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Há cerca de nove anos, eu li o livro do GTD pela primeira vez. GTD, para quem está chegando agora no blog e não conhece, é uma metodologia de produtividade criada pelo David Allen, que eu utilizo há muitos anos. (Clique aqui para entender do que se trata)

Da primeira leitura para cá, praticamente tudo mudou na minha vida e, grande parte dela, por causa do método GTD. Eu li e reli esse livro tantas vezes que já perdi a conta. Depois que me tornei instrutora da metodologia, então, venho estudando o livro de maneira muito mais intensa, com o objetivo de entender a metodologia de forma profunda para ensinar de forma cada vez melhor às pessoas interessadas em aprendê-la.

No dia 17 de março de 2015, foi lançada uma nova versão do livro. O David reescreveu o livro inteiro, completamente. Não quis ler tão rápido porque quis aproveitar para re-implementar todo o meu sistema do zero, como se fosse a primeira vez, porque assim eu (penso que) absorveria melhor todos os novos ensinamentos.

Por já ter lido o livro, participado de alguns webinars com o próprio David Allen e ter lido alguns comentários pela Internet sobre a nova edição, eu achei que seria legal escrever uma resenha com a minha visão sobre a nova edição, o que tem de novo, o que tem de diferente, e assim tirar as principais dúvidas de quem ainda não teve a oportunidade de ler.

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É um livro novo? A metodologia é a mesma?

Sim, é um livro novo, mas a metodologia é a mesma. O David simplesmente reescreveu todo o livro original que dá origem ao método (publicado no Brasil pela Ed. Campus com o título “A arte de fazer acontecer”). A metodologia não mudou.

O que acontece é que, quando o David escreveu a primeira versão do livro, ele quis colocar toda informação possível lá. Isso fez do livro do GTD um livro com uma quantidade enorme de informação que, muitas vezes, para quem está começando, é desnecessária. Muitas pessoas me falam que têm dificuldade em aplicar o GTD apenas lendo o livro, e que então buscaram cursos ou artigos pela Internet para ajudar na implementação. Sabendo dessa dificuldade, ele reescreveu o novo livro deixando a leitura muito mais simples e fluida, facilitando a vida de todo mundo.

Já tem versão em português?

Não. O livro foi lançado em março deste ano e a tradução já está sendo feita pela editora brasileira, mas esse é um processo que leva tempo. Não tenho a previsão para a publicação em português, mas eu chuto que eles devam publicar entre o segundo semestre de 2015 e o primeiro de 2016. Lançado pela editora Sextante em 8 de outubro de 2015.

Onde comprar o livro importado?

Tanto a Amazon quanto a Livraria Cultura importam a versão física do livro (leva umas seis semanas para chegar), mas a maneira mais fácil é comprar e ler a versão digital, tanto para Kindle quanto para Kobo. Vale lembrar que não é necessário ter os e-readers para ler – basta baixar o programa gratuito nos sites da Amazon e da Livraria Cultura ou na loja de apps do seu celular/tablet.

Não tenho como ler o livro novo agora. Posso ler o livro antigo e ainda aprender GTD?

Claro que pode! Como eu disse, a metodologia é a mesma. É claro que, se você puder ler o novo em inglês, sugiro que já leia a versão nova.

O que mudou nesse novo livro?

Algumas mudanças na própria nomenclatura de alguns termos do GTD já vinham sendo implementadas pelo David nos seus últimos livros e materiais publicados, como o nome dos cinco passos e os termos de horizontes de foco. Essas mudanças então foram transpostas para o novo livro, seguindo a coerência do seu trabalho.

Os cinco passos deixaram de se chamar coletar, processar, organizar, revisar e executar e agora se chamam capturar, esclarecer, organizar, refletir e engajar. O sentido é o mesmo, mas menos mecânico e operacional e mais intelectual.

Um ponto que me chamou muito a atenção foi como o livro foi escrito para todos, da dona de casa ao CEO da empresa multinacional. A versão original era muito focada no ambiente corporativo e dava a impressão de que o GTD não era para todo mundo.

A fluidez do novo livro é impressionante, tornando a leitura muito mais leve para quem está acessando a metodologia pela primeira vez. Você também sente o David bastante confiante sobre tudo o que ele fala – afinal, foram mais de 15 anos desde o lançamento do livro original e muita coisa aconteceu com ele de lá para cá, em termos de experiência de trabalho com o método no mundo.

Existem alguns capítulos novos, como um sobre GTD e as ciências cognitivas (fantástico) e um sobre como alcançar a maestria no GTD. Eu também senti que todos os capítulos já existentes tiveram um up bem legal. O capítulo sobre projetos está fantástico e dá muito mais ênfase ao planejamento natural de um projeto, que muitas vezes acabava passando batido antes frente a tantas informações.

No livro original, muitas vezes o David citava artigos de tecnologia como palm tops. A tecnologia muda muito rápido e o GTD é uma metodologia que independe de dispositivos, softwares e aplicativos, então ele procurou deixar isso bem claro no novo livro, mantendo a metodologia desassociada de tais tecnologias temporais. A metodologia é atemporal.

