ou

Existe uma foto muito famosa do Steve Jobs sentado na sala de sua casa em 1982.

WOODSIDE, CA – DECEMBER 15: CEO of Apple Steve Jobs sits at his home in Woodside, CA on December 15, 1982. IMAGE PREVIOUSLY A TIME & LIFE IMAGE. (Photo by Diana Walker/SJ/Contour by Getty Images)

O que essa foto significa para mim?

Bem, eu li sua biografia há cerca de dois anos (aquela grandona do Walter Isaacson) e, em um dos trechos do livro, Steve Jobs comenta como foi para ele ter a sua primeira casa. Me lembro de ter lido que, quando ele mudou para essa casa, onde moraria sozinho, sem os pais, depois de a Apple já ter deslanchado, que ele tirou essa foto sentado em sua sala, com apenas alguns objetos: discos, livros, luminária, vitrola. Mas por que um cara que já era milionário tinha tão poucas coisas? E eu lembro que a resposta dele foi algo como: “Sou chato, quero coisas de qualidade e com bom design, e demoro para encontrar tais coisas. Por isso minha casa está vazia.”

Lembro também de um trecho do Thoreau (Walden, ou a vida nos bosques), em que ele diz que um homem (sic) deve ter objetos suficientes que caibam em um carrinho de mão. Todos esses conceitos sempre me fazem refletir muito sobre a nossa existência e o dinheiro que gastamos em “coisas”, além do desperdício de espaço. E é claro que, com o tempo e vários filhos, a casa do Steve Jobs ficou com muito mais coisas do que aparecem nessa foto. Porém, eu sempre gosto de olhar para ela para me inspirar.

Sabe, a gente vive num mundo em que se assumir como é é chato. Todo mundo precisa dar sua opinião sobre tudo o tempo todo. Ninguém consegue guardar para si mesmo suas concordâncias e discordâncias sobre a vida do outro.

Essa foto me inspira porque ela me mostra que eu sempre posso ser quem eu sou e posso ter objetos que eu gosto e que tenham a ver comigo, em vez de ter os “objetos padrão” que toda casa deve ter. Construir um ambiente do zero, de acordo com as reais necessidades de quem vive na casa, me parece um bom caminho.

Quem é você e como você imprime essa pessoa nos objetos que te pertencem? Sua casa reflete o mesmo?

Thais Godinho
17/01/2017
Veja mais sobre:
Minimalismo, Steve Jobs
23
Acabe com os potes inúteis!
Se você fosse mudar de continente
Uma coisa por dia: livre-se da tralha!

 

  1. Tathy Zagoto 17/01/2017

    Este sentimento de começar do zero, se tornou uma necessidade depois que montei minha primeira casa! Logo que ela ficou pronta, foi aquela loucura de montar tudo. Móveis de marcenaria, papel de parede, luminárias e todo a coletânea de m´veis soltos que estamos habituados a desejar. 5 anos depois me sinto absolutamente diferente com relação a isso, penso que devemos dar tempo ao tempo e sentir o que a casa precisa. E não sou mais aquela pessoa de 5 anos atrás e se tivesse colocado menos coisas, talvez hoje não teria tanta dificuldade de me identificar com o que tenho. Eu as pessoas que estão montando a primeira casa, espere coloque só o essencial, básico do básico e vá sentindo suas necessidades diárias. Alguns torcem o nariz, mas logo me dou conta que há conhecimentos que precisam ser empíricos.

    • Thais Godinho respondeu Tathy Zagoto 17/01/2017

      Isso! <3 Obrigada por comentar.

  2. Hellen 17/01/2017

    Acho que a maior particularidade de pensar em montar a casa de acordo com a necessidade é por exemplo ter uma mesa de jantar enorme se nunca as refeições são feitas ali, em vez de ter um espaço amplo vira um espaço “empilha tralha”, ou nunca esta em casa e só gosta de assistir tv naquela meia hora antes de dormir então pra que na sala uma tv, só ter porque dizem que é necessário … Estou pensando muito nisso agora que estou na perspectiva de mudança de casa, essa é a segunda vez desde que tenho a minha própria casa e já sei como as coisas andam por aqui e estou pensando seriamente no que realmente me faz falta e o que acho desnecessário.

    Ótimo post para refletir!

  3. Raquel 17/01/2017

    Ai como eu queria ter tido essa percepção logo que casei!
    Eu adoro esse tema sobre decoração de um modo geral e já não estava satisfeita com as minhas escolhas. Mas foi um post seu (de 2014), sobre encontrar o próprio estilo, que me deu um clique e me fez refletir sobre minhas escolhas (ou a falta de escolha consciente).
    O que busco hoje é ter coisas que falem sobre mim, compras com sentido, não uma casa que poderia ser de qualquer outra pessoa. Quero menos objetos e mais identidade.
    Já penso em ideias para uma próxima moradia ou quando for renovar algum móvel… o mínimo possível de móvel projetado, talvez só na cozinha. Vc conhece os móveis do Aristeu Pires? Lindos!

    😉

    • Thais Godinho respondeu Raquel 19/01/2017

      Obrigada pela indicação. Vou verificar!

  4. Simone 17/01/2017

    Thais estive hoje em sua palestra e sessão de autógrafo. Comprei o livro para mim e minha irmã Juliana. Muito obrigada por nos proporcionar a oportunidade de conseguir qualidade de vida… por intermédio do conteúdo do seu trabalho. Vou iniciar a leitura do método GTD…Foi emocionante mesmo conhece-la pessoalmente. Bj : )

    • Thais Godinho respondeu Simone 19/01/2017

      Obrigada! <3

  5. Julia 18/01/2017

    Oi Thais.
    Olho pra essa foto e vejo a tradução de um desejo que vem me perseguindo há um bom tempo. Meu forte não é a organização e sinto que pra lidar com isso e mudar “o menos”, o minimalista faz toda a diferença.

