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Destralhamento é o primeiro passo do processo de organização. Essa frase é importante porque traz dois conceitos que considero essenciais para a organização pessoal, que são: 1) destralhar é necessário para organizar a casa, porque não é possível organizar tralha, e 2) a organização é um processo. Venho há vários dias refletindo sobre essa questão, levantada pela Marie Kondo em seu livro, sobre a organização ter que ser radical para funcionar. Quis dividir essas reflexões com vocês.

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Há uns seis anos, eu promovi esse destralhamento geral na minha casa e, tal qual a Marie fala, isso se refletiu na minha vida. Terminei um relacionamento, pedi demissão do meu emprego e abri mão de uma série de coisas e sentimentos que eu pensava, na época, não serem importantes para mim. Eu já comentei sobre essa fase aqui no blog (clique aqui para ler um dos textos sobre isso).

O grande problema de qualquer mudança radical é que você acaba não processando muito bem a coisa enquanto você está fazendo. Tomar decisões no calor da situação pode te fazer optar pelo caminho errado e te levar ao arrependimento mais tarde. Você também pode se desfazer de valores importantes.

É claro que não estou usando isso como desculpa para manter tralhas em casa. Estamos falando de pessoas que realmente guardam muita tranqueira e isso torna as suas vidas um pouco infelizes. É comum também ver pessoas assim com problemas relacionados à ansiedade e dificuldade em seus relacionamentos. Assim como a Marie, eu também penso que a organização pessoal influencia na vida em todos os aspectos, não apenas na imagem da casa arrumada. E que uma casa organizada e sem tralha se reflete no seu astral com relação à vida e te permite ser mais feliz em outras áreas. Nisso estamos de acordo.

Porém, eu posso falar sobre a minha experiência e o que vi acontecer com outras pessoas nesses nove anos que eu trabalho com organização, e até mesmo antes. Na época em que destralhei tudo, eu mergulhei em uma depressão que só fui identificar anos depois, quando tinha passado. A Clarice Lispector tem uma frase que me toca muito, que é “cortar os defeitos pode ser perigoso, pois nunca se sabe qual o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro”. Com a nossa casa eu acho que é a mesma coisa. Jogando tudo de uma vez você tem que decidir rápido e nessa onda você pode se desfazer de coisas importantes para você. Eu sou desapegada e busco manter somente aquilo que eu gosto, mas foi um processo.

Ter feito isso de forma radical me deixou com um sentimento horrível de vazio – e isso não quer dizer que eu era materialista, mas porque nossa vida é composta por coisas, sentimentos e pessoas. É perigoso pensarmos em só manter aquilo que nos faz feliz porque nem tudo na vida são flores. Não podemos descartar algo apenas porque não é do nosso agrado. Mas atenção: não estou dizendo aqui que temos que aguentar situações que acabam conosco (como relacionamentos abusivos, empregos que nos sugam até a alma e não levam a nada e uma pilha de revistas sem uso em casa). Estou dizendo que faz parte da maturidade da vida de cada um saber identificar quando a mudança interna pode ser mais importante e quando a externa é necessária também.

Eu concordo com a Marie quando ela diz que, se a gente for destralhar a casa, pode destralhar por categorias: todas as roupas, todos os livros, todas as panelas. Isso realmente ajuda no processo porque você tem uma visão do todo. Mas me incomoda essa visão do “tem que ser assim”, porque cada pessoa é de um jeito e cada jeito traz consigo visões, anseios e necessidades. Quem sou para chegar na casa de alguém e falar: “jogue fora essas fotos”? É por isso que não trabalho em residências como personal organizer – eu acredito que cada pessoa possa aprender por si só o que é importante para si mesma e promova as mudanças que ela acha necessárias na sua vida, não a que a Thais, a Marie ou seja lá quem for diga que precisa ser feita.

Também estou de acordo com a Marie quando ela diz que devemos ter uma relação de gratidão para com os nossos pertences, porque isso faz com que não deixemos nada largado em cantos e caixas. É importante a gente ter uma casa que nos traz alegria, assim como a nossa vida – mas não quer dizer que, se alguém me falar algo que me desagrada, eu tenho que cortar a pessoa da minha vida! O que essa pessoa me falou pode gerar um aprendizado inestimável se eu tiver a atitude de receber essas palavras e processar o que foi dito, questionar minhas atitudes e promover mudanças que serão boas para mim e para todos ao meu redor. Quando a gente toma decisões somente com base no que a gente acha, pode acabar afastando pessoas e se tornando uma ilha, além de perder a oportunidade de aprender e evoluir em termos de sentimentos mesmo.

