ou

É muito comum, quando falamos sobre simplicidade voluntária, associar ao conceito minimalista de ter menos coisas. Muitas pessoas chegam até mesmo a dizer que não conseguem simplificar a vida porque não se imaginam vivendo em uma casa vazia, porque gostam das coisas… mas epa, peraí! Quem disse que ser minimalista significa ter poucas coisas?

Ser minimalista significa ter o mínimo necessário para viver bem. Isso varia de pessoa para pessoa.

Outro ponto é que nem todo mundo que busca simplificar a vida precisa necessariamente ser minimalista, apesar de uma coisa estar sim ligada à outra, pelo menos conceitualmente. Afinal, se queremos simplificar, para que vamos complicar tendo coisas além do que precisamos? É mais coisa para limpar, cuidar, guardar, ocupar espaço.

Penso que, por fim, trata-se mais de pensar sobre as coisas que temos. Falo muito aqui no blog que não é possível organizar tralha, justamente porque não adianta organizarmos tudo o que temos dentro de caixas se ali dentro tem objetos que não usamos, embalagens vazias, papéis que deveriam ter ido para o lixo etc. Faz parte do processo de organização essa seleção do que será guardado também. Se não, isso não é organização, é arrumação.

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Thoreau disse que se sentia orgulhoso por todas as coisas dele caberem em um único carrinho de mão. Se pararmos para pensar, precisaaar mesmo, só precisamos de poucas coisas. Porém, amplie esse círculo. Há outras coisas que também precisamos. Sim, em teoria, precisamos apenas de um copo em casa, que podemos ir lavando e usando, lavando e usando. Mas isso é confortável para nós? Não. Qual o nosso limite? Aí é que está. Cada um tem o seu. Então o que cada um tem que pensar é: quantos copos eu preciso ter na minha casa? Pode ser que você more sozinho e só precise de um mesmo, ou de quatro, caso receba visitas. Ou talvez você more em uma casa com uma família de 10 pessoas e precise de muitos copos. Ou talvez more apenas com seu companheiro ou companheira mas receba sempre muitos amigos em casa, então precisa de mais. Dei o exemplo do copo porque é o mais simples possível, mas a ideia é ampliar para toda a casa.

Por exemplo, você adora caderninhos. Mesmo amando muito esses objetos adoráveis, no geral, acaba usando um depois do outro, certo? Usa um até acabar e só depois usa o segundo. Então para que manter um estoque com cinco ou seis caderninhos em branco em casa? Não é mais fácil comprar um novo somente quando terminar de preencher um inteiro?

São apenas questionamentos. O mesmo vale para roupas, sapatos, pratos, panelas, computadores.

E aí a gente cai na questão das coleções também. Coleção não é utilidade, mas apreciação. É um hobby. Se você tem uma coleção que gosta muito, é óbvio que se desfazer dela deixará você um pouco infeliz. Ninguém está pedindo para você ter uma casa vazia, sem nada que represente as memórias da sua vida. Não. A ideia é apenas que você repense o que você vem guardando, para avaliar se tem mesmo sentido guardar tudo isso.

Portanto, quando se deparar com algum objeto na sua casa, pergunte-se sempre:

  • Eu uso esse objeto?
  • Em que situações?
  • Há quanto tempo eu usei pela última vez?
  • Pretendo usar no próximo ano, em algum momento?
  • Eu amo esse objeto?
  • Eu abro um sorriso toda vez que olho para ele?
  • Alguém da minha família usa ou gosta muito desse objeto?
  • O espaço que esse objeto ocupa na minha casa vale a pena?

Mesmo que você fique em dúvida com uma série deles e acabe guardando a maioria, você conseguirá selecionar algumas coisas que não se enquadram nas perguntas acima. Aí você pode vender, doar, dar de presente, reciclar, reutilizar ou até mesmo jogar no lixo. Fazendo essa análise de tempos em tempos, você vai fazendo uma curadoria do que precisa ficar na sua casa com o passar dos anos.