O que o livro não tem

Guias para implementação da metodologia em programas ou ferramentas específicas. O David tem o grande cuidado de mostrar que a metodologia é independente de qualquer tipo de tecnologia e que a pessoa que a aprende pode implementar em qualquer lugar. Não adianta fazer um guia com ferramentas se daqui a uma semana vão lançar uma versão mais nova e atualizada e o livro vai ficar desatualizado. O novo livro foi escrito para ser atemporal.

Quem quiser guias para aplicação, pode conseguir no próprio site da David Allen Company e nas centenas de opções publicadas por fãs do GTD na Internet. 🙂

Essa é a minha resenha do novo livro e eu espero que possa ter tirado as principais dúvidas a respeito. Caso eu não tenha falado sobre algum aspecto em específico que você tenha curiosidade, por favor, poste nos comentários. Obrigada!

Thais Godinho
17/05/2015
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  1. Luane 18/05/2015

    Show! Sempre quis ler esse livro, vou aproveitar a versão nova. Ótima resenha, Thais 🙂

  2. Jéssica 18/05/2015

    Vc tem muita razão sobre a parte dos projetos. Não sei como e porquê, mas eu simplesmente passei batido na primeira leitura. Nesta, ele enfatiza de forma muito boa que estamos SEMPRE engajados em algum projeto – e controlá-los, visualizá-los é essencial!

  3. Ariadne 18/05/2015

    Obrigada pela resenha! Me animei para ler a nova edição!

  4. thais 18/05/2015

    Não conhecia o livro e achei bem interessante a sugestão da leitura! 🙂

  5. Jess 18/05/2015

    massa! com certeza vou querer ler 🙂
    sabe que a única coisa que eu ainda tenho dificuldade é lidar com a parte de projetos. Quer dizer, eu tenho clareza da diferença entre projetos x ações e trabalho com a criação de projetos, porém sempre acho que dá para administrar dentro das áreas de responsabilidade sabe? acho que nem é uma dúvida do gtd, mas da ferramenta que eu uso (evernote).

    Enfim, acho que talvez a leitura do livo me elucide essa parte 🙂

    • Thais Godinho respondeu Jess 18/05/2015

      Acho que é muito importante que as áreas de foco tenham projetos relacionados, especialmente as áreas que temos algum tipo de deficiência ou precisamos dar mais atenção.

  6. José Ronaldo 18/05/2015

    Olá Thais. Lendo sua resenha, parece que me desmotivei para ler o livro original. (apesar de vc dizer que pode ler sim!) Sei lá, comprei há uns meses e ainda não consegui começar a lê-lo. Você tem alguma dica para a implementação da metodogia, assim, enquanto vai lendo? Dá pra aprender fazendo? Ou é melhor ler tudo de uma vez antes? Eu já li e já armazenei seu guia definitivo para o evernote, mas sem o livro, ainda não me animei a fazer mais do que coletar… e assim mesmo parando sempre que me deparo com algumas coisas do tipo etiquetar, e talz, Enfim.. .muitas dúvidas… mas o foco principal é: consigo ler o livro e ” ir implementando” ???
    Desculpe a confusão e obrigado sempre!!

    • Thais Godinho respondeu José Ronaldo 18/05/2015

      Eu leria e iria implementando à medida que ele fosse ensinando as coisas. Mesmo!

    • Tiago respondeu José Ronaldo 15/10/2015

      José Ronaldo, vou me meter e responder também. Quando conheci o método, estava tão atarefado que preferi assimilar por partes e por outras fontes, já que não tinha o livro ainda e morava “no interior do interior”, trabalhando em uma mineradora na Serra Pelada. David Allen já falou em várias entrevistas que o GTD é um conjunto organizado das melhores práticas sobre o assunto. Qualquer técnica, se corretamente aplicada, influenciará tua produtividade, acredita! Sempre coletei: Caderninho de notas, post-its, documentos no Word, agendas, favoritos no Delicious.com – hoje uso Diigo.com – palma da mão, braço, papel de rascunho… Era um monte de notas, notinhas, notões. Enquanto buscava maneiras de organizar tantas “tralhas”, encontrei o GTD. Aprendi a simplificar a caixa de coleta, entendi a diferença entre passível e não passível de ação e usei a regra dos 2 minutos. Muito tempo depois, comprei o livro, li e resumi num Google Doc a primeira parte, reforcei o que já sabia e absorvi o jeito GTD de entender projetos. Quase esqueci: Por causa de Franklin Covey, já tinha claro as Áreas de Responsabilidade. Perceba que o conhecimento foi se incrementando, uma técnica se valendo da outra. Tudo sem haver terminado o livro. Com a vida um pouca mais nas rédeas, li o resto e o faço desde então, relendo trechos ou capítulos inteiros. Busco outras perspectivas – e a Thais fez um excelente trabalho de divulgação no blog – e me aprofundo a cada dia, tratando o GTD como arte. Só agora, depois de uns 4 anos, é que estou vislumbrando os Horizontes de e 40 e 50 mil pés. Resumindo: Faça do jeito que achar melhor. Preferencialmente, do jeito que for mais simples. Ler aos poucos e aplicar, como já sugerido por Thais; ainda ler e aplicar técnicas a partir de outras fontes ou ler tudo e aplicar o que entendeu. Todas as formas serão válidas.