Por fim, o que eu quero dizer é que a organização radical é uma possibilidade, mas pode não se aplicar a todo mundo. Talvez, no seu momento atual, valha a pena chamar uma personal organizer e fazer esse trabalho com você, apenas porque você realmente não tem pique (e tempo) para cuidar disso sozinho. Ou então talvez você queira pegar um final de semana e trabalhar nesse destralhamento. Porém, não há nada de errado se você quiser fazer isso aos poucos, porque cada pessoa tem seu tempo.

Apesar de, hoje, ver que o destralhamento radical me deixou deprimida na época, ter passado por isso foi importante porque me ensinou a respeitar meu próprio ritmo. Se eu não tivesse feito, como saberia? Hoje, penso que todas as decisões que tomei foram precipitadas e faltou maturidade da minha parte, por isso penso muito bem antes de tomar qualquer decisão radical.

Sou a favor de cada um se conhecer, conhecer seus valores, ter objetivos de vida, porque isso são referências que nos ajudam na tomada de decisões. E vai muito além de encher um saco com roupas que eu não quero mais nesse momento. O saco pode ficar cheio sim, mas como resultado de um processo que cada um vai construir, seja em um dia ou em alguns meses ou anos, porque cada um tem o seu tempo para fazer as coisas. Eu penso que, se existe qualquer regra quando se fala de organização pessoal, é que as regras devem ser escritas pela gente e por ninguém mais.

Leia os livros, leia os posts do blog, mas no fundo você sabe que ninguém conhece mais a sua vida do que você mesma/o. Então trabalhe nesse conhecimento, porque ele será o responsável por você olhar para um vaso na sua casa e saber que ele não tem nada a ver com você, assim como qualquer outro objeto, relacionamento, pessoa ou situação. Leve isso um dia ou um ano. Não estou dizendo nenhuma novidade aqui – considero senso-comum. Ambos funcionam: ser radical ou não. Depende de você, do seu momento, da sua vontade e necessidade. O que não vale a pena é deixar de tomar decisões e atitudes quando se identifica um problema.

Thais Godinho
22/05/2015
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  1. Tais Lopes 22/05/2015

    Há muito tempo não comento aqui, mas nunca deixei de acompanhar.
    O destralhamento faz parte da minha rotina, mas não é regrada. Indo de um cômodo a outro da casa enxergo algo que me faz perguntar “o que isso está fazendo aqui ainda?” já vai pro lixo ou qualquer outro lugar que seja… hahahaha
    Mas resolvi comentar hoje pelo seguinte motivo: já completei 250 dias sem pensar em morrer…
    Foi minha filha quem me deu o empurrão inicial mas serei sempre grata a ti e ao teu trabalho pela revolução que fizeram na minha casa e na minha vida!

    Um grande beijo e muito obrigada!

    http://momentosdelucidezenemtanto.blogspot.com.br/2015/05/250-dias-o.html

  2. Mônica 22/05/2015

    Adorei sua colocação sobre … cada um tem seu tempo, seu momento, seu estilo, seu apego, nem por isso vamos ficar acumulando. Tive uma experiência parecida com a sua , a dez anos me separei e destralhei a casa, album de fotos, roupas, móveis e tudo mais, algumas coisas num rompante, outras não, mas, pra mim fez um bem tão grande que não gerou nenhum tipo de arrependimento … quero dizer com isso que concordo com voce na questão desse tempo, pra voce foi complicado ser radical e pra mim um alivio, cada um é cada um , e o tempo faz com que nos conheçamos melhor … excelente sua reflexão, abraços

  3. Lara 22/05/2015

    Adorei seu texto! Destralhar radicalmente requer um esforço tanto físico quanto mental. Mas acredito que seja um passo muito importante, não apenas para manter a casa organizada, mas também para fechar ciclos da vida que já passaram. Além disso, acredito que o fato de deixar apenas o essencial nos faz perceber quem realmente somos, muitas vezes vivemos uma vida que não condiz com nossos valores, e isso só é possível através de um “tratamento de choque”. Esse processo de autoconhecimento pode ser perigoso quando a pessoa não gosta do que vê, como voce mesma disse, mas só a partir disso se pode promover uma mudança de fato. Enfim, sou a favor do destralhamento aos poucos para utilizar no dia a dia, mas para operar uma grande mudança na vida é necessário fazer uma faxina geral.

