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Por ter feito uma vez o armário-cápsula e trabalhar diariamente ajudando as pessoas a destralharem seus guarda-roupas, eu acabei desenvolvendo uma série de experiências que vejo se repetirem muito e, sempre que posso, procuro compartilhar a fim de ajudar.

Uma coisa que eu vejo acontecer bastante com algumas pessoas é o descarte fácil das roupas. “Não gosto”, “não uso”, então joga fora (e, quando digo jogar fora, quero dizer tirar de casa – pode ser doar, vender, dar de presente, enfim).

Quando a gente está nessa fase de experiência do armário-cápsula, está na verdade fazendo um grande exercício de auto-conhecimento.

Quando a gente separa uma camisa X porque acha que a cor não é legal, ou porque acha que não veste bem, está se baseando única e exclusivamente no conhecimento da peça que a gente tem até então. Em resumo: se eu não entendo de moda, como posso “julgar” essa peça?

Estou querendo dizer para manter no armário uma peça que não deixa você feliz? Não. Estou dizendo para guardá-la e, no próximo armário-cápsula, olhar com outros olhos – com uma experiência de 3 meses que pode fazer com que você se apaixone pela peça de novo e veja mil maneiras diferentes de usá-la.

Imagem: Alla Club.com.br

Imagem: Alla Club.com.br

Às vezes o que a gente tem mesmo é um excesso tão grande de opções que deixa de testar, usar, estudar cada peça que tem. Sei que esse é um dos objetivos do AC.

Eu já me desfiz de muitas roupas que talvez não precisaria ter me desfeito. Trocar os botões de uma camisa, fazer a barra de uma calça, customizar, amarrar de uma forma diferente. Tudo isso poderia ter me ajudado a usar aquela peça e a gostar dela. Ou não, mas eu gostaria de ter tentado.

Porque, sinceramente, quando a gente faz o AC pela primeira vez, pode descobrir que não tem um montão de peças-chave e quer “fazer o investimento” em peças novas, sendo que são apenas novas… enquanto você tem essa redescoberta para fazer em casa.

E sim, pode acontecer de você realmente chegar à conclusão de que aquela peça não rola. É até comum concluir isso. Mas todo o processo que te levou a esse ponto foi o ganho, e não se desfazer da peça e comprar outra. Senão, o que se ganha nessa simples troca?

Por isso, ao pegar uma peça que você iria se desfazer:

  • Pergunte-se: existe alguma maneira de customizar esta peça de modo a usá-la diferentemente?
  • Pesquise no Pinterest o nome da peça em português e em inglês e veja ideias.
  • Perceba o que realmente não gosta nessa peça, para evitar compras semelhantes no futuro. Aprenda com a experiência.

Se realmente for o caso de se desfazer, aí você pode vender, doar, dar de presente, reaproveitar (fazendo uma almofada, por exemplo), reciclar ou jogar fora. Mas evite o desperdício e o gasto desnecessário de dinheiro.

Lembre-se que ter um guarda-roupa legal é como montar um acervo de peças pessoais dentro do seu estilo. Não é da noite para o dia e muito menos de uma estação para a outra. Vale mais a pena fazer escolhas conscientes demoradas, substituições certeiras, que trocar seis por meia dúzia apenas porque chegou a hora de escolher o armário-cápsula da estação.

Se você quiser saber mais sobre como construir seu estilo e organizar seu guarda-roupa, as inscrições para o nosso workshop ainda estão abertas. Será no dia 14 de novembro em São Paulo e falaremos exatamente sobre todo esse trabalho de conscientização para se vestir de acordo com a vida que se tem, de acordo com quem a gente é, e organizar nosso armário da maneira mais funcional possível para o dia a dia. Clique aqui para ver a programação do curso e se inscrever.
Thais Godinho
29/10/2015
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Quem acompanha o blog sabe que eu passei alguns dias um pouco mal de saúde, com pneumonia e risco de infecção generalizada (leia os avisos aqui e aqui). Depois de 8 dias internada no hospital, eu pude pensar e escrever um pouco neste post sobre o que aconteceu para esclarecer para vocês, pois sei que muitos ficaram preocupados.