  7. Adriana Moreira 18/05/2015

    Thais,

    Eu acabo de comprar o livro antigo, versão em português. Não falo inglês e não seria fácil ler desta forma. Estou me preparando ansiosa para ler e colocar em prática todas as orientações do Allen que eu preciso para dinamizar a minha vida.

    Obrigada, Thais! Eu aprendi e aprendo muitas coisas desde que conheci o seu blog!
    Abração,
    Drica.

    • Thais Godinho respondeu Adriana Moreira 18/05/2015

      Obrigada, Drica. Pode ficar à vontade para vir aqui tirar dúvidas sobre o GTD, se tiver ao ler o livro.

  8. Sibelle 18/05/2015

    Como não li o livro antigo … irei aguardar a publicação do novo livro em Português… Era um pouco desanimador os comentários sobre o livro antigo… Fiquei mais empolgada pra ler com este resenha!

  9. Daniel 19/05/2015

    HELP. Bom dia Thais. Estou lendo a série de posts sobre o guia definitivo para o Evernote. Porém a parte 4 há uma mensagem que a página foi excluída. Será que estou errando o caminho para acessar ? HELP. A ansiedade vai me corroer rsrs

    • Thais Godinho respondeu Daniel 19/05/2015

      Qual o link, exatamente? O blog teve um problema no servidor e mudou a url de alguns posts, mas procurando na busca você o encontra…. não foi excluído. 🙂

      • Daniel respondeu Thais Godinho 19/05/2015

        uffa.. econtrei ! Por um momento vi meus sonhos de uma vida organizada se escorrerem pelos dedos ! rsrs Muito obrigado. Alguém já disse hoje que você tem feito a diferença na vida de muitos ? Pois tem ! Abs

  10. Roberta 20/05/2015

    Oi Thais, eu ja tentei implementar o GTD antes mas acabei desrepeitando uma regra vital: a de nao voltar nada para o inbox. Li essa nova versao do livro e entendi meu erro. Dessa vez estou tentando fazer melhor e utilizando o wunderlist como ferramenta. Ainda nao sinto que estou 100% (estou tendo problemas com projetos e current actions), mas gostei muito dessa versao do livro, pretendo ler mais vezes. Agora que voce implementou do zero, continuou usando o Toodledo?

  11. Hugo 21/05/2015

    Thais,

    Às vezes me pego estressado porque parece que preciso colocar tarefas a todo minuto na minha caixa de entrada. É uma sensação de que mal posso pensar, que já aparece uma nova tarefa para incluir ali. Tudo é uma tarefa para registrar. O que o GTD oferece para evitar isso? Ou o que posso fazer para contornar esse problema? Obrigado!

    • Thais Godinho respondeu Hugo 22/05/2015

      Hugo, o David recomendas que vc realmente anote tudo o que chama a sua atenção mentalmente. Na hora de processar, vc vai ver se vai usar aquilo ou não. Eu muitas vezes descarto coisas que coletei.

      • Hugo respondeu Thais Godinho 22/05/2015

        Obrigado, Thais!
        Comecei a ler o novo livro dele e, realmente, está bem legal!

    • Tiago respondeu Hugo 16/10/2015

      Hugo, vai melhorar se mudar o paradigma tradicional sobre anotações: “Anotei, virou compromisso.” Não! No GTD, você anota para tirar da cabeça. Depois, ao esclarecer, decide se cada nota é passível ou não de ação. Siga o diagrama de fluxo do GTD que não tem erro! O objetivo é exatamente esvaziar a mente. Se anotar for cansativo, experimente gravar a voz no celular. Cada gravação é uma “tralha” a ser esclarecida/processada mais tarde. Eu uso o gravador do Evernote no celular porque é prático e sincroniza com outros aparelhos. Boas coletas! (E sempre revise)

  12. Ana 29/09/2015

    Thais, descobri seu site recentemente e estou adorando. Estou começando a aplicar o método GTD e suas dicas têm ajudado bastante. Aliás, a versão em português da nova versão do livro será lançada no início de outubro. Algumas livrarias já estão com pré-venda aberta. Eu já encomendei o meu! 🙂

  13. […] Você pode conferir a resenha que fiz falando sobre as principais diferenças entre a versão anterior e esta clicando aqui. […]

  14. […] Você pode conferir a resenha que fiz falando sobre as principais diferenças entre a versão anterior e esta clicando aqui. […]

  15. […] do projeto se baseia no Modelo de Planejamento Natural que o David destrincha no capítulo 3 do livro do GTD (“A arte de fazer acontecer”). Mas não é nada mais complicado do que criar uma lista com todas as etapas do projeto. Algo […]