Casa

26 May 2015

Como organizar seu armário e gastar menos com roupas

Se teve uma coisa que aprendi com o tempo, foi a aprender a me conhecer, descobrir meu estilo, porque assim eu conseguiria selecionar melhor o que eu compraria para usar. Levante a mão quem não se reconhece em uma das situações abaixo:

  • Comprar algo que estava em promoção mas que nem ficava tãooo legal assim
  • Comprar algo na pressa sem experimentar e, em casa, perceber que a roupa não fica tão legal no corpo quanto fica no cabide
  • Comprar uma peça em uma cor diferente da que você queria porque não tinha seu tamanho na outra cor
  • Comprar uma peça cara, cara, cara e usar uma vez na vida e olhe lá
  • Comprar uma peça que você já tinha – e não sabia, porque seu guarda-roupa está uma bagunça
  • Comprar uma peça bonita e que veste bem, mas te faz suar loucamente, o que torna o uso inviável
  • E tantas outras!

Juro que já cansei de comprar uma peça porque achava o estilo lindo, mas não era o MEU estilo. Não combinava, sei lá. Eu não me via naquela roupa. Ou então comprar uma camisa coral que parecia maravilhosa, mas descobrir somente depois que não combinava com o meu tom de pele. Essas são coisas que a gente aprende com o tempo, ou quando alguém nos ensina. Se eu soubesse de tudo isso antes, teria economizado muito dinheiro ao longo da vida com peças que eu jamais teria comprado.

Aí a gente vai aprendendo que, além do estilo pessoal, tem a questão de saber o que vale a pena investir dinheiro e o que vale a pena comprar mais baratinho.

Construir o estilo pessoal já leva tempo (e conhecimento). Saber o que vale a pena comprar, muitas vezes é instintivo, mas muitas vezes não – precisa saber mesmo, conhecer as peças, os tecidos, as modelagens. E isso porque estou falando só do processo de compra. E todo o restante, que é inserir essa peça no dia a dia, cuidar dela para que dure muitos anos, deixar à vista em um armário organizado?

O assunto parece complexo, mas não é. É que muitas vezes não pensamos no quanto ele influencia no nosso astral no dia a dia e na forma como nos relacionamos com as pessoas (e conosco mesmo). Também não é fútil, porque estamos falando de 1) uma das maiores indústrias do mundo, que movimentam quantidades absurdas de dinheiro, que vêm dos bolsos de quem nem sempre sabe comprar certo e 2) da auto-estima das pessoas.

Esse conhecimento para organizar o que eu tenho e o que eu preciso comprar eu aprendi com o tempo, mas você pode pular alguns passos para aprender com a experiência de quem respira esse assunto.

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Nos dias 27 de junho e 15 de agosto eu estarei com consultora de estilo Ana Soares, do blog Hoje Vou Assim OFF, realizando um workshop exatamente sobre esse assunto, onde falaremos sobre como encontrar o estilo de cada um, como comprar aquilo que realmente funciona, encontrar os seus básicos pessoais, como identificar boas peças para investir, como montar uma planilha para controlar seu inventário de roupas, como cuidar das peças, organizar seu guarda-roupa e muito mais!

Não perca a chance de participar desse workshop especial que estamos preparando para ajudar você a se apresentar melhor para o mundo e cuidar dos investimentos que fez no seu guarda-roupa. E atenção: até 31/5 as inscrições estão com valor promocional, então inscreva-se! :)

Obrigada por tudo, pessoal.

25 May 2015

Documentos: por quanto tempo guardar e como armazenar

No geral, a maioria das pessoas fica com receio de jogar coisas fora. Algumas já foram desapegadas até precisarem de algum papel que nunca mais encontraram, provavelmente porque se desfizeram dele. Qual o meio-termo, então? Veja neste post algumas dicas para armazenar seus documentos.

O que deve ser guardado

Via de regra, devem ser guardados:

  • Garantias de produtos e serviços enquanto forem válidas;
  • Recibos da declaração do Imposto de Renda;
  • Comprovantes de contas pagas até 5 anos – algumas companhias emitem um certificado anual de quitação que substitui os 12 comprovantes mensais;
  • Documentos assinados no geral;
  • Certidões.
Retirado do site Pense Imóveis:

Guardar por cinco anos:
– os tributos ( IPTU, IPVA, Imposto de Renda e outros);
– contas de água, luz, telefone e gás;
– recibos de assistência medica;
– recibos escolares;
– pagamento de cartões de créditos;
– recibos de pagamentos a profissionais liberais;
– pagamento de condomínios.

Guardar por três anos:
– os recibos de pagamentos de aluguel;
– recibos de diárias de hotéis;
– recibos de pagamento de restaurante.

