Uma das coisas que mais me marcaram quando eu não usava o método GTD era o fato de eu nunca estar realmente presente onde quer que eu estivesse. Se eu entrasse em uma reunião, já ficava ansiosa pensando na hora que deveria sair da sala, pois tinha coisas mais importantes para fazer. Isso me fazia ficar pensando em outros assuntos, rascunhando outras ideias. Hoje vejo como uma oportunidade perdida. Eu poderia ter usado aquela reunião, por exemplo, para aproveitar a presença das pessoas, tirar dúvidas, discutir pontos importantes. Outro exemplo clássico é o de usar o celular enquanto está com outra pessoa (esse fenômeno já é mais recente). Por exemplo, se você sai com uma amiga para jantar, é porque quer ficar com ela e aproveitar esse momento. Então para que ficar no celular?

Estar presente é uma das maiores maneiras de exercitarmos a nossa mente plena e tranquila. “Ah, mas eu tenho coisas para resolver no trabalho, preciso ver meu e-mail”. Então talvez você devesse ter marcado com a sua amiga em um outro dia. Se quiser estar ali com ela, esteja ali com ela. Uma dica que dou, nesses casos, é verificar o celular quando a pessoa for ao banheiro, por exemplo, ou então combinar uma pausa recíproca entre as duas para que possam ver se receberam mensagens. Mas mexer no celular enquanto a outra pessoa quer estar com você… puxa, isso é ruim. E já vi pais e mães fazerem isso com filhos no restaurante, no parque, em vários lugares. Reclamamos tanto do tempo, mas não nos atentamos para atitudes puramente básicas como essa.

Meu objetivo com este post não é ditar regras, mas propôr um exercício: quando estiver com alguém, e estar com esse alguém for realmente a coisa mais importante naquele momento, guarde o celular (ou o que quer que seja usado como distração – um livro, um bloco de notas, o que for – o vilão não é o celular, mas sua falta de atenção!). Antes de se encontrar com alguém, pergunte-se: o que preciso fazer para estar completamente presente no momento? Muitas vezes, coisas simples. Fazer uma lista de coisas a fazer que esteja te preocupando, no papel mesmo, ajuda a esvaziar a mente. Enviar uma última mensagem para alguém dizendo que vai entrar em um compromisso e não poderá responder tão breve. Você decide.

É apenas um exercício. Tente! Ah, é claro: agradeça sempre pela presença da pessoa. Afinal, quem dedica um tempo para você, nesse mundo em que ninguém nunca tem tempo, merece sim ser valorizado. Não é?

Isso também vale para aquele momento em que você quer meditar, ler um livro ou fazer qualquer outra coisa curtindo sua própria solidão voluntária.

COMPARTILHAR
Artigo anteriorO amadurecimento dos relacionamentos organizados
Próximo artigoGerenciando relacionamentos com o GTD
Meu nome é Thais Godinho e meu guarda-chuva profissional engloba três temas: produtividade, organização pessoal e criatividade. As formas de operacionalizar esse trabalho que eu amo são essas: escrevendo no blog, publicando livros, estudando, ministrando cursos e fazendo atendimentos individuais, ajudando as pessoas a se organizarem. Você pode acompanhar minha trajetória pessoal e profissional neste blog, que existe desde 2006.

18 Comentários

  1. Eu já fui muito assim. De nunca relaxar e nunca estar realmente curtindo o momento. Com a idade, a maturidade, e por ser hoje mais organizada melhorei muito. Como moro em uma cidade pequena ficar sem o celular algum tempo não é tragédia. Quando vou a compromisso s religiosos não levo.

  2. Esta questão tem me incomodado muito, ultimamente. Tu não consegue falar com alguém, sem que este esteja no celular.
    Isso é muito chato! Está acabando a interação, mesmo que a tecnologia nos dê uma falsa ilusão, de que estamos mais juntos.
    O uso desenfreado da tecnologia, tem tornando as pessoas idiotizadas.
    Não interessa viver o momento e sim mostrar o seu momento para outras pessoas.