  4. Ellen Rodrigues 22/05/2015

    Thais, o que mais me encanta nos seus textos, é essa singularidade que você tem, de reconhecer que cada pessoa pode adaptar um determinado ‘conhecimento’ -(princípio-prática) de acordo com a sua realidade e com sua própria personalidade.
    Eu admiro muito essa abordagem que você faz, porque quase tudo que leio em busca de um aprimoramento pessoal, acaba tendo um tom de imposição do tipo: “Faça assim ou faça assado, porque eu sei do que eu tô falando e funcionou comigo por isso vai funcionar com você também!!!!!” Hahahah
    Seria bom se existissem fórmulas, mas na prática não é assim, eu mesma sigo seu blog há anos, leio muito e vivo um constante processo de reformulação mesmo, tentando organizar a minha vida, e tenho obtido algum sucesso porque aprendi que você tem razão: É preciso entender que cada um precisa adaptar a organização à própria vida, e não o contrário. Amo o seu blog, e tô aqui contando os segundos porque meu marido está trazendo seu livro pra mim hoje, tenho certeza que vou amar o livro também.
    Obrigado por ser essa voz ponderada e cheia de compaixão em um mundo de vozes autoritárias.

  5. Bárbara 22/05/2015

    Uau, Thais! Que texto!!! Inspirador justamente por não nos falar o que devemos fazer!! É difícil a gente reconhecer nossa individualidade e respeitar a dos outros, cada um deve encontrar sua forma de lidar com a vida… por isso mesmo, sou fãzaça do seu blog! Sempre com sugestões e nunca com imposições de estilo de vida! Sensacional mesmo! Obrigada por mais uma reflexão maravilhosa!

  6. Paula 22/05/2015

    Ei Thais, foi bom ler esse texto hoje, como sempre. Estou enfrentando uma dificuldade com a minha mãe, pois sou casada e o apartamento dela está precisando de um destralhamento daqueles. O apê é muito grande e muitos cômodos sem uso, o que faz sobrar tralha pra todo lado, principalmente porque minha mãe não está dando conta de organizar a casa e tem juntado cada vez mais coisas fora do lugar. Estou ficando um pouco desesperada porque eu tenho muita dificuldade com bagunça, é uma coisa que me faz mal e me tira do eixo, e isso inclusive tem me deixado muito desanimada, a ponto de não querer ir no apartamento. Ao ler esse seu texto pude refletir que é preciso destralhar, e sou eu que vou ter que fazer isso, mas eu vou ter que ir com calma. Penso que terei que fazer um cômodo por vez, e consultando a minha mãe, sempre (mas pensa comigo, são 250 metros quadrados de apê, ufa!!!!). Acho que já te agradeci de outras vezes, agradeço de novo, seu trabalho é muito bom, você vai além de ensinar, você inspira e nos faz refletir. Te desejo uma vida abençoada e muito próspera. Um beijo

  7. Diego Lima 22/05/2015

    Excelente reflexão, Thais! Eu já fiz um destralhamento radical e não tive uma boa experiência também. Gostaria de ter ponderado mais e organizado melhor minha cabeça, ao invés de ir descartando tudo no calor do momento. Pra mim, funciona melhor processar aos poucos. Obrigado por compartilhar sua experiência!

  8. Vilma 22/05/2015

    Thais como você define destralhamento…Confesso que está sendo a parte mais difícil para mim,e não consigo imaginar em apenas um fim de semana fazer um destralhamento,por ex: na parte de papéis eu fui guardando por muitos anos,vou ter que revisar tudo e ver o que pode jogar fora isso é demorado.As vezes penso que tenho algum problema,mas eu vou vencer,eu até tento queria ficar livre mas não consigo fazer rápido quando se trata de jogar fora ou desfazer,fico pensado que posso precisar,que posso ter jogado e não olhado direito,já estou nesse processo desde março,preciso mesmo de ajuda.