Guardar pelo período do contrato:
– comprovante de pagamento financiamento imobiliário.

Dar atenção redobrada aos comprovantes abaixo (manter por…):
– seguros em geral (vida, veículos, saúde, residência etc): 1 ano após o término da vigência
– extratos bancários: 1 ano
– recibos de pagamento de aluguéis: 3 anos
– taxas e Impostos Municipais e Estaduais (Lixo, IPTU, IPVA, etc.): 5 anos
– contas de água, luz, gás, telefone (inclusive celulares): 5 anos
– condomínio: 5 anos
– mensalidades escolares: 5 anos
– faturas de cartões de crédito: 5 anos
– contratos e recibos de serviços de profissionais liberais como advogados, médicos, dentistas, etc.: 5 anos
– plano de saúde 5 anos
– declaração de Imposto de Renda e documentos anexados: 6 anos
– comprovantes de pagamento de financiamentos de bens como carros e imóveis até o término do pagamento de todas as parcelas ou após a entrega da escritura definitiva (imóveis) e/ou documento que oficialize a quitação (consórcio)
– notas fiscais até o término da garantia do produto
– documentos comprobatórios para aposentadoria junto ao INSS: 20 anos

Como armazenar

Tenha um sistema de arquivo do tamanho necessário para você. Não adianta comprar um arquivo pequeno para pastas suspensas se você vai utilizar pastas e mais pastas em outro ambiente.

Eu tenho um arquivo para pastas suspensas com três gavetas, onde duas são para arquivos e uma para o tickler do GTD e contas pagas correntes.

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O arquivo geral está em ordem alfabética e crio as pastas da maneira mais intuitiva possível. Isso é bastante pessoal e não existem regras. Nomeie suas pastas de acordo com o que fizer sentido para você.

Você também pode utilizar pastas com elástico, pastas catálogo e fichários. Particularmente, não gosto de deixar alguns papéis em contato com plástico, pois eles podem estragar. Uma alternativa ao arquivo (o móvel) é usar caixas em estantes, por categorias e usando etiquetas para identificar seu conteúdo.

Vale digitalizar?

Sim. Mesmo os documentos que você precise manter em formato de papel valem a pena ter uma cópia digital para consulta e eventualidades diversas. Tudo aquilo que pode ser mantido apenas digitalizado (manuais, apostilas, entre tantos outros) eu tenho o formato digitalizado e descarto o físico. Só mantenho aquilo que realmente precisa estar em formato papel.

Como você organiza seu arquivo de documentos?

22 May 2015

Reflexões sobre o destralhamento radical da Marie Kondo

Destralhamento é o primeiro passo do processo de organização. Essa frase é importante porque traz dois conceitos que considero essenciais para a organização pessoal, que são: 1) destralhar é necessário para organizar a casa, porque não é possível organizar tralha, e 2) a organização é um processo. Venho há vários dias refletindo sobre essa questão, levantada pela Marie Kondo em seu livro, sobre a organização ter que ser radical para funcionar. Quis dividir essas reflexões com vocês.

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Há uns seis anos, eu promovi esse destralhamento geral na minha casa e, tal qual a Marie fala, isso se refletiu na minha vida. Terminei um relacionamento, pedi demissão do meu emprego e abri mão de uma série de coisas e sentimentos que eu pensava, na época, não serem importantes para mim. Eu já comentei sobre essa fase aqui no blog (clique aqui para ler um dos textos sobre isso).

O grande problema de qualquer mudança radical é que você acaba não processando muito bem a coisa enquanto você está fazendo. Tomar decisões no calor da situação pode te fazer optar pelo caminho errado e te levar ao arrependimento mais tarde. Você também pode se desfazer de valores importantes.

É claro que não estou usando isso como desculpa para manter tralhas em casa. Estamos falando de pessoas que realmente guardam muita tranqueira e isso torna as suas vidas um pouco infelizes. É comum também ver pessoas assim com problemas relacionados à ansiedade e dificuldade em seus relacionamentos. Assim como a Marie, eu também penso que a organização pessoal influencia na vida em todos os aspectos, não apenas na imagem da casa arrumada. E que uma casa organizada e sem tralha se reflete no seu astral com relação à vida e te permite ser mais feliz em outras áreas. Nisso estamos de acordo.

