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Algumas mães e alguns pais me pediram para dar dicas sobre como escolher escolas para os filhos agora, nesse final de ano, quando muitos ainda não se decidiram pela matrícula. Vou trazer algumas dicas com base na minha experiência pessoal e a de outras mães e pais com os quais convivo ou troco ideias pela Internet.

A primeira coisa a dizer é que dificilmente você encontrará a escola perfeita para os seus filhos, então precisamos baixar um pouco as expectativas. O que eu recomendo é que você tenha uma lista de princípios a seguir e, com base nela, pesquise as escolas boas o suficiente. Por exemplo:

  • A escola precisa ter o método Montessori
  • A escola não pode ter ensino religioso
  • E por aí vai

Uma questão crucial é a da localização. Via de regra, a escola deve ser perto da sua casa. Algumas pessoas costumam procurar também escolas perto de onde trabalham mas, a não ser que você seja dono de uma empresa estável, isso pode se complicar futuramente. Outra questão é que, dependendo da idade do seu filho, se ele começar a ir e voltar sozinho, ou com transporte escolar, é mais seguro estar perto de casa.

Na minha opinião, o mais importante é confiar na instituição. Se você visitar a escola e tiver dúvidas sobre segurança, ensino etc, tudo deve ser esclarecido na hora. Agora, se você se deparar com uma informação ou com algum fator que não concorde ou lhe soa mal, siga sua intuição. No final das contas, é um lugar onde confiamos nossos filhos.

Outros pontos a serem observados:

  • O modelo de ensino deve estar de acordo com o que vocês ensinam para os seus filhos em casa
  • O espaço da instituição, a quantidade de crianças em sala, os espaços como biblioteca, quadra etc.
  • A média de aprovação
  • O que é exigido dos pais e dos alunos – compromissos
  • Recursos extras diversos de aprendizado
  • Carga de dedicação aos estudos na escola e em casa
  • O valor da mensalidade, possíveis descontos e formas de pagamento
  • Horários de entrada e saída, tolerância e política para atrasos
  • Segurança
  • Frequência de reuniões de pais
  • Aprendizado de língua estrangeira
  • Procedimentos com relação à saúde (caso seu filho passe mal, por exemplo, ou sofra um acidente na escola)

Algumas perguntas que vale a pena fazer de acordo com cada faixa etária escolar:

Educação infantil

  • Como os educadores lidam com crianças que choram, fazem manha e pedem colo?
  • Em que idade começa a alfabetização?
  • As crianças tomam banho na escola? Como é feita a higiene no geral? Como é feita a troca de fraldas? A criança vai ao banheiro sozinha?
  • Como é feita a comunicação entre a escola e a família? Há um diário com informações importantes sobre o dia a dia da criança?
  • Como a escola lida com desfralde, uso de mamadeira e chupeta, um aluno que leva só besteiras para comer?
  • Como a escola lida com conflitos infantis como bater, morder, falar palavrão?
  • O ambiente é seguro? Como a escola lida com a segurança específica para crianças pequenas?
  • As crianças se misturam com alunos maiores? Existe rodízio para os intervalos?
  • Quanto tempo é reservado para o estudo e quanto tempo é reservado para brincadeiras?

Fundamental 1

  • Como a escola lida com alunos que têm dificuldade no aprendizado?
  • Como funciona o processo de alfabetização e o ensino de matemática básica?
  • Quanto tempo a criança se dedica a brincadeiras e atividades físicas?
  • Qual o critério utilizado para dividir as salas? Que aluno vai em que sala e por quê?
  • Qual a quantidade de lição de casa? O que é esperado dos pais nesse processo?

Fundamental 2

  • Como são explorados os campeonatos e a competitividade entre os alunos na educação física?
  • Existem torneios de matemática ou ciências que meu filho pode participar?
  • Como é incentivada a leitura?
  • Como vocês fazem o controle de entrada e saída dos alunos?
  • Quando um aluno apresenta problemas de comportamento, a escola contata os pais ou tenta resolver com a criança diretamente?

Ensino médio

  • Como é a preparação para o vestibular?
  • O que a escola oferece de aprendizado sem ser o foco no vestibular?
  • Como é o controle de entrada e saída dos alunos?
  • Qual a sua conduta quando encontram um aluno fora da sala de aula?
  • Qual a postura da escola quanto a namoros dentro do ambiente escolar?
  • Quais as disciplinas extras relacionadas a ciências humanas? (sociologia, filosofia, empreendedorismo)

Espero que esse guia acima possa ajudar os pais que ainda estão indecisos com relação à matrícula em uma escola nova.

Thais Godinho
27/11/2015
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  1. Valéria 27/11/2015

    Excelente postagem, Thais! Já me decidi pela rematrícula do meu pequeno, pois a escola dele contém as melhores respostas para todas as questões levantadas no seu texto, e fico contente de ter pensado da mesma forma quando estive neste dilema de deixar ou não ele onde já está desde que nasceu, praticamente.
    E essa questão dos valores ensinados é muito importante, principalmente levando em conta que, hoje em dia, nossas crianças passam bastante tempo nas escolas.

    Um abraço! e obrigada!

  2. Jane 27/11/2015

    Thais,

    O texto foi muito útil para mim que estou procurando uma escola em que eu confie, que partilhe dos nossos valores e que possa caber no nosso orçamento.