  9. Amanda 22/05/2015

    Amei o comentário da Ellen Rodrigues porque reflete minha opinião também. Entrei nesse processo de destralhamento há uns 3 anos e ele está se tornando cada vez mais profundo…às vezes organizo um canto do armário e meses depois faço uma revisão daquele espaço e me dou conta de que estava guardando coisas que não têm utilidade mas que eu não consegui desapegar antes porque achava que poderia precisar ou por algum valor emocional. Por isso prefiro continuar destralhando assim, aos poucos, para que eu possa processar melhor cada decisão. Ando pensando muito naquele conceito de “ter a vida em uma mala” e mesmo que ainda não exista um plano definido de mudança a minha vontade é ter cada vez menos objetos porque isso faz eu me sentir mais leve. Mas como você mesma disse no texto, quem sou eu para julgar aquela pessoa que se orgulha de uma estante cheia e não abriria mão de sua coleção de discos, livros, enfeites e etc por nada no mundo? Isso é muito pessoal e deve ser respeitado. O que importa é a gente se conhecer e entender que o faz a gente ser feliz e funciona para nós pode não se aplicar ao outro da mesma forma.

  10. Jaqueline Lima 22/05/2015

    Oi Thais,
    Amo o seu blog… vc consegue ser muito inspiradora sem proselitismo e de forma prática e sensível. Até escrevi um post no meu blog em que cito os blogs que mais gosto e o seu é um deles.
    Bjão,
    Jaque
    http://www.verdemae.com

  11. Elaine 22/05/2015

    Oi, Thaís. Estou achando interessante essa ênfase que você tem dado a esse livro (já foram 2 posts que li) e fico pensando porque algumas pessoas dão tanta sorte no trabalho e outras tão competentes demoram mais para conseguir as coisas. Eu te acompanho a bastante tempo, amo seu blog. Amei seu livro e assim como você diz que faz com o livro do David Allen (está sempre relendo), eu faço com o seu. Pelo que você diz do livro dela também não concordo muito com esse radicalismo, mesmo porque é difícil ter tempo e energia para ser radical. Mas comecei a ficar curiosa em ler o livro dela devido os seus comentários. E é aí, que fico pensando que às vezes alguém é promovido só porque de certa forma é radical. Pra mim, quem deveria ser chamada de “guru da organização”é você. Você nos ensina como organizar de uma forma que não nos dá aquele sentimento de culpa: “poxa, eu tinha que terminar isso de uma vez!” Isso é muito legal! E motivador! Você é tão ponderada, tão próxima da gente, tão “real”, e não quero dizer que você não esteja fazendo sucesso, mas, pra mim, o seu livro é que deveria ser “best seller” internacional. Espero que um dia você chegue lá. Bjs.

  12. Hugo 22/05/2015

    Muito bom o texto, Thais!
    Acho que passei por uma fase parecida. Na época, perdi minha mãe e comecei a destralhar tudo. Talvez eu tenha descontado uma dor nos objetos, como se eles tivessem alguma culpa. Me livrei de muita coisa, sem pensar. Passar por algo que foge ao nosso controle parece que nos leva a tentar controlar mais ainda. Mas eu fiquei com uma dúvida: a Marie é radical apenas em relação a objetos, certo? Ou ela diz para manternos na nossa vida, em todos os aspectos, apenas o que nos faz feliz? Se ela diz isso, parece uma grande bobagem: amar significa, justamente, aceitar sofrer de bom grado.

  13. Thais 22/05/2015

    Olá Thais! Conheci seu blog há pouco tempo e estou gostando bastante de seus textos! Muito interessante e motivadores! Obrigada!

  14. Dalva 22/05/2015

    Thais, mais um para a lista de textos seus que mais amei.

    Minha experiência com destralhamento foi com roupas. Eu era uma compulsiva e comprava mta coisa pq achava bonito ou pq tava barato mas q nada tinha a ver comigo. Resultado: dois armários entulhados de coisas e eu usava as mesmas roupas sempre. Foi quando conheci a Ana (HVAOff) e me encantei com a proposta de consultoria de estilo. Eu realmente precisava me conhecer. No dia em que destralhei 10 (!!) sacolas de roupas q eu não usava pelos mais variados motivos eu fiquei em choque! Passei dois dias digerindo a qtde de dinheiro gasto mas depois foi um alívio ver minhas roupas cabendo com folga num único armário. Dali em diante eu passei a pensar melhor, me propus a arriscar mais looks com o que eu já tenho, investir em acessórios e por aí vai…

    Com relação à arrumação de casa, sofro com meu marido que quer guardar tudo q vê pela frente… às vezes dou a louca e saio jogando fora uma penca de coisa escondido (e q ele nunca sentiu a falta). Em outras, digo a ele q “é hoje” que ele vai arrumar a tralha… cansa bastante mas fazendo isso umas duas vezes por mês tenho conseguido manter a casa mais leve..