Eu venho há cerca de dois anos percebendo uma tosse seca que vem e vai, cada vez com uma frequência maior. Nunca me preocupei porque achei que fosse decorrente de sempre estar em ar condicionado no trabalho. Este ano, a tosse veio e estava muito feia. No geral, a tosse seca começa a expectorar depois de algum tempo, mas isso não aconteceu. Depois de mais de uma semana com muita tosse, comecei a sentir fraqueza e quase desmaiei diversas vezes ao tossir. Foi quando decidi ir ao hospital.

Fui ao hospital e o diagnóstico já foi direto de pneumonia, mas nada muito grave que precisasse de internação. Por isso, bastaria tomar antibiótico e uma série de ouros remédios em casa, e procurar descansar. Naquela semana, eu tive apenas um evento de trabalho fora de casa, o que me permitiu descansar mas, no evento em si, passei muito mal. Depois desse dia, meu quadro piorou muito. Como ainda não tinha acabado de tomar os dias do antibiótico, preferi esperar. Isso foi em uma quinta-feira. No final de semana, passei muito mal, com fraqueza, e minha tosse aumentou consideravelmente. Voltei ao hospital na segunda-feira e, lá, fui direto para a UTI, pois estava tão mal que estava quase com infecção generalizada, que precisava ser controlada. 🙁

Fiquei algumas horas na UTI e de noite pude sair e ir para a internação normal, no quarto. Meu marido passou a noite comigo. Esse tipo de acontecimento vira a vida de cabeça para baixo porque temos a logística com o nosso filho, ele tem faculdade, eu tenho meu trabalho. Mas, felizmente, por ter uma vida organizada e as coisas nos lugares certos, conseguimos passar relativamente bem todos esses dias. Foi fundamental o apoio que tivemos da nossa família tanto com o Paul quanto no meu acompanhamento no hospital. Também fiquei bastante comovida com o apoio de algumas pessoas que trabalham comigo, visitando, querendo saber notícias e dispostos a ajudar.

Ficar uma semana no hospital não foi tão ruim quanto parece. Acho que ser budista me ajuda bastante nessas horas porque me faz ver as coisas de forma diferente, sempre com bastante desapego e buscando aprendizados. Eu me senti muito agradecida por toda a equipe médica e de enfermeiros que me ajudaram todos os dias, as pessoas da minha família e amigos que estavam preocupados. Eram muitas pessoas com foco na minha recuperação, então eu não poderia me sentir menos abençoada.

A pneumonia acabou causando uma atelectasia pulmonar, que é uma espécie de complicação nos brônquios – nada tão grave em adultos como é em recém-nascidos, por exemplo, mas mesmo assim demanda um cuidado delicado, porque eu simplesmente não conseguia respirar. Meus brônquios estavam fechados. Tive que tomar remédios diferentes e fazer fisioterapia intensa localizada, além de um exercício com um aparelho chamado BIPAP que fazia com que eu me sentisse em um filme de ficção científica. Como eu ficava o tempo todo com esse aparelho, fazendo exercícios ou exames, era até difícil alguém ficar lá comigo, pois a pessoa praticamente não descansava. A rotina de hospital é bem intensa e o que eu mais senti falta foi de dormir mesmo (era comum ter um exame à 1h da manhã e às 6h recolher sangue de novo). O médico disse que tudo isso foi resultado dessa deterioração lenta dos pulmões vinda dos últimos anos com a tosse que não passava e as condições mesmo de trabalho, ar condicionado etc.

