Existe um conceito que eu gosto muito chamado comida confortável.

Comida confortável é aquela comida que promove algum tipo de valor nostálgico ou sentimental para o indivíduo, geralmente com bastante valor calórico e de simples preparo. Varia bastante de pessoa para pessoa, e de cultura para cultura. Aqui no Brasil, usamos bastante para chamar de “comida de vó” (mesmo cada pessoa tendo uma vó diferente).

O termo surgiu nos Estados Unidos em 1966, em uma reportagem do jornal Palm Beach Post, que disse que, quando as pessoas estão doentes ou chateadas, elas buscam refúgio em comidas fáceis de preparar e que remontam a essas memórias, pois assim se sentem confortáveis. Se você já preparou uma canja de galinha porque estava doente sabe do que eu estou falando.

A comida confortável acaba sendo consumida, então, para aliviar os efeitos de sentimentos ruins e potencializar efeitos positivos em nossa vida, nos fazendo reviver bons momentos inconscientemente. Quando a gente faz brigadeiro de panela em um dia particularmente ruim, o que a gente está buscando não é apenas saciar a vontade de comer doce, mas conforto de uma maneira geral, associando o doce a algo bom que você já sentiu enquanto provava aquele chocolate.

Existem pesquisas que associam hormônios às preferências por certos tipos de alimentos. Homens preferem comidas mais calóricas, como carnes, caldos e sopas, enquanto mulheres preferem doces e sorvetes. Em contrapartida, os mais jovens preferem salgadinhos preparados por pessoas que tenham 55 anos ou mais. Os estudos também revelam que o consumo de comida confortável pode estar associado a sentimentos de culpa ou arrependimentos, e o refúgio na comida seria uma forma de “se perdoar” e não se sentir tão mal por ter feito determinadas coisas. Talvez por isso algumas pessoas escolham “chutar o balde” e sair da dieta em épocas muito estressantes da vida.

Outros estudos também afirmam que o consumo de comida confortável é engatilhado por sentimentos negativos em mulheres e por sentimentos positivos em homens. Ou seja, se uma mulher está triste, ela come. Se um homem está feliz, ele come.

Todas as fontes dessas pesquisas estão nesta página da Wikipedia em inglês e são muito interessantes. Vale a pena verificar (tem outras também).

Nos Estados Unidos, as comidas confortáveis mais comuns são:

  • torta de maçã
  • chilli
  • sopa de frango
  • macarrão com queijo
  • hambúrguers
  • frango frito
  • pizza
  • purê de batata
  • entre outras

No Brasil, eu arrisco dizer que são as seguintes:

  • canja de galinha
  • bolos (pão-de-ló, cenoura, milho, chocolate, fubá)
  • pão na chapa
  • espaguete com frango assado
  • bolinho de chuva
  • pudim de leite
  • polenta
  • picadinho de carne
  • mingau
  • purê de batata
  • caldinho de feijão
  • pipoca
  • arroz doce
  • chocolate quente
  • brigadeiro de panela

A comida confortável remete ao seu lar; não tem nada a ver com fast food, por exemplo. Você teria mais exemplos da sua casa, da sua vida e da sua família? O que seria comida confortável para você? Deixe nos comentários!

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37 Comentários

  1. Assim que li o título do post pensei “Munguzá!” (Canjica para quem não é pernambucano!).
    Depois pensei melhor e acho que para mim são todas as comidas de milho: pamonha, munguzá (a.k.a. canjica), canjica (a.k.a. curau), bolo… quando criança minha avó preparava todas essas iguarias em casa para as festas de São João (tão típicas de Pernambuco) e só de falar lembro do cheirinho de milho, coco e canela invadindo a casa… A sensação de raspar uma panela de canjica quentinha, com aquele ventinho frio de chuva de Junho… Que saudades!!!

    • Ai essas comidas juninas <3 engraçado que chamamos essas comidas em Salvador igual a Pernambuco. Qdo me mudei para o centro-sul da Bahia e para Brasília ficou tudo ao contrário, achei tão estranho! rs

      • Já eu sou de Brasília e atualmente moro na fronteira com o Amapá, então tenho muitos amigos do Norte. Aí minha amiga macapaense me convidou pra comer uma canjica na casa dela. Huuum, fui toda feliz! Quando cheguei lá, a tal canjica na verdade era curau!!! ri muito. Expliquei pra minha amiga que canjica pra mim era outra coisa rs. Mas me esbaldei de comer curau, pq tb gosto muito hahaha

    • Também AMO comida de festa junina… traz lembrança de quadrilha na escola! Estou inclusive organizando uma festa junina aqui em casa, e só de pensar nas delícias já engordei 10 kg! kkkk

  2. Nesse conceito de comfort food, eu trago justamente as comidas da minha infância, que eram preparadas por minha avó ou minha mãe.

