. Porém, amplie esse círculo. Há outras coisas que também precisamos. Sim, em teoria, precisamos apenas de um copo em casa, que podemos ir lavando e usando, lavando e usando. Mas isso é confortável para nós? Não. Qual o nosso limite? Aí é que está. Cada um tem o seu. Então o que cada um tem que pensar é: quantos copos eu preciso ter na minha casa? Pode ser que você more sozinho e só precise de um mesmo, ou de quatro, caso receba visitas. Ou talvez você more em uma casa com uma família de 10 pessoas e precise de muitos copos. Ou talvez more apenas com seu companheiro ou companheira mas receba sempre muitos amigos em casa, então precisa de mais. Dei o exemplo do copo porque é o mais simples possível, mas a ideia é ampliar para toda a casa.

Por exemplo, você adora caderninhos. Mesmo amando muito esses objetos adoráveis, no geral, acaba usando um depois do outro, certo? Usa um até acabar e só depois usa o segundo. Então para que manter um estoque com cinco ou seis caderninhos em branco em casa? Não é mais fácil comprar um novo somente quando terminar de preencher um inteiro?

São apenas questionamentos. O mesmo vale para roupas, sapatos, pratos, panelas, computadores.

E aí a gente cai na questão das coleções também. Coleção não é utilidade, mas apreciação. É um hobby. Se você tem uma coleção que gosta muito, é óbvio que se desfazer dela deixará você um pouco infeliz. Ninguém está pedindo para você ter uma casa vazia, sem nada que represente as memórias da sua vida. Não. A ideia é apenas que você repense o que você vem guardando, para avaliar se tem mesmo sentido guardar tudo isso.

Portanto, quando se deparar com algum objeto na sua casa, pergunte-se sempre:

  • Eu uso esse objeto?
  • Em que situações?
  • Há quanto tempo eu usei pela última vez?
  • Pretendo usar no próximo ano, em algum momento?
  • Eu amo esse objeto?
  • Eu abro um sorriso toda vez que olho para ele?
  • Alguém da minha família usa ou gosta muito desse objeto?
  • O espaço que esse objeto ocupa na minha casa vale a pena?

Mesmo que você fique em dúvida com uma série deles e acabe guardando a maioria, você conseguirá selecionar algumas coisas que não se enquadram nas perguntas acima. Aí você pode vender, doar, dar de presente, reciclar, reutilizar ou até mesmo jogar no lixo. Fazendo essa análise de tempos em tempos, você vai fazendo uma curadoria do que precisa ficar na sua casa com o passar dos anos.

Fecho o post com uma frase da Danuza Leão que gosto muito, e que tem tudo a ver com o post: “Passei metade da minha vida usando meu dinheiro para acumular coisas, e agora passo a outra metade me desfazendo delas”. Reflita!

09 Jan 2015

Reduza seus compromissos

Toda vez que abro a minha agenda para fazer a minha revisão semanal no GTD, vejo uma página em branco. Tenho meus compromissos já agendados, mas muito espaço ainda está vazio, pronto para ser preenchido. Será? Será que precisa ser preenchido? Acho que, com o tempo, passamos a considerar normal ter a nossa agenda inteira preenchida, porque isso mostra como somos competentes e ocupados. Chegamos ao ponto de achar extremamente esquisito (não de uma maneira positiva) quando alguém diz que não está fazendo nada ou que tem tempo durante a semana para ir ao parque ou ao cinema, por exemplo. Por que nos tornamos assim? Por que o normal, hoje em dia, é estarmos sem tempo?

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Outro dia vi e compartilhei um vídeo do Christian Barbosa onde ele fala que não devemos preencher a nossa agenda com aquilo que for gratuito. Quando a gente fala em gratuito, não se trata de um tempo que estamos descansando, fazendo um trabalho voluntário ou outras atividades do tipo – mas quando desperdiçamos tempo em coisas que não trarão absolutamente nada para nosso benefício. Também fica a consideração sobre trabalhar de graça. Por exemplo, se você é técnico de computadores, não vale a pena perder metade dos dias da sua semana consertando o computador de amigos ou de pessoas da família. Esse é o seu trabalho e você deve ser pago por ele. Vale para todos os tipos de serviços.

