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Não importa a corrente que a gente siga para aplicar o Feng Shui em qualquer espaço, o começo de um projeto bem sucedido será sempre o mesmo: o destralhamento. Ok, mas até aí isso não é novidade…

Pois é, mas quando li o primeiro livro de Marie Kondo (A Mágica da Arrumação – A Arte Japonesa de Colocar Ordem na Sua Casa e na Sua Vida), que a Thais fez uma ótima resenha aqui no Vida Organizada, muita coisa que eu já fazia intuitivamente se revelou para mim de forma muito clara.

O que fazemos para a nossa casa estamos fazendo a nós mesmos. Aquilo que dedicamos à nossa casa, chegará até nós implacavelmente. Se abençoamos a nossa casa, somos abençoados; se devotamos amor a ela, é amor que vem para a gente… e quem não está em busca de amor?

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Destralhar pode ser também um ato de amor. Kondo propõe que você, no momento de uma seleção para descarte, toque aquele objeto e se pergunte se aquilo te faz feliz, sendo a pessoa que você é HOJE. Ao tocar esse item, através das suas mãos e do questionamento ao seu coração, o corpo reage. Você pode sentir uma sensação percorrendo o seu corpo, como uma onda, que ela chama de uma faísca de alegria (sparkle joy) – essa é a resposta de que vale a pena manter esse objeto. Certamente ele tem um papel muito relevante na sua história, pois os objetos querem ser úteis e desempenharem suas funções. Muitas vezes, a sensação que temos é que aquilo já não mais se faz necessário, talvez nunca tenha feito sentido para nós ou já tenha cumprido aquilo que se esperava dele. Momento de libertação!

Quando retemos um objeto deixando-o “encostado” e inerte num canto qualquer, estamos interrompendo a sua história, impedindo que ele cumpra seus objetivos. Deixá-lo ir, seguir o seu caminho, talvez causar uma onda de alegria a outro alguém, pode ser também uma atitude amorosa. Despedimo-nos com respeito, com gratidão e fazemos o devido encaminhamento.

E quando se trata de um presente dado por alguém querido, mas que não nos causa a faísca de alegria? Essa onda de felicidade foi concedida a quem presenteou, que dessa forma conseguiu manifestar o seu carinho, a vontade de fazer o presenteado feliz, o que não deve impedir ninguém de descartar o presente assim mesmo, sem culpa, com respeito e gratidão.

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Essa decisão de tocar cada objeto, de selecionar o que te faz feliz ou não, fortalece o poder de decisão, a capacidade de escolha. É uma forma também de fazer as pazes com o passado e aumentar a confiança no futuro, uma espécie de inventário, onde se constata do que a gente realmente gosta, quem se é e quem se quer ser.

A gratidão é algo que nos conecta com o amor universal, pois reconhecemos o que nos é concedido. Em relação ao que temos em casa, podemos expressar a nossa amorosidade cuidando e tocando nossos pertences. Quando dobramos e guardamos nossas roupas, podemos fazer isso roboticamente ou dobrando-as carinhosamente e guardando-as de forma que se sintam “confortáveis”. O fato de tocá-las, alisá-las com afeto e gratidão é uma forma natural de energizarmos as nossas roupas, uma vez que nossas mãos são naturalmente magnéticas e têm uma conexão direta com o nosso coração, o epicentro do amor.

Para os japoneses, a expressão “te-ate” significa “impor as mãos”, mas no sentido de “curar”. Então, com esse pequeno ritual, “acalmamos” o que tocamos e somos capazes de transferir energia de amor e paz, não somente às nossas vestimentas, como a tudo que nos serve de alguma forma, tornando a nossa vida mais fácil, mais bela e mais digna.

E você, acredita que fazer com amor possa trazer uma resposta amorosa à nossa vida?

Wanice Bon'ávígo
23/06/2016
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