    Pela minha avó, sempre me veem duas coisas: suco de maracujá fresco e aipim ou inhame cozido. Até hoje, por exemplo, tenho por comida favorita costela com aipim ou frango com inhame. Porque a lembrança das tardes na roça, com a criançada na mesa comendo aipim cozido fresquinho e suco de maracujá gelado pra amenizar o verão vem muito forte. E lá fui imensamente feliz e amada.
    Pela minha mãe, tem várias comidas, posso citar: peixe assado, sopa de carne com legumes, pão caseiro, carne seca com abóbora, pudim de leite. Hoje, tem mais de 10 anos que minha mãe não faz essas comidas. A última que comi foi a sopa de legumes, quando estava no resguardo há 4 anos, as outras nunca mais. Tento fazer, mas nunca fica igual… comida de mãe e de vó, são próprias delas… mas só de chegar “perto”, o aconchego chega e toma conta.

  3. que delícia de post.

    minha comida confortável é donuts. Nossa, traz muitas boas lembranças da minha mãe trazendo aquela caixa enorme com donuts cobertos de açúcar. nada saudável, mas era o dia mais feliz da vida toda. me lembro de quase todos eles. E quando estou triste, corro para caçar um donuts.
    agora quanto a comidas feitas em casa, não tenho nenhuma que eu reproduza que tenha vindo das avós/mães. Minha mãe faz muito bem doces (o que eu particularmente não gosto muito) e minhas avós não eram as melhores cozinheiras do mundo :/ eu nunca gostei de comida de vó, principalmente da minha avó que nasceu no ceará que fazia umas coisas que eu só engolia porque ela obrigava! risos… Então todas as lembranças de comida que tenho foram feitas por mim, que sempre amei cozinhar e comecei a inventar na cozinha aos 12 anos.

    mas tudo isso é bem verdade. A gente tem essas comidas que nos remetem a conforto. A minha lista é tão grande que não caberia aqui. Sou uma pessoa bem apegada a comida, e sempre como muito quando estou triste, e mais ainda se estou feliz.

  4. Minha mãe é nordestina, então, na hora lembrei: Biju e cuzcuz! Na infância não gostava, mas hoje…Aprendi a fazer só pra sentir minha mainha mais perto…

  5. Brigadeiro de panela é imbatível, mas sempre me remete às memórias de minhas experiências na cozinha. Sou mineira, então quitandas e doces ocupam boa parte da lista das delícias da minha avó, como bolinho de chuva, bolo de fubá e de milho, canela de velho (para quem não conhece é uma massa folhada com recheio de goiabada, cortada na diagonal e passada no açúcar), bolinha de queijo, pudim de leite, e uma torta que chama Adis Abeba, à base de ameixa e com cobertura de mashmallow. Lembro de disputar com minha irmã as pás da batedeira que fazia o marshmallow, minha avó enchia pra ficar parecendo um “picolé” de marshmallow, quentinho… hummm! Quase senti o gosto! Da comida da minha mãe o que mais sinto falta é da sopa de legumes com carne, e folhas de repolho por cima! Ela cozinha divinamente, mas a comida que mais acalma meu coração sem dúvida é essa sopa!
    Uma delícia, literalmente, relembrar essas recordações!

  6. Minha família é mineira, e minha avó materna cozinhava muito bem e gostava de agradar os netos. Eu sinto muita falta da pamonha que ela fazia, mas minha comida confortável preferida sem dúvida é tutu de feijão com couve, farofa, torresmo… Doce de abóbora. Que saudades!
    Da minha mãe já lembro mais dos bolos caseiros e ainda bem que eu consigo reproduzi-los muito bem.

  7. Ai Tais… que texto delicioso (literalmente)…

    Comida confortável quando penso na minha vó… é o tempero maravilhoso que ela colocava no feijão, imbatível!,… nunca ninguém conseguirá acertar aquele sabor. Lembro-me muito bem, dos bolinhos de chuva que ela fazia, além do bolinho de arroz… Uma memória engraçada que tenho é quando ia passar a tarde na casa dela e ela vinha no final do dia com um copo de leite (cheio de nata, que eu detestava) com café… e eu ficava assoprando pras natas não virem pra minha boca… Chorei agora lembrando destes momentos de carinho. Quanto a comida confortável da minha mãe, me lembro bem dos bolos de cenoura com cobertura de chocolate que ela fazia para eu e minha irmã comermos quietinhas assistindo a SUPER VICKI, enquanto a cera que ela passava no chão secasse… e também dos pães caseiros sempre quentinhos que até hoje ela faz para gente tomar o café da tarde todos juntos após o trabalho. Muitas lembranças e saudades boas…

    • Minha avó também fazia isso, quando não era o leite quente com nata e canela, era um prato de mingau de aveia… Vós, sempre cuidando da gente… <3

      • Evelyn, mingau de aveia era eu quem fazia muito para minha vózinha… nos últimos meses de vida dela, enquanto ela ainda estava morando em casa, quase todas as noites ela me pedia para fazer mingau para ela… Penso que para ela, aquele momento era de pura satisfação e felicidade…

  8. só hoje eu comi pão na chapa (faço quase todo dia), chocolate quente e brigadeiro (desses enroladinhos) <3 hahaha
    tudo depende do dia. se eu tomar café todos os dias, perde a graça. mas se eu fico muito tempo sem tomar, e depois sento na mesa de café da tarde na casa da minha vó e tomo uma xícara de café, já muda totalmente o contexto – e o sentimento!
    mas eu gosto de comidas gostosinhas principalmente em momentos mais tranquilos e de satisfação! tristeza me dá preguiça de comer, acabo comendo algo bem mais simples e sem graça…
    enfim, essa postagem me lembrou desse trecho do Proust: https://www.facebook.com/Escoadouro/posts/411379852406485:0 🙂

    • Eu também não gosto de tomar café na minha casa. Mas quando vou pracasa da minha tia no Piauí, sempre tem um cafezinho passado com bolo. aí nós nos sentamos à mesa da cozinha e realmente, bate uma sensação, um sentimento que eu nem sei explicar.