Ter um tempo vago na agenda não significa que você não vai fazer nada. Significa que, no dia, você decidirá o que fazer, de acordo com as suas prioridades daquele dia em questão. Se estiver inspirado para escrever, escreva. Se estiver passando mal, vá ao hospital ou descanse. Se precisar conversar com alguém, telefone. Você aproveitará esse tempo com mais tranquilidade. Caso sua agenda esteja cheia de compromissos, isso não será possível.

Aprenda um pouco a cada semana também. Se você vai participar de um curso durante dois dias da semana, você sabe que, no dia seguinte a esse curso, não poderá planejar muitos compromissos, pois terá muitas pendências para resolver dos dias anteriores. Da mesma maneira, se o seu chefe ou cliente principal estiver de férias ou viajando, você sabe que poderá ter um controle maior do seu tempo ao longo da semana, conseguindo colocar outras atividades não urgentes em dia e até mesmo antecipar outras.

Se você sabe que pela manhã sua cabeça está fresca e apta à criação, reserve esse período para atividades que demandem uma concentração e raciocínio maiores. Deixe para o período que você fica mais cansado/a as atividades de rotina, que você já faz no piloto automático. Tudo isso influencia no momento em que você vai planejar as suas atividades. um bom planejamento leva essas diversas variáveis em conta, senão falhará.

O objetivo principal deste post é recomendar a você que simplesmente reduza os seus compromissos agora mesmo. Não planeje muitas reuniões para o mesmo dia. Não marque um jantar importante depois de um dia cheio de compromissos de trabalho. Deixe espaços livres na sua agenda – o máximo que puder – para conseguir respirar ao longo da semana e aproveitar esse tempo de acordo com o que decidir no dia.

Não adiantar negarmos a realidade e acharmos que é possível planejar 100% do nosso tempo. Não é. E ainda bem! Portanto, planeje algumas atividades, agende alguns compromissos, mas tente deixar o máximo possível de espaços em branco. Se estiver em dúvida sobre a eficiência dessa tática, faça o teste durante uma semana. Depois, me conte como se sentiu.

Para facilitar esse processo, é muito importante a gente aprender a otimizar o nosso tempo. E como se faz isso? Oras, se organizando! É pra isso que esse trem todo serve, uai. Veja uma categoria aqui do blog destinada inteirinha para quem estiver começando a se organizar e, qualquer dúvida, poste nos comentários.

Obrigada por tudo, pessoal.

05 Jan 2015

Pensando em uma rotina mais simples para 2015

Quando surgiu a ideia de escrever um post para o blog falando sobre a simplificação da rotina para o ano novo, fiquei me perguntando o que eu ainda poderia escrever que não tivesse sido escrito aqui ou em qualquer outro lugar a respeito. Afinal, de uns anos para cá, o mundo pareceu abraçar a ideia de simplicidade voluntária, querendo tornar tudo no dia a dia mais simples de fazer, sem tanta complicação. Resolvi escrever uma espécie de relato pessoal, então, com as percepções que eu tenho tido atualmente sobre a questão da simplicidade e até do minimalismo aplicados à nossa rotina.

Sono, acordar cedo, dormir tarde

Sou uma pessoa naturalmente noctívaga – e não sei se isso pode ser cientificamente dito (afinal, tudo não depende de hábitos?). Funciona assim: posso ter acordado muito cedo. Mas, se deixar, vou dormir tarde mesmo assim, porque é o meu natural. As pessoas matutinas acordam cedo mesmo que tenham ido dormir tarde, porque não conseguem ficar na cama depois de determinado horário. Acho que é mix de costume, metabolismo e hábito mesmo.

Para mim, essa rotina do sono ficou um pouco bagunçada desde que eu comecei a trabalhar em casa, porque às vezes tenho horários fixos e outras vezes não. Tem dias que preciso acordar antes das cinco horas da manhã para ministrar um treinamento em um lugar longe, enquanto há dias que eu levanto às dez horas (geralmente depois de um dia de treinamento). Para dormir, é bem difícil. Nunca consigo dormir antes das 22 horas – quiçá, das 23. Eu gostaria sim de manter uma rotina para acordar todos os dias às seis, por exemplo, mas não consigo. Meu descanso é importante e estou focando em ter de sete a nove horas de sono por noite. Não sei se é a melhor alternativa, mas é o que vem sendo possível.

