Eu ainda fico um pouco perplexa quando alguma pessoa fala que moda e estilo pessoal são assuntos fúteis. Não sei de onde vem esse raciocínio. A forma como uma pessoa se veste imprime quem ela é para o mundo, e eu vejo como mais uma maneira de exercer minha criatividade no dia a dia.

Existe uma ideia meio consolidada que “os grandes gênios” ou “os mais ocupados” da humanidade simplificam seu guarda-roupa usando todos os dias o mesmo tipo de roupa. Eu tentei fazer isso, há alguns anos. Foi uma época em que me despi de muitas coisas na vida, inclusive dessa vontade de me vestir de maneira diferente todos os dias. É prático? É. Foi bom? Não diria isso. Buscar a criatividade em coisas do dia a dia é algo que faz muita diferença para mim diariamente. E, além do fator criatividade, também entram outros como auto-estima, empoderamento, auto-confiança – todos muito importantes, na minha opinião.

Neste post, vou contar então quais são as formas que uso para exercer a criatividade no dia a dia, quando se trata de moda.

Em primeiro lugar, foi descobrir que se trata de um processo de construção para a vida inteira. E, por isso, eu não precisava ter pressa.

Depois, foi começar a pensar em termos de sustentabilidade (do mundo mesmo). Não quero sair comprando peças para usar só durante um tempo – quero coisas atemporais, que fiquem comigo (ou com outra pessoa) durante bastante tempo, e que eu possa usar até a peça praticamente se desfazer (rs).

E então veio a constatação: para eu saber como me vestir (o que significa responder a pergunta: que imagem quero passar para o mundo?), eu preciso saber quem eu sou. Porque a imagem que quero passar para o mundo é uma imagem autêntica, de quem eu sou de verdade, que reflita a minha personalidade.

Uma parte desse “saber quem eu sou” é a parte física. Conhecer as partes do corpo que gosto mais e quero mostrar, as partes que gosto menos e quero disfarçar, o tom de pele, do cabelo, dos olhos. Uma fase importante aqui foi fazer a análise de cores, que me permitiu entender que cartelas funcionam bem para mim, e isso poderia ser testado diariamente. Além disso, me permitiu ver que cores ficam melhor em mim e, com base nisso, que cores combinam melhor entre si, para aos poucos ir construindo um armário coordenado, com peças versáteis que combinem entre si. Sim, tudo isso leva tempo. Mas acho divertidíssimo!

“Brincar” de armário-cápsula a cada estação também é um exercício de criatividade porque me permite testar combinações com menos peças. A ideia é construir um armário enxuto que funcione para todas as estações, mas mesmo com pouca variação de temperatura entre elas (moro no Brasil), dá para guardar casacões mais pesados e vestidinhos de verão e focar em peças mais versáteis para a estação vigente. Quanto mais eu reduzo a quantidade de peças, mais isso me permite criar combinações que eu não pensaria antes, se estivesse com todas as peças disponíveis ou com mais peças, em termos de quantidade mesmo.

Outra coisa que também faço, e que até comentei outro dia aqui no blog, é um desafio diário de testar combinações diferentes. De noite, vejo a previsão do tempo e separo a minha roupa para o dia seguinte (que sempre permite complementos caso o tempo mude). Ter pequenos momentos como esse ao longo de um dia inteiro torna cada um dos meus dias mais feliz, porque sei que estou investindo tempo em significado, e não apenas vivendo os dias.

Vale a pena comentar também que acompanho alguns blogs sobre o assunto que sempre me inspiram, como o da Ana Soares. Mesmo navegar pelo Pinterest me ajuda, porque se estiver sem ideias para usar uma roupa (ou se quiser fazer algo diferente do que costumo fazer), eu digito o nome da cor ou da peça no campo de busca e vejo as ideias que aparecem.

Depois que parei de ver meu armário como um simples guarda-roupa e passei a enxergá-lo como um acervo pessoal de peças que refletem a minha personalidade, minha relação com as peças e até com o consumo mudou radicalmente.