    bjos

  15. Nadine 23/05/2015

    Ai que alívio ver o seu posicionamento sobre esse livro!!!
    Eu o li, gostei muito por ter aberto minhas ideias pra pensar em coisas que eu ignorava,mas fiquei muito preocupada com o que esse livro ia passar para as outras pessoas. Pq tem muita gente que acha que tem q fazer tudo igualzinho lê nos livros e revistas, ai arruma tanto que acaba desarrumando mais que antes!
    Eu to num processo de destralhar tem uns 2 ou 3 anos, seu blog foi o que mais me ajudo até hj, aqui que eu aprendi a diferenciar o que era útil e o que eu queria q fosse útil, e as dicas de organização de tempo me ajudaram a enfrentar um início de depressão pra voltar no ritmo da faculdade. Acho que se não te acompanhasse teria muito mais DP’s ou teria desistido da faculdade.
    Por mim e por todos os outros, muito obrigada por ser sempre sincera e enxergar que todos somos dignos das tentavias que fazemos pra crescer.
    Bom fim de semana :*

  16. Anna 23/05/2015

    Aprendi a destralhar aos poucos. Na epoca em que eu emagreci dei 90% das minhas roupas ,todas de otima qualidade, na minha visão eu estaria me desapegando e ao mesmo tempo deixando para tras uma fase,me renovando. Como fiz tudo no calor da emoção até hoje desejo ter mandado apertar algumas,rsrs . Hoje quando eu vou destralhar eu separo as coisas e deixo fora da minha vista pelo menos 1 mes,depois reavalio e ai sim eu me desfaço das coisas.
    Bjs

    • Thais Godinho respondeu Anna 23/05/2015

      Exato, também tive esse sentimento quando passei pela mesma situação. Dava para ter mandado apertar um monte.

  17. Paula 23/05/2015

    Thais eu realmente acredito que cada um tem o seu tempo. Terminei um relacionamento com o pai do meu filho tem quase 10 anos, e guardava algumas coisas que era para o meu filho. E aos poucos fui jogando fora ou devolvendo, guardei apenas algumas fotos que seriam interessante meu filho ter, as cartas foram todas para o lixo sem dó! Mas rolou todo um processo, as mudanças de estilo que refletiram nas roupas a minha última saiona estampada está na sacola para ir embora!
    No meu mundo, acho que cada armário e gaveta tem seu tempo de desapego e faxina pesada. Tem que vir de dentro para fora e não de fora para dentro!

    beijos

  18. Bel 23/05/2015

    Ola Thaís. Sou psicologa e identifiquei no seu texto muitas coisas importantes e que sempre considero e discuto com um paciente que precisa encontrar um caminho de mudança… O autoconhecimento é imprescindível para desencadear mudanças. É só isso que vai nos permitir fazer as coisas no tempo certo. Na minha experiência fica claro o quanto a casa é parte de quem somos e se as coisas estão uma bagunça, mexer de fora pra dentro nem sempre resolve. Conhecer os motivos pelos quais as coisas ficaram desse jeito faz com que a pessoa possa organizar com significado. Uma tralha nunca é só tralha, não é mesmo? Parabéns mais uma vez pelo excelente trabalho aqui no blog e pela carreira bacana que vem construindo. Sou sua fã! Bjs

  19. Giovanna 24/05/2015

    Thaís, adorei o post…li o livro da Marie Kondo e algumas ideias dela são boas. No entanto, também sou a favor do destralhamento gradual. Por exemplo, eu guardei o material do meu mestrado por cinco anos embaixo da pia do banheiro. Todo ano, pensava em jogar todas aquelas fotocópias fora. Só agora, quando resolvi pensar em voltar a estudar (doutorado) é que tive coragem de jogar tudo fora porque entendi que não precisava mais daquilo. Um dia, quero ser como minha bisavó: ela jogou todas as fotos de pessoas que ela não tinha mais contato fora. Disse que as boas lembranças estavam na cabeça dela. Morreu aos 91 anos, lúcida, lembrando de todos os bons amigos que a cercaram.

    • Thais Godinho respondeu Giovanna 24/05/2015

      Obrigada por compartilhar suas duas histórias. Gostei muito.

  20. thais 24/05/2015

    Que lindo post, Thais!
    muito obrigada!