    Foi especialmente bom ler o que disse: “precisamos baixar um pouco as expectativas”, pois na ânsia de proporcionar o melhor aos filhos, eu estava ficando desanimada e triste por encontrar escolas maravilhosas mas com um custo totalmente inviável para nós.

    Obrigada

  3. Eve Pereira 27/11/2015

    Olá Thais,

    Muito bom o seu Post. Para aqueles pais que apesar das suas dicas ainda sentirem dificuldades em escolher a escola para o filho, sugiro procurarem a ajuda de alguém da área da Educação que possa dar Consultoria e acompanhar os pais nesse processo de escolha, esclarecendo as dúvidas sobre as metodologias educacionais e ajudando os responsáveis a observar itens importantes referentes às instituições de ensino.

  4. Ana Luíza 28/11/2015

    Boas dicas Thais! Como pedagoga em formação, uma coisa que considero bem importante da parte dos pais é a questão da metodologia da escola, os pais quando procuram uma escola devem conhecer a metodologia\proposta que a escola adota, e mais do que isso analisar se eles estão dispostos à estarem de acordo com ela, e compreenderem o que ela implica na vida dos seus filhos. É comum vermos pais que colocam seus filhos em escolas com métodos diferentes (seguindo teu exemplo, o Montessori por exemplo), por que a escola é bem reconhecida, mas não tem preparo para entender e lidar os motivos do que é feito ali, porque de determinadas posturas e que, principalmente com os pequenos eles dependendo do método da escola precisam de alguns elementos daquilo em casa (por exemplo: de nada adianta você dar determinadas liberdades à criança se em casa elas são completamente cortadas, o que gera uma confusão para a criança). Sei que falei muito, mas achei interessante acrescentar isso do ponto de vista “do outro lado”.

  5. Jess 29/11/2015

    Oi thais 🙂 que saudade de vir aqui. nas férias prometo colocar em dia a leitura desse blog maravilhoso!

    falando do texto, em geral são colocações muito úteis mesmo. Não tenho filhos, mas estou me formando pedagoga e já trabalhei na área pública e privada, podendo ter uma certa dimensão desses ambientes.

    Com exceção da educação infantil, que é mais delicada, porque são bebês e crianças muito pequenas, então há uma série de coisas a ser levadas em conta, onde as vezes a escola pública deixa mesmo a desejar (e muito!), em geral penso que a escola pública quase sempre é uma melhor opção que as privadas. Principalmente para quem tem uma condição social mais precária e não consegue pagar uma escola top de linha.

    Isso porque as vezes, muitas escolas privadas são caras e a metodologia de ensino/valores trabalhados são bastante deficitários. Até porque muita, mas muita escola privada não passa de marketing. Eu mesma estudei em escola privada, enquanto meus irmãos fizeram pública. Tivemos um ensino semelhante, com problemas e benefícios, com a diferença que no meu caso saiu uns R$30.000,00 o ensino médio todo, o que é um dinheiro que poderia ter sido empregado com muitas coisas, como cursos ou até um intercambio. Uma grande frustração para nós, porque realmente foi uma escola que se mostrava fantástica, mas na prática tinha muitos problemas. Passei no vestibular? passei sim, mas entrei em um curso de humanas e reprovei várias disciplinas logo no primeiro semestre, porque eu nunca tinha ouvido falar de sociologia, por exemplo. Não tinha base nenhuma da área de humanas. nem sabia o básico sobre a história do brasil. Era uma precariedade enorme. Tive que estudar muito por fora para chegar no nível dos colegas. No fim minha irmã passou em uma universidade pública também, e em um curso de exatas. e passou por grandes dificuldades também. Porque veio da pública, e não tinha a base de conhecimentos matemáticos que precisava. Ou seja, precariedades quase sempre existem nos dois sistemas. Então eu penso que as vezes vale mais a pública “por não ser paga”, e guardar o dinheiro para investir em cursos extracurriculares.

    mas claro, isso é apenas um ponto de vista da minha experiência familiar. Agora em uma visão mais ampla como pedagoga, diria que se a escolha é mesmo pelas privadas, que seja levado em conta as coisas que você pontuou, que são muito importantes. O mais relevante mesmo é saber quem são os professores, porque em qualquer escola eles fazem muita diferença. Muitas escolas tem metodologias progressistas mas os professores contratados não tem formação suficiente para desenvolver o trabalho com eficiência. Eu estudei em uma escola voltada para área criativa, com uma concepção de ensino super construtivista. mas eu tinhas vários professores absolutamente insatisfeitos com o salário pago, que só reclamavam dos problemas da escola e mandavam a gente copiar apostila. Então as vezes só saber a metodologia da escola não basta. mais uma vez eu digo, as vezes não passa de marketing.

    mas espero que esse texto ajude e que minha colocação possa contribuir um cadinho a mais com a reflexão. Sei que muita gente (principalmente em SP) tem horror a educação pública, e sei bem que a realidade é triste, são muitos problemas. Mas em média, se comparado a uma escola privada mediana, a escola pública ainda tem professores mais bem formados, o que no fim, acho que faz uma certa diferença.

    • Thais Godinho respondeu Jess 09/12/2015

      Com certeza contribuiu muito! Obrigada, Jess.