    Aos poucos tô destralhando a casa, mas como ainda moro com meus pais é complicado. Tenho planos de morar com o namorado

    • Julia respondeu Julia 18/01/2017

      Ops, cliquei em enviar sem querer…. Bom, tenho planos de morar com o boy no início de 2018, então já tô moldando esse comportamento aí. =) Beijo.

  6. Vanessa 18/01/2017

    Muito bom!

  7. Adriana 18/01/2017

    Nossa, Thais! Montei minha 1ª casa em nov/14 e comprei muita coisa desnecessária. Mesa de 6 cadeiras, batedeira planetária, penteadeira, puff, fruteira… logo vi que a casa ficou mais devagar pra limpar.
    Me mudo na próxima 3ªf, dia 24 e não pensei 2 vezes: liguei pra Casas André Luiz e vou doar algumas coisas. Minha nova fase de vida envolve ter só o essencial e agora vou morar em apartamento. eu tava pensando exatamente nisso por esses dias. Quero comprar apenas o necessário e de boa qualidade. Nossas avós não tinham uma casa cheia de coisas e tenho pensado nisso também. Há filhos e netos herdando os móveis de seus pais e avós. Elas gastaram o dinheiro uma vez só. Claro, eram outros tempos. As pessoas ficavam uma vida no mesmo lugar mas pretendo comprar roupas e objetos mais atemporais daqui pra frente e práticos para uma nova futura mudança.
    Grande abraço
    Adriana, SP.

    • Thais Godinho respondeu Adriana 19/01/2017

      Obrigada por compartilhar!

  8. Edgleuma Verlangieri 18/01/2017

    Querida Thais, essa imagem me fez sentir paz de espírito, sossego na alma!!!
    Gostei das mudanças no site, excelentes, estou me adaptando a elas, gosto disso!!!
    Obrigada.

    • Thais Godinho respondeu Edgleuma Verlangieri 19/01/2017

      Eu que agradeço! <3

  9. Juciany 19/01/2017

    Bom dia, Thais! Fazia um tempo que eu não fazia uma visita por aqui. Estou encanta com o novo visual do blog, adorei!
    E você, sempre com texto tão tocantes.
    Parabéns pelo caminho trilhado até aqui, que venha muito mais!
    bjus!

    • Thais Godinho respondeu Juciany 19/01/2017

      Obrigada!

  10. Barbara 20/01/2017

    Olá Thais, tudo bem?
    Conheci o seu blog por acaso no ano de 2016. Passei a ler as postagens com bastante freqüência, pois além de você abordas os assuntos de uma maneira muito interessante, suas postagens refletiram exatamente o que penso, o que precisava aprender e tudo isso tem me ajudado muito a me reencontrar ou redefinir… sei lá.
    Comprei o seu livro e gostei muito. Quero ler novamente, com muita tranquilidade para extrair o máximo sugestões e conceitos que eu puder, pq sei que vai contribuir para a mudança tão que tanto almejo.
    Parabéns e muito mais sucesso!!!!!

  11. Gabi 23/01/2017

    Há alguns anos comecei esse exercício diário da vida minimalista e ontem mesmo comentei com meu marido q, caso houvesse um incêndio e a gente tivesse q sair correndo, saberíamos exatamente o que pegar: nossa maleta arquivo, com tds documentos (estilo ticlker) e nossa caixa de fotografias. Se tivesse um tempinho a mais,rs, os vinis. Só. Temos poucas coisas, e ainda assim não sofreríamos por nada q ficasse aqui.

  12. Càh 25/01/2017

    É isso! Essa foto reflete o que quero para 2017 e para o resto da vida! Vou manter ela de wallpaper no note para participar dos momentos de inspiração que estou planejando!

  13. Mayara 28/01/2017

    Texto surpreendentemente diferente e inspirador. Sou muito grata pelo seu serviço gratuito aqui no blog que me ajudam muito.

  14. Ednice 08/02/2017

    Um saco né…

    “Todo mundo precisa dar sua opinião sobre tudo o tempo todo. Ninguém consegue guardar para si mesmo suas concordâncias e discordâncias sobre a vida do outro.”

  15. Meiriele 15/02/2017

    Oi, Thais! Fico me perguntando como foi que esse post me passou batido, já que só estou lendo ele hoje (15/02). rsrsrsrsrs
    Eu me sinto completamente assim nesse momento. Eu me mudei recentemente de um apartamento pequeno (que eu achava que tinha muitas coisas) para uma casa enorme (em que sobra espaço já que não tive como aproveitar os móveis).
    Não estou nem um pouco com pressa para mobiliar, mas as pessoas me “olham torto” por causa disso. Dizem que minha casa não pode ficar assim, que tenho que colocar isso e aquilo, etc. É engraçado como as pessoas não conseguem guardar suas próprias opiniões para si quando se refere à vida alheia. Não me importo com os comentários, de verdade. Mas concordo com você quando diz que “a gente vive num mundo em que se assumir como é é chato”. Acho, por vezes, cansativo explicar para as pessoas que eu não penso como a maioria e que não tem nada de errado nisso. Ao ler esse texto e os comentários, sinto-me reconfortada em saber que não sou a única no mundo que pensa assim.

    • Renata Leite respondeu Meiriele 21/02/2017

      Amei o texto, muito pertinente: menos é mais!