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Quem é mãe sabe que é muito difícil dormir cedo. Pelo menos aqui em casa, a hora que o Paul vai dormir é quando eu consigo fazer coisas que demandam mais a minha concentração, como estudar, ler um livro ou escrever. Com o horário de verão, ele está indo dormir por volta das 21:30, o que significa que seria impossível, para mim, ir dormir antes das 23. Mais alguém passa por isso aqui?

Então, o que faço é respeitar esse horário e, depois que ele dormir, executar poucas atividades, até mesmo para não perder o sono. Porém, não posso ignorar essas horas, que são parte importante do meu dia a dia.

Trabalho

Minha rotina do trabalho tem ficado mais simplificada de uns dois meses para cá. Como eu comentei em outro post, há pouco tempo, quando eu comecei a trabalhar por conta própria eu quis pegar muitos trabalhos de uma só vez, por insegurança mesmo, o que me deixou um pouco sobrecarregada. Na organização, não tem segredo – é preciso aprender a dizer não. Por isso, comecei a ser um pouco mais rigorosa com essa minha regra e organizar melhor a minha rotina. Por exemplo: se eu vou trabalhar fora durante três dias na semana, não agendo nada para os outros dois, para conseguir fazer tudo o que eu preciso fazer. Tem funcionado! Mas não é fácil.

É de fundamental importância ter meus projetos e atividades organizados e planejar a cada semana (no GTD, o planejamento é feito semanalmente). Isso me dá uma dimensão real do tempo investido em determinados projetos e me faz ver que não dá para fazer tudo o que eu gostaria de fazer.

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Algo que eu resolvi fazer também é investir um pouco mais em coisas que facilitem (e simplifiquem) o meu dia a dia, como usar mais táxi, por exemplo, e otimizar o meu tempo e o do meu marido. Tem funcionado muito bem! Estou viciada naqueles aplicativos de solicitar táxi (uso especialmente o Easy Táxi e o 99). basicamente, você seleciona o modo de pagamento e envia um sinal de que está esperando um táxi. Algum taxista nas redondezas aceita o seu pedido e vem te buscar. É extremamente prático e não depende de ter táxi no ponto mais próximo para você conseguir se deslocar.

Comer, preparar comida

Já comentei aqui em casa que meu marido é responsável pela comida porque ele está estudando para isso, mas ultimamente eu tenho gostado de aliviar um pouco essa parte para ele e preparar comidinhas de vez em quando. No geral, preparamos alimentos a cada dois dias, sendo que, no dia a dia, no máximo grelhamos uma carne ou legumes que valem a pena ser comidos fresquinhos na hora mesmo.

Quando nós casamos, eu gostava de preparar comidas mais complicadas, com mais de um acompanhamento, sempre inventando coisas novas. Acho isso incrível mas, no dia a dia, não dá para fazer sempre. Por isso, acho de fundamental importância ter os “curingas da casa” (aqueles pratos que todo mundo gosta e não se importa de repetir) e ir planejando semanalmente também as compras do mercado (veja como montar um menu semanal).

Uma coisa que eu quero fazer menos em 2015 é comer fora, para economizar mesmo.

Condução, deslocamento

Grande parte do nosso dia a dia é gasta com deslocamentos e trânsito, especialmente para quem mora em São Paulo ou no Rio de Janeiro. O que eu procuro fazer é otimizar esse tempo. Como comentei acima, estou usando bastante táxi. Essa foi uma decisão que tomei ao fazer as contas de quanto custaria ter um segundo carro. Eu não tenho carta de motorista mas, se tivesse, eu não poderia usar o nosso carro, que fica com o meu marido, pois ele leva e busca o filhote na escola, faz mercado e tudo o mais. Ou seja, mesmo se eu tivesse carta, não ficaria com o carro. Ter um segundo veículo seria inviável e desnecessário. Como uso muito raramente, compensa mais utilizar um táxi mesmo.

Aqui em São Paulo existe a grande vantagem de poder utilizar as linhas do metrô. Uso bastante metrô! Achei engraçado que, outro dia, uma leitora me reconheceu na estação Sé (lotada!) e disse: “não acredito que encontrei a Thais na estação Sé!”. Achei engraçado. Eu acho que é um meio de transporte que precisa de muitas melhorias, mas funciona bem. Se você quiser chegar rápido em qualquer lugar, vá de metrô! Além disso, aproveito o período de deslocamento no trem para ler bastante. Tem dias que consigo ler um livro inteiro nessa ida e volta, o que é ótimo, já que gosto muito de ler. São coisas que a gente pode desprezar no dia a dia achando que perdemos tempo utilizando transporte público, mas há tanto a ser feito quando não se está dirigindo!