  9. Minha mãe era dez tudo que você imaginar ela fazia , pão quentinho com tudo que você imaginar de recheio ( queijo, banana com canela , tradicional e etc…) rocambole de queijo com carne , pizza e ela mesma fazia a maionese em casa, uma das minhas tias era bolo de nozes com baba de moça (não encontrei nenhuma baba igual) a outra pudim de leite ( gosto de pudim de leite a qualquer hora ) a outra pudim de clara com sorvete eu sou gêmea e com isso as tias faziam as nossas vontades. São calorias que não tem preço e tem coisas que também não tem calorias e o valor emocional imenso minha mãe costumava fazer chá de capim limão e falava toma que faz bem só em sentir o cheiro eu volto no tempo.
    Você fez eu fazer uma retrospectiva de cheiro, sabores, abraços, colo , boas lembranças. O meu cardápio emocional e muito grande so da parte da minha mãe são 17 tias . Obrigado por esse post

  10. Macarrão ao molho branco! Nem sei porque se tornou minha comida reconfortante, mas quando tô mal, triste, desanimada, cansada, um macarrão ao molho branco sempre ajuda.
    Depois de viagens longas, volto pra casa e meu pedido é esse também. Não é uma comida de infância, mas com certeza é a comida que faz eu me sentir abraçada e amada, mesmo que eu que tenha feito.

    Adorei o post e o histórico de confort food, adoro esse conceito e fiquei com vontade de procurar mais

    Beijo!

  11. O conceito de “confort food” seria melhor traduzida como “comida confortante” ou “comida reconfortante”.

    • Pode ser, mas o significado de confortável também se encaixa, então sinceramente não vejo diferença. Eu prefiro confortável, mas todos citados funcionam.

  12. Por coincidência, hoje estive na casa da minha mãe para um almoço em família e levei uma sobremesa chamada Spumoni, que minha mãe sempre faz. Irei viajar por um longo período e a ideia de levar o Spumoni foi exatamente para amenizar a saudade que sentirei dela. Beijos Thais! Adorei o post. Simone

  13. Ah! a essa lista de comidas de vó incluo o Manju, doce japonês com recheio de feijão Azuki que minha batchan sempre fazia para a família. Simone.

  14. Gostei muito do seu post e do conceito de comida confortável. Deu-me nostalgia e tentei recordar as comidas da minha mãe que mais me confortavam, eu sou portuguesa e gosto dos pratos tradicionais. O que me conforta além da canjinha de galinha, é uma sopa de caldo verde, bacalhau com natas, frango no forno com muito limão, pasteis de bacalhau com arroz de tomate, arroz de polvo, arroz doce, pastel de nata. Mas o que mais me conforta nos dias em que me sinto cansada, triste, desmotivada, é um bife com batatas fritas, aquece-me a alma!
    Maria José
    https://avidaemtonssuaves.wordpress.com/

  15. Aiaiai!!!!!! Quanta saudade me deu da minha infância lendo este post. Me recordo da pamonha feita em casa, bolo de fubá (simples e maravilhoso com uma xícara de café quentinho), canjica, arroz doce, milho cozido com margarina, bolacha de nata e aquele biscoito de polvilho frito (minha mãe não gostava de fazer porque o jeito que ela fazia espirrava muito, mas eu e minha irmã gostávamos tanto que ela sempre dava um jeitinho… haha. Me lembro bem da parede da cozinha cheia de respingos de óleo. kkk). Após ler este post não aguentei, ontem cedinho feriadão, tive que fazer biscoito de polvilho pra mim e meu esposo só para matar a saudade. Imagina a cena… eu e ele olhando pra panela e segurando a tampa na expectativa que fosse espirrar… comédia!!!! Olha só, falei com minha mãe ontem e ela disse que a última vez que ela fez não espirrou e que era só não deixar o óleo esquentar muito… funcionouuuuu!!!!!! Foi divertido!!!! Valeu Thais!!!

    • Não sei se ajuda, mas para o colorau tingir algo de forma bem uniforme e laranja é fritar um pouco no óleo… Aí ele solta a cor e fica lindo!

  16. As melhores coisas pra se comer com o objetivo de “afogar as mágoas” é a boa e velha coxinha de frango (com catupiry se vc for mineirin) e um brigadeiro de panela pra fechar com chave de ouro!

  17. Comida confortável pra mim é a chamada “bruaca” com café à tarde. Sempre remete a um tempo em que eu não tinha tantas preocupações e demandas.

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