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É muito comum a gente ler em blogs e livros sobre organização o conselho: mantenha em casa apenas aquilo que você ama. Aqui no blog você já deve ter lido isso. A Marie Kondo diz para você amar as suas meias, então isso deve ser correto. E sim, amar as coisas no sentido de que elas trazem alegria quando olhamos, interagimos, é ok. Mas isso não quer dizer que estamos substituindo todo o resto – tudo o que importa – pelas coisas. Eu trocaria qualquer “coisa” por uma viagem que eu gostaria de fazer, por momentos a mais com o meu pai que já morreu e por muito mais vida em todos os sentidos. Este post é sim, uma declaração de amor à vida como um todo, e isso inclui o que faz parte dela – incluindo suas meias. Mas vamos pegar leve.

Não quero fazer o papel da vilã aqui. Algumas pessoas sofrem com o problema de acúmulo de objetos em casa – e esse problema deve ser tratado com apoio psicológico, com profissionais qualificados. Se você sofrer com isso ou tiver alguém na família sofrendo, é importante procurar auxílio profissional. Isso não se resolve com “dicas de organização”.

Por outro lado, existem também aqueles objetos que nos trazem alegria, sem dúvida alguma. Um quadro que te deixa feliz sempre que você olha para ele, ou uma roupa que te empodera de tal maneira que transforma um dia péssimo em um dia maravilhoso. Objetos não são ruins – eles fazem parte da nossa vida. Precisamos ter uma relação saudável com eles. Justamente por isso precisamos cuidar daquilo que temos, dando espaço para que eles “durmam”, sejam armazenados e manuseados com cuidado. Quando temos coisas demais, acabamos desperdiçando, quebrando, deixando mofar, enferrujar, estragar. E isso, na maioria das vezes – e aqui entra a experiência da organizadora profissional – na verdade é apenas um reflexo de muita coisa que está acontecendo na vida da pessoa.

Tanto que, quando um profissional de coaching começa a trabalhar com alguém – seja esse profissional uma personal organizer, uma coaching de vida ou uma consultora de estilo, ou mesmo uma nutricionista, ou personal trainer, enfim, alguém que vá fazer um trabalho de transformação na vida daquela pessoa – é muito comum que a transformação em uma área comece a expandir seus efeitos para todas as outras. Você já deve ter vivenciado isso alguma vez – de ter emagrecido e isso te deu vontade de guardar dinheiro, cortar o cabelo, mudar de emprego, arrumar a casa, promover outras mudanças. O ser humano tem um cérebro tão incrível que, quando a gente começa a mudar uma coisa, isso serve como gatilho para querer mudar um monte de outras coisas que pareciam apenas estar esperando esse empurrãozinho.

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E aí quando vem uma pessoa aqui e fala: “destralhe a sua casa”. E você começa a destralhar a sua casa, o que acontece? Você mexe não apenas com aquele monte de papéis e objetos que estavam guardados, mas também com emoções que estavam guardadas. É muito louco. É como se você estivesse fazendo uma faxina mais profunda mesmo.

Portanto, a partir do momento que você começa a ter esse cuidado com as suas coisinhas em casa, organizando seus pertences, organizando a sua agenda, os seus afazeres, se planejando, alcançando objetivos, isso vai te empoderando de uma maneira que você percebe que ninguém mais pode te segurar. Você pode chegar onde você quiser. E isso vai fazer com que você aprenda a se amar mais do que nunca, porque você não vai mais se permitir não se amar dessa maneira.

Veja aqui algumas ideias para trazer um pouco desse amor por você mesma(o) hoje através da organização:

  • Pare um pouquinho de trabalhar ao longo do dia. Não é para sair no meio do expediente, dar tchau para o chefe e ir embora. Mas pare dois minutos, feche os olhos e respire. Você tem esse direito. Ou levante, olhe pela janela. Dê uma devaneada. Pense em algo gostoso, em algum sonho que tenha. Planeje um projeto pessoal que esteja em andamento. Curta um pouco mentalmente algo de fora do trabalho. Respire.
  • Em vez de comprar coisas novas, especialmente roupas e artigos para casa, redescubra o que já tem. Experimente a ideia do armário cápsula. Trabalhe um menu semanal.
  • Nos próximos eventos comemorativos, em vez de presentes, pense em experiências que gostaria de proporcionar na sua vida. O que você gostaria de ter feito antes dos 30? Antes dos 40? Antes dos 70? Pode ser desde fazer um piquenique no parque até passar uma tarde tomando um sorvete de casquinha sentada vendo o movimento de uma grande avenida. Pense em experiências simples, mas significativas.
  • Reconecte-se com as pessoas. Telefone para um amigo ou amiga. Visite parentes.
  • Todo mês, selecione uma categoria de coisas na sua casa para selecionar itens para doação. Funciona assim: escolha uma categoria. Por exemplo: camisetas. Pegue todas as suas camisetas, coloque em cima da cama e selecione aquelas que não usou no último ano, não gosta ou acha que outra pessoa poderia fazer uso melhor. Mantenha apenas aquelas que forem essenciais para você. Doe o restante. Repita nos meses seguintes com panelas, livros, artigos de escritório e o que mais desejar. Você vai se sentir bem por guardar apenas aquilo que tem a ver com você e também por fazer o bem a quem não tem coisas e precisa do que você está doando.
  • Redescubra a beleza em você em pequenas atitudes. Isso não é fácil, pode ser o trabalho de uma vida inteira e certamente é uma batalha diária. Mas olhe-se no espelho e encontre sempre algo positivo para dizer a seu respeito. Evite comentários negativos – mesmo que tenha aquela barriguinha, aquela olheira, o cabelo não esteja tão hidratado. Todos temos problemas, então eles já bastam por si só. As coisas são nossas aliadas – use seu espelho como exemplo disso para se amar todos os dias.
Thais Godinho
08/06/2016
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