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Semana passada acordei com esse tema na cabeça e decidi que ele seria o post para abrir o mês de abril. É outono, minha estação preferida e, apesar de ser uma época de recolhimento da natureza, é quando me sinto mais viva. Quando começa a chegar a época de frio (ou menos calor), eu tenho mais disposição, acordo mais cedo, quero fazer mais coisas.

Um dia desses, levantando muito cedo, no frio, com chuva, depois de dormir até menos horas do que costumo dormir, mas acordando naturalmente e com muita vontade de acordar e começar o dia, pensei que seria uma boa escrever sobre esse sentimento.

Sabe, ele é raro. Acho que pra todo mundo. Eu, pelo menos, adoro dormir. Mas então eu percebi, nos últimos anos, que acordar cedo, sem despertador, tem um gatilho. E, no meu caso, é o gatilho dos sonhos que eu estou correndo atrás. “Ai Thais, que piegas esse texto, já vi tudo…” – tentarei fazer com que não seja, juro!

Gosto de falar que sonho organizado vira objetivo. E eu tenho me sentido bastante focada e engajada com a minha vida como um todo, em um estado que nunca senti tanto e com tanta constância. Se é isso o que o David chama de mente como água, estou chegando lá. E tenho tornado esses dias menos raros e mais frequentes.

Ultimamente tenho ido dormir com um propósito e acordado com uma motivação diferente. Algumas coisas que tenho feito que têm influenciado demais no meu estado de espírito, para o bem:

  1. Primeiro, escolher um tema agradável e que me inspire para eu ficar pensando enquanto estou adormecendo. Pode ser qualquer coisa que não deixe minha mente a mil e gerando demandas. Geralmente penso, por exemplo, eu um dia feliz que tive com a minha família – relembrando em detalhes. Ou com alguém da minha família, no passado recente ou anos atrás. Ou mesmo a consolidação de projetos que estejam em andamento – me imaginando no resultado, sendo feliz e vendo o impacto deles no final. Tudo isso são cenários que crio dentro da minha cabeça e me fazem dormir inspirada e ter sonhos bons.
  2. Segundo, que me permito ir dormir em um horário adequado. Não vou mentir – às vezes estou inspirada à noite 9especialmente escrevendo) e gosto de ir dormir mais tarde. Mas, na maior parte dos dias, gosto de ir para a cama em um horário razoável, que me permita dormir minhas sete horas e meia diárias bem. Isso significa deitar na cama pelo menos nove horas antes do meu primeiro compromisso ou da hora que pretendo acordar, pois demoro um tempo para dormir e gosto de dormir com a tranquilidade de que acordarei depois de ter dormido o suficiente, mas sem ser muito tarde.
  3. Terceiro, é me programar para fazer algo realmente inspirador e significativo quando acordar. Algo que vai mover algum projeto ou objetivo importante adiante. Minha nossa, eu acordo motivadíssima. Sei que o clima influencia no meu humor, mas ter algo que eu realmente queira fazer pela manhã me anima muito. E me dá grande satisfação pessoal ter concluído isso antes da metade da manhã. Eu me sinto como se já tivesse começado o dia adiantada com relação ao resto do mundo ou, mais do que isso, ao meu eu que poderia ainda estar dormindo. Fico muito feliz.

Por isso, um roteiro dos meus dias tem sido mais ou menos assim:

Acordar, meditar, preparar um café ou chá, olhar o tickler, colocar meu fone de ouvido, ouvir uma música calma no Spotify e ler o NY Times (geralmente as partes de cultura, viagem e bem-estar). Fico muito bem quando faço isso. É uma espécie de ritual que já tenho há algum tempo.

Trabalhar na coisa mais significativa possível para aquele dia. De preferência terminando até o meio da manhã. Vejam, eu não abro e-mail, respondo mensagem, me estresso com nada disso. Foco em coisas maiores antes.

Trabalhar nos prazos que estão na minha agenda do Google (com exceção dos compromissos que correm ao longo do dia) antes do almoço. Sei que o que está lá deve ser feito no dia, e geralmente são coisas mais rápidas, como vencimento de contas ou outras parecidas. Finalizar o que está ali me deixa com uma sensação ótima de dever cumprido.

Esclarecer meus e-mails antes de parar para almoçar. Esvazio minha caixa de entrada diariamente, a não ser quando passo o dia inteiro em eventos externos. Aí deixo uma resposta automática e esvazio a caixa assim que estiver de volta.

Almoçar com o meu filho. Esse intervalo que faço serve para recarregar as minhas energias.

Fazer uma pausa razoável para o almoço, geralmente de uma hora e meia. Aproveito para ver alguma série de tv, ler uma revista ou simplesmente ficar deitada descansando a mente. Faz muita diferença mas, se eu estiver bem disposta, prefiro voltar a trabalhar mais cedo.

Na parte da tarde, realizar as tarefas de rotina. Geralmente depois do almoço eu demoro para retomar o ritmo e respeito isso. Aproveito para cuidar das finanças, responder mensagens e outras ações relacionadas.

Antes do fim do dia, trabalhar nos prazos do Todoist relacionados ao computador. Ou seja, procuro focar no trabalho online nesse período para poder desligar o computador com tranquilidade no início da noite.

Esclarecer minha caixa de entrada física antes de o dia acabar. Ter uma visão geral dos próximos três dias. Terminar o dia com a caixa de entrada vazia e os próximos dias em vista são duas coisas que me dão bastante clareza e controle sobre a situação.

Responder alguns últimos e-mails antes de encerrar meu expediente.

Passear com os cachorros ou ir caminhar. Alterno entre esse horário e depois do almoço.

Fazer a rotina noturna com o filhote, que inclui conversar sobre a escola, dar banho, jantar, ficar junto.

Aproveitar a noite para alguma leitura ou estudo leve, sem dispositivos eletrônicos. Leio livros relacionados ao trabalho, estudo minhas apostilas de cursos, faço mapas mentais, planejamentos, tudo no papel. É um pouco terapêutico. Muitas vezes, fico ao lado do meu filho enquanto ele lê também antes de dormir.

Fazer minha rotina noturna básica: conferir a previsão do tempo, separar a roupa para amanhã, escovar os dentes etc. Especialmente quando trabalho em casa, percebi que faz muita diferença já deixar a roupa que vou usar separada.

Estar na cama em um horário razoável para ler algum livro de ficção leve (estou relendo o Senhor dos Anéis) antes de dormir.

Dividir meu dia dessa maneira (manhã de compromisso, tarde de rotina e noite offline) tem sido muito bom. Não cumpro 100% das vezes, mas é um guia que procuro seguir todos os dias e, quando consigo, é muito bom.

O que me tira da cama é essa vontade mesmo de aproveitar o dia, porque o que posso escolher fazer está claro e definido. Reviso sempre o que precisa ser feito e recalibro minha vida constantemente.

Organização traz liberdade.

Thais Godinho
01/04/2017
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