Meditação

Desde que mudei para São Paulo, não frequentei mais o centro budista. Eu gostava muito do centro que eu frequentava em Campinas e, além do mais, era perto da minha casa (eu ia a pé). Hoje, fica do outro lado da cidade e, para mim, é mais complicado. Mesmo assim, tenho estudado muito e praticado em casa, mesmo menos do que eu fazia antes. Em dezembro, quis investir mais tempo nisso porque percebi o quão estressada eu fiquei depois da mudança, e a meditação faz toda a diferença.

Gosto de meditar um pouco quando acordo e ao longo do dia, quando sinto necessidade. Essa rotina está bem estabelecida para mim.

Limpeza e arrumação da casa

Sou muito a favor de fazermos nós mesmos a limpeza da casa, mas confesso que nem sempre acho que essa é a saída mais simples. Outro dia fiz um teste com uma dessas empresas que agendam online o serviço de uma faxineira (em breve farei o post na blog) e achei bastante prático, mas só usei uma vez. Eu sou um pouco como a Monica (Friends) – limpar é terapêutico. Eu GOSTO de limpar e arrumar a casa, mas o que acontece é que muitas vezes eu não consigo. É frequente chegar depois das 21 horas depois de um dia de treinamento e ainda ter coisas no geral para fazer – ficar com o Paul, colocá-lo para dormir, revisar algum material para o dia seguinte. E, no mais, eu costumo ficar com as pernas bem cansadas depois de trabalhar de pé e falando o dia todo. Por mais vontade que eu tenha de, sei lá, esfregar o chão da cozinha, fisicamente fica bem complicado.

O que eu tenho feito, portanto, é o que eu recomendo aqui: focar no essencial. Cheguei seriamente a pensar em ter alguém para me ajudar em casa, mas não levei essa ideia adiante. Talvez seja mais simples sim e, com o tempo, acho que acaba sendo natural você delegar muitas funções da sua vida. Porém, como conseguimos fazer aos poucos e na medida do necessário, continuamos levando.

Minha meta para 2015 é simplificar ainda mais essa rotina, buscando soluções.

Leituras

2014 foi o ano em que eu li menos na minha vida. ler é como respirar, para mim – é aquela atividade que me deixa bem, “em casa”. Sou acostumada a ler muito e, por isso, em 2015 estou estabelecendo algumas metas de leitura mensais. Vou testar em janeiro para ver a quantidade ok de livros que consigo ler por mês atualmente. Eu trabalho bem com metas então acvho que isso é uma forma de simplificar o que gostaria de ler.

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Tempo com a família

É incrível como, se deixar, a família fica de lado no dia a dia. Por isso, o que eu tenho feito é reservado momentos na agenda ao longo de toda a semana para ter tempo de qualidade (e em quantidade!) com o nosso filho, além de fazer sempre atividades com o meu marido. Também estamos investindo em mais tempo com as outras pessoas da nossa família, como almoçando na casa da sogra, viajando para visitar a minha mãe, meu marido está levando o pai dele para pescar e estamos passeando com as nossas sobrinhas. Tem sido muito divertido! No geral, sou aquela pessoa quem, se deixar, nunca sai de casa. Acho que já deu, sabe? Gosto muito de ficar em casa e aproveitar os momentos de lazer. porém, é divertidíssimo fazer coisas com eles e sempre fico com aquele gostinho de quero mais quando saímos e nos divertimos.

Em 2015, quero fazer mais programas baratos e gratuitos. Tem tanta coisa! Quero ir mais a exposições, teatro, parques e museus.

Eu acredito que simplificar a rotina é algo que não tem segredo. Precisamos identificar aquilo que é essencial e dizer não para todo o resto. O fato de não ter segredo não significa que seja fácil – não é! Porém, só nós podemos tomar as rédeas da nossa própria vida e fazer isso acontecer. Eu espero ir em um ritmo bem mais lento este ano, porque para quem trabalha em casa, o risco de ficar correndo e se sobrecarregar é enorme!