Fecho o post com uma frase da Danuza Leão que gosto muito, e que tem tudo a ver com o post: “Passei metade da minha vida usando meu dinheiro para acumular coisas, e agora passo a outra metade me desfazendo delas”. Reflita!

Thais Godinho
17/01/2015
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  1. Liab 17/01/2015

    Venho montando um “guarda-roupa funcional” desde o início do ano passado comprando peças que combinem entre si. Parei pra analisar que tipos de roupas eu mais usava (estilo, tecido, cor) fiz uma lista de tudo que eu precisava e depois uma lista de características que toda roupa que eu comprar deve seguir (ter três formas de combiná-la com outras peças que já tenho por exemplo). Isso me ajuda muito a não comprar nada por impulso e meu objetivo é chegar ao ponto de não precisar comprar nenhuma roupa por uns três anos pelo menos, depois que tiver tudo da lista (que não é grande).
    Fiz listas parecidas pra todas as outras categorias de objetos e já faz algum tempo que não compro coisas que acabo não usando. Analisei minhas listas de compras e no ano passado inteiro só fiz uma compra ruim (um cosmético que não gostei). O mais complicado pra mim são os livros porque todo dia aparece um novo que quero ler, mas decidi manter em casa apenas os que gostei, mas não vejo a necessidade de me desfazer de todos mesmo que não os pegue pra ler com tanta frequência.

  2. Marina 17/01/2015

    Thais, esse post foi assertivo do inicio ao fim! Parabéns por explicar um tema que causa polemica entre os minimalistas! Você já virou uma guru no assunto pra mim, sério. haha
    E essa frase final é perfeita, uma conhecida do meu pai, toda vez que ia viajar trazia enfeites, souvenirs etc pra casa dela… e ela viaja muito! um belo dia ela jogou tudo fora! Lembrança essencialmente a gente guarda na memória ne?

  3. Helen Fernanda 17/01/2015

    Ótimo artigo! Sempre escrevo sobre esse assunto no meu blog porque as pessoas realmente têm dificuldade para entender qual é o real sentido de minimalismo e simplicidade. Pensei que você ia estragar tudo citando a Danuza Leão no final, mas quando li a frase entendi tudo: se até uma pessoa desinteligente, egoísta e má como a Danuza já descobriu isso, não precisamos demorar tanto quanto ela para descobrir. kkk

  4. Michele 17/01/2015

    Oi Thais!!
    Que post ótimo, essa frase da Danusa Leão representa bem o meu pensamento dos últimos dias.. Já faz algum tempo que venho me desfazendo das coisas, e geralmente no começo do ano retomo. Essa semana refleti como acumulei coisas entre 2007-2012, pelo menos não foi metade da minha vida ahhaha. Além do acúmulo de objetos teve o gasto de dinheiro que poderia ter utilizado para outras coisas. Esse ano a decisão é que nada entra em casa, apenas sai!

  5. Maria Carolina Avellar 17/01/2015

    Estou há anos aprimorando este processo, então ler a respeito facilita e inspira neste sentido. Obrigada por mais este bom texto!

  6. beth salvia 17/01/2015

    Thais acabei de postar exatamente sobre o que aprendi aqui, destralhar (levei mais de dois meses no final de 2014 e nessa semana ainda tirei as ultimas) e me perguntava porque mesmo combatendo esse vício de acumulação, ainda tenho tanto pra destralhar ? Ai encontro também a resposta em seu blog: minimalizar é a resposta, descobri que sou (mas não estou mais) consumista. Se compramos o desnecessário, claro que isso se tornará tralhas futuramente, amo seu blog, ele vem mudando em muito a minha vida pessoal. Obrigada, bjus

  7. Wanice Bon'ávígo 17/01/2015

    Excelente!!! Hoje meu dia foi de desapego: de vidros (cozinha) e revistas…apego visceral…foi!!!
    Vou compartilhar esse post no armazém da energia. Thais, ficou muito, muito bom! Bjks