Porém, eu posso falar sobre a minha experiência e o que vi acontecer com outras pessoas nesses nove anos que eu trabalho com organização, e até mesmo antes. Na época em que destralhei tudo, eu mergulhei em uma depressão que só fui identificar anos depois, quando tinha passado. A Clarice Lispector tem uma frase que me toca muito, que é “cortar os defeitos pode ser perigoso, pois nunca se sabe qual o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro”. Com a nossa casa eu acho que é a mesma coisa. Jogando tudo de uma vez você tem que decidir rápido e nessa onda você pode se desfazer de coisas importantes para você. Eu sou desapegada e busco manter somente aquilo que eu gosto, mas foi um processo.

Ter feito isso de forma radical me deixou com um sentimento horrível de vazio – e isso não quer dizer que eu era materialista, mas porque nossa vida é composta por coisas, sentimentos e pessoas. É perigoso pensarmos em só manter aquilo que nos faz feliz porque nem tudo na vida são flores. Não podemos descartar algo apenas porque não é do nosso agrado. Mas atenção: não estou dizendo aqui que temos que aguentar situações que acabam conosco (como relacionamentos abusivos, empregos que nos sugam até a alma e não levam a nada e uma pilha de revistas sem uso em casa). Estou dizendo que faz parte da maturidade da vida de cada um saber identificar quando a mudança interna pode ser mais importante e quando a externa é necessária também.

Eu concordo com a Marie quando ela diz que, se a gente for destralhar a casa, pode destralhar por categorias: todas as roupas, todos os livros, todas as panelas. Isso realmente ajuda no processo porque você tem uma visão do todo. Mas me incomoda essa visão do “tem que ser assim”, porque cada pessoa é de um jeito e cada jeito traz consigo visões, anseios e necessidades. Quem sou para chegar na casa de alguém e falar: “jogue fora essas fotos”? É por isso que não trabalho em campo como personal organizer – eu acredito que cada pessoa possa aprender por si só o que é importante para si mesma e promova as mudanças que ela acha necessárias na sua vida, não a que a Thais, a Marie ou seja lá quem for diga que precisa ser feita.

Também estou de acordo com a Marie quando ela diz que devemos ter uma relação de gratidão para com os nossos pertences, porque isso faz com que não deixemos nada largado em cantos e caixas. É importante a gente ter uma casa que nos traz alegria, assim como a nossa vida – mas não quer dizer que, se alguém me falar algo que me desagrada, eu tenho que cortar a pessoa da minha vida! O que essa pessoa me falou pode gerar um aprendizado inestimável se eu tiver a atitude de receber essas palavras e processar o que foi dito, questionar minhas atitudes e promover mudanças que serão boas para mim e para todos ao meu redor. Quando a gente toma decisões somente com base no que a gente acha, pode acabar afastando pessoas e se tornando uma ilha, além de perder a oportunidade de aprender e evoluir em termos de sentimentos mesmo.

Por fim, o que eu quero dizer é que a organização radical é uma possibilidade, mas pode não se aplicar a todo mundo. Talvez, no seu momento atual, valha a pena chamar uma personal organizer e fazer esse trabalho com você, apenas porque você realmente não tem pique (e tempo) para cuidar disso sozinho. Ou então talvez você queira pegar um final de semana e trabalhar nesse destralhamento. Porém, não há nada de errado se você quiser fazer isso aos poucos, porque cada pessoa tem seu tempo.

Apesar de, hoje, ver que o destralhamento radical me deixou deprimida na época, ter passado por isso foi importante porque me ensinou a respeitar meu próprio ritmo. Se eu não tivesse feito, como saberia? Hoje, penso que todas as decisões que tomei foram precipitadas e faltou maturidade da minha parte, por isso penso muito bem antes de tomar qualquer decisão radical.

Sou a favor de cada um se conhecer, conhecer seus valores, ter objetivos de vida, porque isso são referências que nos ajudam na tomada de decisões. E vai muito além de encher um saco com roupas que eu não quero mais nesse momento. O saco pode ficar cheio sim, mas como resultado de um processo que cada um vai construir, seja em um dia ou em alguns meses ou anos, porque cada um tem o seu tempo para fazer as coisas. Eu penso que, se existe qualquer regra quando se fala de organização pessoal, é que as regras devem ser escritas pela gente e por ninguém mais.

Leia os livros, leia os posts do blog, mas no fundo você sabe que ninguém conhece mais a sua vida do que você mesma/o. Então trabalhe nesse conhecimento, porque ele será o responsável por você olhar para um vaso na sua casa e saber que ele não tem nada a ver com você, assim como qualquer outro objeto, relacionamento, pessoa ou situação. Leve isso um dia ou um ano. Não estou dizendo nenhuma novidade aqui – considero senso-comum. Ambos funcionam: ser radical ou não. Depende de você, do seu momento, da sua vontade e necessidade. O que não vale a pena é deixar de tomar decisões e atitudes quando se identifica um problema.