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Para mim, a organização não é um fim – ela é um meio para que a gente tenha mais qualidade de vida. Eu diria que a produtividade, igualmente, é um meio para que a gente atinja a criatividade. Nada mais desanimador para a criatividade que lembrar de uma conta vencida que você nem sabe onde deixou o boleto para pagar. Logo, a organização mínima e a organização das “tarefas” deixam o campo limpo para que a criatividade possa aflorar.

E é com esse contexto que eu quero falar um pouco sobre um dos assuntos do momento, que é a série #GIRLBOSS no Netflix, baseada no livro de mesmo nome da Sophia Amoruso, criadora da Nasty Gal (loja online de roupas).

Algumas amigas já tinham me recomendado o livro, que eu nunca tinha lido quando a série estreou. Comecei pela série. E minha nossa, que personagem detestável. Não só detestável, como irritantemente “fake”. Depois de ver que a reação tinha sido geral igual à minha, e também de ler que “o livro foca mais no empreendedorismo”, encomendei o livro pela Amazon para ler. E, agora que terminei ambos, quero falar a respeito porque acho que tem algumas coisas legais para nós, organizetes de plantão.

Primeiro, que a atitude da Sophia na série é destestada por todos. Ninguém gosta do jeito dela, o que deixa claro que ela precisa amadurecer, mas é uma pessoa beeem perdida. E que se encontra quando encontra algo que gosta de fazer e faz bem. Plim! Como num passe de mágica, vemos uma pessoa insuportável se tornar mais humana e madura pelo simples ato de fazer o que gosta. Dá pra gente enumerar várias outras pessoas que são assim (talvez você conheça algumas delas), mas não vem ao caso… o fato é que descobrir nosso dom faz isso com a gente mesmo. E nem vou ser pedante a ponto de achar que a Sophia “encontrou seu dom” – só quero dizer que, quando a gente encontra, tudo muda.

Segundo, recomendo sim a leitura do livro e, se você for como eu, pode gostar de conhecer a história junto com a série, pois a série fica “amenizada”, digamos assim por todo o resto. A Sophia continua sendo uma pessoa que eu não tenho empatia, que age de uma maneira que eu não agiria, mas o livro traz insights e experiências interessantes para quem empreende com criatividade.

Uma das coisas que eu mais gosto que ela escreve em seu livro é sobre o potencial de incremento. Ela mesma diz o seguinte: existem dois tipos de empreendedores – os que planejam tudo antes de começar um negócio e os que começam de qualquer jeito e vão se ajustando. Ela diz que se enquadra na segunda categoria. E, apesar de o mundo e o bom-senso dizerem que o primeiro jeito é o correto, nem sempre. Eu também acredito que tudo tem potencial de incremento, de melhoria, de construção. Também acredito (e já vi) pessoas e empresas que deram certo com algo que começou do nada, sem planejamento nenhum. Uma não exclui a outra.

O livro tem tiradas muito boas como “qualquer coisa que você fizer pode ser criativa”, porque é verdade, e a gente pode ficar achando que precisa necessariamente trabalhar com arte para ser criativo, sendo que o café-da-manhã que você prepara pode ter sua pitada de criatividade. E criatividade é um valor importante, ao menos para mim. Trazer criatividade para o dia a dia é algo que acontece quando todo o resto está relativamente sob controle. Eu não consigo ser criativa com o café se já estiver meia hora atrasada…

Tudo isso para dizer que, se você é empreendedora, pode gostar desse livro sim, e até mesmo da série (vá com paciência nesta, porém). O livro tem um bom ritmo, alternando histórias com cases e experiências e, como falei traz tiradas boas para o trabalho como um todo.

Você já leu o livro ou assistiu a série? O que achou?

Thais Godinho
03/05/2017
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