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Eu sou fã da consistência. Acredito que uma mesma coisa, quando feita várias e várias vezes, pouco a pouco, traz grandes resultados. Mas isso não me faz ter medo da mudança. Acho que a mudança é boa e necessária. Dá um chacoalhão, nos desperta para novas possibilidades e faz com que a gente aprenda cada vez mais a se reestruturar novamente, partindo de um ponto de instabilidade.

Vejo as pessoas com muita resistência à mudança. A uma mudança de casa, de cidade, de relacionamento, de estilo, de trabalho, até de trajeto. E uma coisa que a mudança me ensinou é que água parada acumula coisas. E “acumular coisas”, no geral, não é muito legal. Porque a gente nem vê que está cumulando. As coisas chegam e permanecem, e é mais fácil manter como estão. Isso vale para a pilha de revistas se acumulando no canto da sala, assim como problemas que entram na nossa vida e não resolvemos.

O que talvez a gente não leve em consideração é a impermanência de tudo, inclusive de nós mesmos. A velha história de que “desse mundo não se leva nada”. Mesmo quando não mudamos, nós mudamos. Porque a vida, o mundo e as circunstâncias mudam. Em vez de apenas aceitar, podemos abraçar as mudanças como oportunidades de aprender algo novo, de se reinventar.

As mudanças podem ser planejadas ou vindas de surpresa. Permita o atropelamento. Chore, se machuque, depois levante, sacuda a poeira e coloque um sorriso no rosto, porque a vida continua. O ser humano tem essa capacidade fantástica de se superar a partir de situações inimagináveis. E todas elas têm a ver com a mudança.

Mesmo quando estamos levando uma vida tranquila, algo lá no fundo pode estar nos incomodando. Ou então é alguém na família que precisa de ajuda – o surgimento de uma doença grave, por exemplo, ou alguém que tenha ficado desempregado e precisa sustentar os filhos. Não podemos fazer nada com relação à morte, mas mesmo com ela – mesmo quando morrem pessoas queridas – a vida segue. Segue diferente, mas segue.

Eu tenho uma afirmação pessoal que me ajuda muito a refletir sobre as mudanças da vida: “DIE DAILY” (“morra diariamente”). Porque, quando algo morre, outra coisa renasce. E, às vezes, algumas coisas (situações, problemas) precisam morrer para que você consiga enxergar outras oportunidades e possibilidades que antes não estava enxergando. Entendi que preciso desenvolver esse desapego de ideias e situações, porque ele não me agrega nada de útil. Acho que faz parte da veia empreendedora do ser humano querer sempre criar e recriar algo com suas próprias mãos, inclusive a sua vida.

No geral, mesmo quando planejada, a mudança é dolorida. Ela traz situações novas, que não estamos acostumados, e o novo pode assustar. Sabem aquele velho provérbio? “Tudo vai passar”? Pois é verdade. Tudo vai passar: a felicidade, a infelicidade, os problemas, as soluções. Porque, mesmo depois de encontrar uma solução, logo virá outra coisa a se preocupar. E assim é a vida. O “segredo” (se é que posso chamar assim) é ter a mente sempre com atitude positiva, pensar em resultados desejados felizes e partir para a próxima ação, sempre com foco naquilo que você queira alcançar.

Não precisamos esperar o fim do ano para querer mudar ou renovar. Renove-se para o segundo semestre. Renove-se diariamente. A cada minuto. Porque novos ciclos se iniciam e se encerram o tempo todo também. Esteja presente. Viva com tranquilidade. Planeje suas mudanças e encare as não planejadas com o mesmo vigor de quando a felicidade bate à sua porta. Até mesmo porque, para quem desenvolve resiliência, a felicidade está no caminho.

Permita que a mudança aconteça. Ela é boa. Traz novas oportunidades de se descobrir e novas maneiras de viver a vida. Ela não é inimiga da consistência – pelo contrário. As mudanças trazem os chacoalhões necessários para que a qualidade se mantenha. Que chacoalhões você precisa dar no seu pote hoje?

Que venha agosto. 🌸

Thais Godinho
01/08/2017
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