  21. fabiane 26/05/2015

    Oi Thais, tudo que vc falou se encaicha perfeitamente em minha vida, Vejo em suas palavras o quanto você nos trata como pessoas que cansam, que tem erros e tem seu tempo, pois nao somos maquinas, amo suas palavras, pois toca muito dentro das pessoas, nos faz reconhecer que temos nossos limites e se nao conseguirmos nao seremos taxados por isso, pois somos seres imperfeitos. Como sempre estou acompanhando seu blog. Beijos e sucesso e realizaçoes sempre pra vc.

    • Thais Godinho respondeu fabiane 26/05/2015

      Oi Fabiane,
      Olha, talvez seja realmente por isso que as pessoas se identifiquem comigo. Não sou perfeita e estou longe de ser, assim como estou longe de achar que TEMOS QUE ser… Sou a favor da vida real.
      Obrigada por comentar!

  22. Jess 28/05/2015

    simplesmente perfeito esse texto.
    Confesso que sou muito adepta do minimalismo, e tive meus momentos de ficar criticando as pessoas que acumulam, mas recentemente eu me mudei de casa e o plano era levar somente o mais necessário, porque não poderíamos levar tudo que tínhamos. No começo, achei que seria moleza, afinal eu já estava na vibe desapego, mas somente quando vi os móveis que eu tanto gostava indo embora, branquinhos e pintados a mão por eu mesma, que meu coração descobriu que nem todo desapego faz tão bem assim. Fiquei muito deprimida semanas e semanas depois desse desapego radical. Nem sabia exatamente porque, hoje eu sei.

    Tudo que temos carrega uma pouco de nós. E tudo que é brusco é mais difícil. Quando perdemos alguém que não esperávamos, a dor e a inconformidade são muito maiores, porque é abrupto e não estamos preparados para aquilo. Agora quando uma pessoa que amamos se vai, no tempo que era dela, e estamos preparados para isso, até sentimos um pouco, mas em uma relação diferente. Acho que é mais ou menos por ai.

    Por isso eu sou contra essas idéias de que as coisas precisam ser impostas.
    Concordo com a colega em cima sobre estarmos em uma mundo de vozes autoritárias, precisamos de mais compreensão e respeito com o próximo.

  23. Dani 29/05/2015

    Oi, Thais, já faz um tempo que acompanho seu blog, mas nunca comentei. Amo ler o que você escreve, é demais! Admiro esse seu jeito equilibrado de entender que cada um é cada um!

  24. Anne 13/08/2015

    Olha, Thais, eu li o livro da Marie Kondo e li o seu. Vou ser franca: o seu mudou a minha vida; o da Marie mudou o meu armário. É sério, aprendi a arrumar as minhas roupas com a Marie, mas com você eu aprendi a traçar planos de curto, médio e longo prazo e correr atrás dos meus sonhos, todos os dias. Sou muito grata a você. Continue firme!

  25. Fernanda 28/12/2015

    Oi Thaís!
    Iniciei neste fim de semana o destralhamento da Marie, pensando que em dois dias conseguiria fazer tudo. Demorei 5 horas para juntar todas as roupas e decidir o que fazer com cada uma. Consegui, fiquei somente com as roupas que me fazem felizes (cerca de 1/3 do total) e realmente percebi que fiquei com roupas suficientes para mim.
    Porém, quando terminei de guardar tudo, dobrado como ela indica, percebi que eu estava MUITO cansada. Cansada fisicamente, com dores nas costas, nas pernas, nos ombros; e cansada mentalmente, pois o exercício me fez pensar em muitas coisas – cada roupa que eu pensava se a queria comigo trazia um sentimento bom ou ruim do passado, de situações, de pessoas, que me deixaram muito carregada.
    Resultado: não consegui nem iniciar o destralhamento dos livros. Pensei que eu tinha fracassado, mas como estou em processo de autoconhecimento, percebi que tenho que respeitar o que eu sinto, e aquela era a hora de pausar.
    Lendo este texto por meio da retrospectiva 2015, percebi que fiz o correto, respeitando meu ritmo, minha história, evitando tomar decisões precipitadas.
    Obrigada por mais uma vez ser luz na minha vida.

    • Thais Godinho respondeu Fernanda 28/12/2015

      Obrigada por compartilhar.