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Meu nome é Thais Godinho e meu guarda-chuva profissional engloba três temas: produtividade, organização pessoal e criatividade. As formas de operacionalizar esse trabalho que eu amo são essas: escrevendo no blog, publicando livros, estudando, ministrando cursos e fazendo atendimentos individuais, ajudando as pessoas a se organizarem. Você pode acompanhar minha trajetória pessoal e profissional neste blog, que existe desde 2006.

12 Comentários

  1. Oi. Foi pela sua partilha do armário cápsula que me inspirei para fazer um ou melhor dois. Um para usar na Primavera/Verão e outro completamente diferente para o Outono/Inverno. Na verdade não tinha ideia da quantidade de roupa que tinha, ainda estou a trabalhar nisso, mas este trabalho tem sido óptimo para melhorar o “consumismo” que eu pensava que não tinha e ainda ficar só com aquilo que me identifica e faz feliz! Grata por isso, bj

  2. Oi, Thaís!

    Depois vc poderia fazer um post com indicações de blogs e livros que tratam do assunto pra gente se inspirar tbm!

    Abraço!

    • Italiene, já li bastante sobre o assunto e, na minha opinião, o melhor livro sobre o tema se chama Curated Closet, da Anuschka Rees. Quando o comprei, não existia em português. Lançaram uma versão até onde entendi adaptada ao mercado brasileiro chamada, se não me engano, O segredo do guarda-roupa europeu. Não sei se é idêntica ao original (a autora é a mesma) mas imagino que a estrutura/ raciocínio tenham sido preservados. Inclusive, no site da autora, existe um Workbook (download pago) – um caderno de exercícios (mas em inglês) que ajuda a colocar em prática o método apresentado no livro. Bem legal, mas não indispensável. Em tempo: não tenho nenhum vínculo nem com a autora, nem com editora, com blog nada. Dica de leitora mesmo…

      • Thais e Italiene, desculpe a “invasão”, ok? É que sou empolgada com o assunto e com este livro em particular.

  3. Thais, acho essa questão da análise cromática tão complicada. Porque muitas vezes a diferença entre as cartelas é tão sutil – diferença de tonalidade – que se torna muito difícil de achar peças naquele tom específico ou mesmo distinguir o tom exato do que você tem no armário. Já fiz duas análises, cada uma com um resultado: cartela verão (modelo de 4 estações) e cartela outono suave (modelo de 12 cartelas). Até entendi razoavelmente o porquê das duas classificações (tem uns tons meio próximos, a despeito da diferença de “temperatura” entre elas), mas acho tão difícil colocar em prática. Fico pensando se meu foco, em matéria de uso das cores, deve ser o que me cai bem ou o que realmente gosto. Para você tem sido mais fácil colocar no dia a dia o que você aprendeu sobre análise cromática? Um beijo – adoro quando você coloca esse tipo de conteúdo.

    • Acho que ir pelo que te cai bem sempre é o melhor. Porém, pelo menos eu fico muito confusa e acho que meus olhos me enganam algumas vezes. O legal da cartela é também poder sempre ir em peças que, compondo um guarda-roupa, combinem bem entre si, pra fugir daquele padrão de querer combinar tudo com preto. Apesar de ser difícil achar peças nas cores, elas ajudam até mesmo nisso, porque aí não saio comprando qualquer coisa, porém me ajuda buscar por cores específicas às vezes. Entre uma peça de uma cor X e uma peça de uma cor da minha cartela, isso me ajuda a escolher e sair da zona de conforto. Obrigada por comentar! Também adoro falar sobre isso.

  4. Adorei este texto, até à pouco tempo (quase que) me revia na afirmação “moda e estilo pessoal são assuntos fúteis”. De há um tempo para cá comecei a encarar estilo pessoal como afirmação de criatividade, comecei a interessar-me por alguns blogs “de moda” (vou seguir este que sugere, já sigo a página Oficina de estilo, sugestão que também tirei daqui). Obrigada

  5. Uau estou amando essa serie de posts sobre criatividade no dia a dia. Me identifico muito, pois tenho percebido que ter (ou nao ter) uma casa com uma decoraçao agradavel, me vestir e me sentir bonita, fazer uma comida boa e bonita, sao coisas que me fazem bem, me animam, inspiram e acabam influenciando na sua produtividade e no bem estar.

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