Este é um post que frequentemente os leitores me pedem para escrever, então farei meu melhor.

Digo que farei meu melhor porque minha concepção de propósito está em acreditar que tudo na vida tem um propósito. Eu não vejo apenas um graaande propósito existindo, mas sim o prazer de encontrar propósito nas pequenas coisas.

Por exemplo, se preciso dar um telefonema, qual é o propósito daquilo? Claro que não penso sobre isso para cada tarefinha do meu dia a dia, mas por que não, afinal? A pressa, claro. Porque precisamos fazer as coisas com rapidez.

E fazer as coisas com rapidez faz com que a gente perca aquele momento um pouco que seja. A gente foge da mente plena – que, aliás, é uma consequência da reflexão sobre o propósito.

Falando sobre propósito de vida, então, o que eu aprendi é que a gente não força muito isso não, sabe. Existem exercícios de desenho de missão pessoal (que são ótimos), mas diferentes percepções entram no que é propósito.

Por exemplo, quando fiz o curso de coaching no ano passado, fiz o exercício da missão pessoal lá e consegui desenhá-la muito bem. Para a minha surpresa, ela era um pouco diferente da missão do Vida Organizada. Não falava apenas em organização e qualidade de vida, mas ia além – falava sobre meu bom-humor (sou a rainha das piadinhas), sobre cratividade, sobre ajudar as pessoas a encontrarem seus dons. Essa missão, apesar de ter sido escrita pouco mais de um ano atrás, se mantém mais ou menos inalterada. Mas é claro que sofrerá ajustes com o tempo, apesar de eu acreditar que a essência se mantenha.

Tenho outros propósitos bem claros na vida.

O primeiro deles foi quando desenhei a missão do Vida Organizada. Por que o blog existe, afinal? E a resposta foi: para inspirar as pessoas a se organizarem para terem mais qualidade de vida. Isso foi importante – fala sobre inspiração (então você traz de fora para vir de dentro, ninguém pode fazer por você), fala sobre organização como um meio (e não “ser organizado só para ser organizado”) e fala sobre qualidade de vida (realização, transformação, vida como um todo e não só a casa ou o trabalho). É uma boa missão e expressa bem o que é o Vida Organizada até hoje (fiz em 2012).

O segundo deles foi quando descobri que eu era uma das pessoas responsáveis pelo legado do David Allen com o método GTD. Como eu descobri isso? Essa foi mais informal. Trabalhando com o GTD, desde 2014, diversos fatores no cotidiano me geraram essa percepção. Um dia, em um jantar em Amsterdam, o David falou assim: “como a gente poderia não fazer isso, se isso é quem a gente é?”. Eu fiquei tão emocionada na ocasião! E ele já tinha comentado antes que, por não ter filhos, ele via os Master Trainers ao redor do mundo como se fossem seus filhos, pois somos nós (hoje somos em 13, se não me engano) e os instrutores que levarão a metodologia adiante depois que ele morrer. Tudo isso me deixou muito claro que um dos meus propósitos é cuidar do seu legado. Acredito na metodologia, faz parte de quem eu sou, e é isso, simples assim.

O terceiro deles é mais recente. Descobri que tudo o que eu faço, desde sempre, é buscar soluções para o estresse. Quando eu tinha 23 anos, fiquei um mês de cama em casa por conta de uma labirintite severa, desencadeada por estresse. Desde que voltei da licença médica, eu me sentia disposta a descobrir maneiras de não ficar doente por conta do trabalho de novo. Com 25 anos, eu descobri o GTD. De lá para cá, muita coisa aconteceu. Comecei a meditar em 2008, fiz cursos e até dei aula de meditação. Sempre me interessei por temas relacionados ao trabalho como um todo. Descobri, por fim, que ajudar as pessoas a serem menos estressadas (assim como eu me ajudei, descobrindo diversas maneiras de fazer isso!) era um propósito muito importante e que delineava um montão de coisas que eu já tinha escolhido fazer na vida uma vez ou outra. Essa percepção foi importante, porque me ajudou a me entender. Por que eu me interesso por produtividade? Por que eu me afeiçoei tanto a um método que preza ter a mente como água? Por que eu aprendi a meditar? Etc.