  3. Fico muito brava (mas não expresso) quando estou com amigos e estão no celular. Não prestam atenção na conversa, ficam só olhando para o aparelho. E sei que não são assuntos de trabalho. É para ver a última postagem do facebook ou quem mandou mensagem no whatsapp. Acho isso triste, pois as pessoas estão dependentes. Às vezes as pessoas programam para o celular emitir sons quando chega algo novo e mesmo sem chegar a sinal, a pessoa fica verificando. Criou-se um hábito. Hábito ruim.

  4. Não costumo ficar conectada o tempo todo e acho muito estranho quem fica. Meu esposo por exemplo, é refem do celular. Vejo que ele quem perde, pois a nossa filha de 6 anos sempre interage comigo, nos divertimos, fazemos desenhos e tantas coisas, que o papai não costuma curtir, pois está no celular. E isso notamos em todo lugar. É um mau necessário, mas é bem chato. Me sinto desprestigiada quando alguém está em casa, e fica o tempo todo no celular. As relações mudaram e me sinto ótima por seguir agindo como era antes deste fenômeno superconectado. Uso a meu favor, não sou escrava dele.

  5. Muito Obrigado! Às vezes tenho essa sensação de não estar realmente presente mas não tinha parado para refletir sobre isso!

  6. Me vi muito nessa situação, estar em uma reunião pensando no compromisso seguinte ou em assuntos pendentes que estão esperando por mim, é muita angústia.

  7. Verdade Thais…. é desagradável como as pessoas usam o celular hoje em dia. Vou ao mercado, a igreja e vários lugares não levo o celular. Quero estar presente faço isso a muito tempo.

  8. Talvez você não tenha muita ideia (ou talvez sim) do quanto seus textos são valiosos e impactam de forma positiva. Acompanho o Vida Organizada faz tempo e venho adaptando aos poucos várias de suas dicas à minha vida. Tenho um livro seu, li outros por indicação sua e agora sinto que comecei a “pegar o ritmo da coisa”. Esse processo de amadurecimento da organização demorou e está em curso mas definitivamente melhorou uma parte da minha vida.
    Esse texto é mais uma dessas jóias e, apesar de tentar praticar há tempos o estar presente, seja com pessoas seja com tarefas, eu me pego escorregando facilmente na distração justamente por falta de organização. Isso gera um estresse enorme a ponto de causar dor física.
    Eu sei que isso vai mudar (está mudando) e você com certeza é parte disso. Obrigada.

  9. Nós primeiros contatos com GTD, estava buscando uma forma de apreender a economizar o tempo, ilusão a minha. Foi neste mesmo tempo que deu inicio às minhas pesquisas para buscar o conhecimento sobre o assunto chegando ao seu Blog, a qual estou até hoje. Brilhante a sua definição de foco, independente do que vai fazer, realize intensamente de corpo e alma, buscando realizar da melhor forma possível, ou não inicie nada, pois realizar coisas pela metade e muito frustante.

  10. Estar com as pessoas e não estar porque elas não param de mexer no celular é tão normal, e não deveria.
    Já mandei mensagem para a pessoa que estava na minha frente, porque ela não parava de mexer no celular durante a nossa conversa, melhor dizendo, monólogo, porque ela não falava nada, ela ficou extremamente constrangida, mas foi um mal necessário porque aquilo me irritou profundamente.
    Eu mexo no celular durante um encontro? Sim! Porém, são naqueles momentos que o outro lado está entretido em alguma outra ação que não me envolve.
    Existem casos e casos, e acho que as pessoas estão perdendo o senso de analisar cada caso.

    Abraços.

  11. Sabe o que parece! ?!!? Que eu sou o “patinho feio” …….Isto pq tenho um celular que apenas recebe e faz ligações. Apenas! ?! Como???? Sempre tem alguém indignado!!!! Mas o título de sua postagem diz tudo: as poses, as fotos, os comentários, tudo isto são coisas momentâneas. Apenas as pessoas são eternas, e merecemos estar uns com os outros!

  12. Isso é tão necessário! Com tanto stress nos dias atuais, penso que nunca foi tão importante exercitar o mindfulness. Estarmos presentes, no PRESENTE é o melhor presente que podemos dar a nossa mente. Tranquilidade em tempos tão conturbados.

    🙂

DEIXE UMA RESPOSTA