  8. jacqueline 17/01/2015

    Oie Thais
    tenho tentado, e muito, manter um estilo minimalista em minha casa. Já coloquei como meta em 2015, tirar caixas de cima do guarda roupas, organizar papéis de contas, e procurar doar as roupas das crianças que ficam acumuladas em sacos dentro do guarda-roupa.
    Tem sido difícil manter tudo organizado, pois sempre me pego pensando que só vou arrumar tudo do jeito que eu quero, quando eu tiver minha casa própria. Mas não dá mais para adiar. Eu tenho tantos bagulhos, que várias caixas minhas ficaram na casa da minha mãe, e eu preciso urgente desocupar a casa dela rs
    bjos

  9. Carol 18/01/2015

    Excelente post, Thais! É um exercício contínuo, mas vale a pena fazer. Estou nesse processo há uns 2 anos e pouco a pouco vou me desfazendo das coisas que percebo que podem ser úteis a outros e que eu não preciso ter comigo para guardar a lembrança. 🙂
    Beijos

  10. jaque 18/01/2015

    Thais, quando foi que você veio aqui na minha casa, abriu meu armário e viu os caderninhos em branco??? Kkkk Adoro quando você dá exemplos que a gente facilmente se encaixa. Nos faz refletir muito mais. Também adorei a frase da Danusa. Por causa do seu blog diminui muito a quantidade de coisas que compro. O planeta e a minha conta bancária agradecem. Destravar ainda não é meu ponto forte, mas chego lá. Muito obrigada, sempre. Beijos

  11. Ana Yuan 18/01/2015

    Otimo texto para refletir, vivemos adquirindo tantas e tantas coisas e não paramos para pensar que precisamos de muito pouco para ser feliz e organizado,,rsss parabens
    http://www.antestardedoquenunca1.blogspot.com

  12. Rosana 19/01/2015

    Excelente post, Thaís.
    Muitas vezes temos muitas coisas por hábito ou pelo marketing agressivo do capitalismo, que cria “necessidades” a todo tempo.

    Eu gosto muito dessa frase:
    “O homem rico não é aquele que tem tudo, mas o que desfruta tudo o que tem.”
    Benjamin Franklin

    Quem quiser conhecer meu blog:
    http://simplicidadeeharmonia.blogspot.com.br/

    Boa semana à todos!

  13. Elis 19/01/2015

    Thaís.

    Obrigado pelos seus textos tão útéis, para uma pessoa como eu que está tentando se organizar. Exemplos simples e eficazes. Já me tornei sua fâ e final deste ano já comecei a dar uma destinação ao que não utilizo mais.

  14. Amanda Almeida 20/01/2015

    Oi Thais, tudo bem?
    Gostei de mais do post, e aos poucos estou praticando o desapego, em especial pelas coisas estacionadas na minha casa e que eu não uso.
    Abraços,
    Amanda Almeida

  15. Gabriela 24/01/2015

    Como gostaria de ter menos apego aos objetos, sofro muito com isso. Ainda guardo o meu primeiro celular….. Coisa de gente louca! Estou trabalhando para melhorar isso! Quando leio os seus post sobre o assunto e os comentários, me sinto uma verdadeira tralha!! Um super beijo.

    • Thais Godinho respondeu Gabriela 24/01/2015

      Gabriela, obrigada por comentar. Não se sinta assim! A gente não fica “desorganizado”da noite para o dia nem se organiza em tão pouco tempo. Também não existe um ideal de organização – é importante a gente ir incorporando alguns hábitos que facilitem a nossa vida. Espero que o blog te ajude nisso. Abs.

  16. CamilaP 29/07/2015

    Thais,
    Já li e preciso ler mil vezes esses posts sobre redução e dar valor ao que realmente importo.
    Foi com vc que eu descobri o minimalismo e não paro de aprender.
    Simplificar é preciso!

  17. Patricia 15/08/2015

    Nossa, que blog maravilhoso! Estou amando tudo por aqui.
    Beijao!

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