Um dia antes de ter alta, eu não me sentia nada bem. O médico queria me deixar internada mais um tempo. Só me deixou ir para casa se eu prometesse que fizesse mais sete dias de repouso absoluto em casa, levantando da cama só para ir ao banheiro, esse tipo de coisa. Nem escada eu poderia subir. Nada. Eu faria esse teste em casa mas, se apresentasse qualquer piora, deveria voltar e internar novamente. Após os sete dias, deveria voltar de qualquer forma para ver como será meu novo estilo de vida depois desse acontecimento. A estimativa é que eu fique em repouso mesmo pelo menos 40 dias e que eu promova mudanças no meu estilo de vida para que essas complicações não voltem. Apesar de tanto a pneumonia quanto a atelectasia estarem sob controle, ficaram alguns danos meio irreversíveis, como o desenvolvimento de uma asma (já estou sendo medicada especificamente com relação a isso) e inflamação dos brônquios, de forçar mesmo a respiração.

Bom, tudo isso aconteceu na última segunda-feira, então faz dois dias que eu estou em casa. Eu acredito que o fato de estar em casa já ajuda bastante na recuperação, porque eu consigo descansar no meu ritmo. Só por ter dormido uma noite inteira eu já me senti outra pessoa! Mas eu preciso seguir as recomendações médicas e ficar quietinha mais alguns dias, e depois provavelmente terei que mudar várias coisas da minha rotina de qualquer forma.

Consigo usar o computador mesmo estando na cama, mas estou tentando não usar muito porque me dá fraqueza ficar olhando para qualquer tela. Quero aproveitar para descansar mesmo e deixar para usar o computador para algumas coisas de trabalho que não podem esperar. Escrever, por exemplo, é algo que consigo fazer e é até bom porque me distrai.

Como eu estou me sentindo? Mais ou menos. Não posso falar muito, porque força os pulmões. Sinto bastante fraqueza, não consigo andar nem ficar de pé muito tempo. Estou fazendo os exercícios de fisioterapia ao longo do dia e tomando os remédios. Sinto dores nos pulmões. A tosse persiste, mas melhorou. O pior é a fraqueza e o cansaço constantes, mas acho que devem melhorar à medida que o tratamento avance. Não consigo me imaginar indo ao mercado, por exemplo. Estou fraquinha nesse nível.

Depois do retorno ao médico (eu já marquei três diferentes de uma vez, para ter mais de uma opinião), vou ter uma ideia melhor de como melhorar meu tratamento em casa (alugar um aparelho de BIPAP? fazer fisioterapia?) e de como devo mudar meu estilo de vida para que esses problemas possam ser reduzidos. No geral, quando se vive em uma cidade como São Paulo (poluição) e se trabalha em ambientes com ar condicionado, não há muito como fugir, então tudo o que puder ser feito para ajudar, vou procurar fazer.

Se eu estou questionando muitas atividades? Sim, com certeza. Vou tentar diminuir o ritmo de qualquer forma, mas ainda não tive a oportunidade de pensar com calma em tudo. Uma das coisas que eu penso desde já é em viajar menos e investir mais nos cursos online do blog, por exemplo, mas muitas definições ainda virão.

Queria agradecer todos os comentários no post anterior e dizer que lê-los diariamente, estando no hospital, mesmo sem conseguir responder, fez grande diferença para mim. Obrigada mesmo, de coração.

Thais Godinho
28/10/2015
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Pessoal, queria reforçar um aviso anterior porque tenho recebido mensagens e não consigo responder.

Estou internada desde o dia 19 e sem computador – apenas usando o 3G do celular para me comunicar com a família.

Minha pneumonia se complicou e estou com risco de infecção generalizada. Não tenho previsão de alta, mas espero sair antes do feriado.

Todos os pedidos feitos pelo blog para planilhas, inscrições em cursos e livros estão sendo computados e darei prosseguimento assim que conseguir. Por favor, fiquem tranquilos com relação a esse registro.

Caso não possa ou não queira esperar resposta, peço que aguarde então minha volta para efetuar qualquer compra, tudo bem?

Agradeço a compreensão e espero estar bem logo. Obrigada.

Thais Godinho
23/10/2015
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