  26. Simony 09/01/2016

    Concordo com seu artigo. Li o livro agora mas já estou em um processo de descartar o que não uso, ter menos e comprar apenas o necessário e o que dure mais (qualidade X quantidade), enfim, um processo. O livro me causou um certo desconforto porque minha tomada de decisões é mais lenta. O livro nos faz pensar que será em vão se for feito devagar e não concordo. Algumas coisas precisam ser pensadas e mudam de valor. Obrigada pela matéria interessante.

  27. Patricia 11/01/2016

    Ótima reflexão a respeito do método Kondo e do famoso trecho de Clarice Lispector.
    Em tempos de descarte e consumismo extremo,descobrir e ponderar sobre o que nos sustenta, é indispensável. Sustentabilidade, rima com equílibrio, temperança e saúde física e mental
    A sanidade emocional se constrói com um certo balanço de forças: o antigo, o novo, o feio e o belo, o alegre e o triste, o amargo e o doce.

  28. […] Reflexões sobre o destralhamento radical da Marie Kondo […]

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  30. […] tem uma coisa que eu concordo com a Marie Kondo, é com a sua recomendação para destralhar por categorias. Como funciona isso? Significa que, se […]

  31. Claudia Oliveira 28/02/2016

    Thaís, amei esse post! Aliás, todos os seus textos são excelentes! Estou me organizando aos poucos, mas num processo contínuo. Li o livro da Marie Kondo e fiquei meio incomodada com o método dela. Dá uma sacudida na gente? Dá. Mas o jeito radical com que ela trata o destralhamento e ter de fazer tudo de uma vez, me deu a impressão de que acabaria me arrependendo de ter me desfeito de alguma coisa de forma precipitada. Quero ter menos coisas em casa para que a vida e todas as rotinas fiquem muito mais práticas. Assim, eu e minha família teremos uma vida com mais qualidade e mais tempo livre para nosso convívio, a prática de esportes, o desenvolvimento pessoal, lazer, passeios, enfim. Estou doando revistas, livros, cds, dvds, todo tipo de roupas e acessórios, digitalizando documentos importantes e fotos. Aliás, as fotos são um capítulo à parte. Vou reorganizar em álbuns as melhores fotos e me desfazer do excesso.
    Quero ter em casa só as coisas que usamos realmente.
    Parabéns! Seu texto era o estímulo que faltava para eu continuar nessa filtragem e na reorganização geral da minha casa com muito mais ânimo! É o ponto de equilíbrio entre o radicalismo e o bom senso.
    Beijos e obrigada!
    Muito sucesso na sua vida!

  32. […] Reflexões sobre o destralhamento radical da Marie Kondo, Thais Godinho no Vida Organizada […]

  33. […] mantenha em casa apenas aquilo que você ama. Aqui no blog você já deve ter lido isso. A Marie Kondo diz para você amar as suas meias, então isso deve ser correto. E sim, amar as coisas no sentido […]

  34. […] roupa fica maravilhosa em mim? Isso tem até um pouco a ver com o conceito da Marie Kondo de se perguntar se aquela peça de roupa te traz alegria. Na verdade, se uma peça fica maravilhosa […]

  35. Estela 31/08/2016

    Olá. Muito bom teu site e tuas dicas. Como virginiana, sou adoradora da organização!
    Porém, tenho empurrado a arrumação de um quarto por anos! Lá tenho desde documentos velhos, que podem ser descartados, até os primeiros desenhos da minha filha. E é aí que o bicho pega. Já tentei digitalizar e jogar o papel fora, mas me senti mal. Tenho as agendas da escolinha (comeu, não comeu, fez xixi, cocô, brincou, brigou, dormiu etc). Só de pensar em me desfazer dói. Detalhe (não ria! ah, pode rir sim): ela vai fazer 20 anos mês que vem! São 2 décadas juntando coisas. Tem alguma técnica pra desapegar deste “material emocional”? Agradeço se tiver alguma orientação!

    • Thais Godinho respondeu Estela 01/09/2016

      Estela, eu recomendo você trabalhar com alguma profissional em termos de terapia. No geral, quando lidamos com objetos dessa maneira, um trabalho assim só nos faz bem. Um organizador profissional pode ser até agressivo com você porque o trabalho dele será destralhar, essencialmente. Se você não consegue se desfazer, envolve outras questões.
      Boa sorte. 🙂

      • Estela respondeu Thais Godinho 02/09/2016

        Obrigada, Thais! Acho que é necessário ajuda, sim! Bom trabalho pra ti! Abraço!

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