Existem outros tipos de propósito que são igualmente importantes. Quando penso no nosso filho, por exemplo. Qual meu propósito como mãe do Paul? Que legado quero deixar na vida dele? Como eu quero que ele me veja? Que tipo de educação quero proporcionar a ele? Que valores quero passar? Nossa, envolve muita coisa.

Posso aplicar esse raciocínio a qualquer área da minha vida. E, quando reflito sobre o propósito das coisas, maiores e menores, isso me faz ter uma consciência melhor do que estou fazendo aqui, no mundo. Mesmo que nunca tivesse desenhado qualquer missão pessoal, perguntar sobre o “por que estou fazendo isso” para todas as coisas da minha vida me ajuda a ver o propósito delas. Então se você se pergunta como descobrir seu propósito, eu recomendo que exercite encontrando o propósito das pequenas coisas. Porque as grandes, na verdade, vêm dessas.

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Meu nome é Thais Godinho e meu guarda-chuva profissional engloba três temas: produtividade, organização pessoal e criatividade. As formas de operacionalizar esse trabalho que eu amo são essas: escrevendo no blog, publicando livros, estudando, ministrando cursos e fazendo atendimentos individuais, ajudando as pessoas a se organizarem. Você pode acompanhar minha trajetória pessoal e profissional neste blog, que existe desde 2006.

22 Comentários

  1. Só tenho a dizer uma coisa: seus posts se superam sempre, nunca sei qual vou reler, de tão bons, atuais e aplicáveis à vida que são…..
    Obrigada pela sua generosidade!

  2. Olá Thais, penso que ainda não consegui ou não encontrei meu propósito, falo isso mais no âmbito profissional, termino minha primeira graduação este ano, e sinceramente não penso em seguir carreira, e não sei o que devo fazer….. sem emprego e com uma graduação sem perspectiva, fico frustrada quanto a isso..
    Só pra constar, te sigo desde o inicio do blog e você me ajudou muito! Obrigada e continue pelo amor de Deus!! hahaha bjos.

    • Francyelle, se me permite, eu passei quase 6 anos desejando uma profissão, quando a conquistei foram quase 2 anos e meio sofrendo porque não era o que eu esperava. A dor só passou tem 4 meses, quando decidi que não iria mais sofrer por isso, por não saber o meu propósito, e me permiti experimentar as coisas que eu gostava. É estranho explicar, mas foi quando tomei essa postura que as coisas começaram a se clarear dentro de mim e identifiquei o que de fato eu gostava de fazer. Se for possível, não se cobre tanto. Há todo um movimento na internet de busca de propósito, mas hoje vejo que também há toda uma pegada comercial nisso. Luz e paz na sua caminhada!

  3. interessante este jeito de descobrir nosso propósito: descobrir o propósito das pequenas coisas…hummm…. vou tentar.
    um beijo e obrigada

  4. Lindo texto, Thais! Me inspirou em fazer muita coisa.
    Consigo sentir uma paz tão grande em tudo que fala/escreve.

    Abraços.

  5. Eu achei muito legal o seu texto. Me lembra a relação que temos com a filosofia, que a podemos praticar nas pequenas coisas e a partir disso irá gerar uma ‘filosofia de vida’ talvez.
    Eu com meus 22 anos já acabei minha faculdade na área de exatas mas estou em dúvida se esse será meu propósito de trabalho pra vida. Por este motivo estou me interessando pela organização digital e afins.
    Textos como estes com certeza trazem motivação e reflexão sobre o que fazemos.
    Obrigado!
    Abraço

  6. Bom dia, Thais!
    Nossa, como gosto do seu blog, recomendo sempre para todos à minha volta. Eu tenho três filhos, 21, 22 e 28 anos. Dois na faculdade e a mais velha formada, é médica.
    Meu grande propósito sempre foram eles. Acreditava que poderia falhar em tudo, menos com eles.
    Nunca deixei de trabalhar, mas meu foco principal era e sempre será eles.
    Hoje já consigo vislumbrar que sou uma pessoa de sucesso hahaha. Os três são boas pessoas, conseguem enxergar “o outro”, estudiosos e saudáveis. Tá bom, né? Um beijo, e bom fim de semana!

  7. Oi, Thaís!
    Leio seus textos diariamente. Mas o que eu mais gosto mesmo é quando você fala das suas vivências. E, um tema que eu gostaria muito que fosse abordado em um de seus posts é o planejamento sobre a rotina do seu filho: escolha de livros para ele ler, tarefas escolares, lazer, alimentação…

  8. Este foi o ano que eu mais fiz este exercício de descobrir a minha missão. Confesso que foi bem frustrante.
    Mas lendo o seu post vejo que faz todo sentido.
    As pessoas romantizam muito essa questão de missão de vida. Você tem que ter a tua e blá blá blá.
    É overwhelming.
    Obrigada por nós fazer refletir.

  9. Thais, gostei muito desse post, pois eu também procuro meu proposito, até hoje com uma idade mais avançadinha…Mas refletindo sobre toda a minha vida não fico me cobrando em descobrir o meu proposito para não me sentir frustrada.
    Mas tento sempre ter objetivos e valores que me façam ser uma pessoa melhor.
    Obrigada por sempre colocar assuntos interessantes.

  10. Eu não tenho como te agradecer por todo esse conteúdo fantástico que você produz para esse blog! Tem mudado minha vida para melhor! Muito obrigada!

  11. Simplesmente lindo, Thaís! Eu acho que fico como “uma barata tonta” na vida procurando meu propósito. E nessa semana diante de uma situação vivida eu vi que às vezes a gente pode estar de cara para o nosso propósito e não vê.lo, porque sempre procuramos ou entendemos que o propósito é algo tão grandioso/extraordinário que não pode ser algo que está no dia a dia, no ordinário. Aí corremos risco de perder a possibilidade de viver o propósito, porque nunca acreditamos que ele pode está no aqui, no agora. Seu texto hoje me emocionou e me sensibilizou muito. Eterna gratidão pela sua missão!!!

  12. Boa reflexão, Thais. Gosto de mais desse tipo de reflexão e as acho extremamente necessárias para continuar e se manter na organização. Abraços!

  13. Oi Thais, acompanho seu blog há muitos anos e o que mais admiro é a sua capacidade de auxiliar as pessoas com a sua experiência. Sua escrita clara, concisa e próxima, inspira a fazer diferente, a recomeçar, a fazer cada vez melhor.
    Adora quando você escreve posts como este, que abordam um pouco do processo de autoconhecimento e de construção da identidade.
    Não tenho dúvida de que você já descobriu o seu propósito e que além disso, o que é mais difícil, mas admirável, consegue colocá-lo em prática.
    Muito obrigada por nos oferecer a possibilidade de conhecer um pouco de você e do seu trabalho.

  14. Thais, adoro seus textos com dicas práticas, exemplos, comparações, sugestões, me ajudam bastante, mas esses, que são mais pessoais, que mostram sua história, reflexões, aprendizados e decisões, me tocam profundamente! São meus preferidos! Gratidão por você compartilhar de forma tão bacana!

  15. Poxa Tha,

    Te acompanho desde o começo e esse foi o post mais sensacional que já li seu. Vc não tem ideia da admiração que tenho por vc. Espero um dia nos conhecermos. Só tenho que te agradecer.

    Mil beijos <3

  16. oi Thais
    estou completamente desorganizada e acabo nao querendo dormir , fico com sono dia e nao consigo levantar. acho q minha vida se tornou uma farsa. desculpe falar isso. creio q vou encontrar a soluçao.

  17. Excelente a sua abordagem de propósito que, ao contrário do que muitos imaginam e até de como é transmitido em cursos de formação de Coaching, não é uma coisa imutável, escrita em pedra, como se fosse algo que só tivéssemos que fazer ao final da vida, tentando descobrir o legado que queremos deixar para nossa família.
    Sua abordagem,contudo, é mostrar que propósito em encontrar significado nas ações do dia-a-dia e verificar se elas estão conectadas com suas metas e objetivos.

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