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No começo deste ano, eu escrevi um post chamado Para 2014, que reli recentemente. Eu estava tão calma e centrada naquele post! Acho que fui profunda em diversos aspectos e acredito que isso se deve ao aprofundamento que comecei a fazer no Budismo alguns meses antes. Gostei do que reli e fiquei pensando em como escrever um post sobre o então ano que passou, depois de tantos acontecimentos. Decidi agradecer por todas as conquistas e aprendizados que eu tive na minha vida e dos meus este ano. 2014 foi “o ano da virada”, por assim dizer, e acredito que ele tenha sido um dos anos mais importantes da minha vida. Vocês devem ter notado que eu estou meio quietinha este mês aqui no blog. Foi intencional! Estou bem introspectiva e respirando um pouco após esse ano cheio de coisas que agora está acabando. Muitas novidades virão a partir de janeiro, então estava sentindo necessidade de descansar a mente, principalmente, o que venho conseguindo fazer (ainda bem!). Todo final de ano eu fico assim. Deve ser uma tradição minha mesmo.

Aconteceu tanta coisa este ano que eu comecei janeiro em um apartamento novo e estudando para concurso público, minha meta original. Nós estávamos morando em Campinas e, a fim de simplificar, resolvemos mudar para um apartamento menor, em prédio pequeno, sem condomínio cheio de coisas que ninguém usava. O prédio era calmo e silencioso. O apartamento, apesar de ter dois quartos (o anterior tinha três), tinha a metragem maior, o que gerava um espaço – respiro – maior. A cozinha era grande, daquelas quadradas, e achamos que conseguiríamos resgatar muito da vida simples que queríamos ter. Como estávamos morando longe da nossa família, ficávamos muito juntos, em casa, então queríamos um espaço mais aconchegante para morarmos. A decisão de mudar, hoje, eu vejo que foi precipitada. Porém, na época, eu não esperava por mudanças. Não sabia o que viria dali a alguns meses. Todo aprendizado faz parte.

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Há cerca de dois anos eu vinha estudando para um concurso público, que ainda acho que é a melhor alternativa para quem não quer empreender como meio principal de ganhos financeiros aqui no Brasil. Aquilo era certeza para mim: tinha um emprego estável, pagava nossas contas, estava estudando e esperava passar em alguns anos no concurso que eu queria. Com isso, teríamos estabilidade e poderíamos focar em abrir um próprio negócio – talvez algo ligado a gastronomia, já que meu marido está fazendo faculdade na área. A vida estava encaminhada, mas não estava correta.

Com o tempo, fui percebendo que algumas coisas a gente consegue abafar, outras não. Li outro dia uma frase do Stephen Covey que define perfeitamente o que eu quero dizer, que é a seguinte: “Você só consegue dizer NÃO quando tem um grande SIM dentro de você”. Esse SIM estava aqui dentro, guardado, incerto. Eu tinha uma profunda insegurança sobre a coisa de “viver de blog” porque tenho uma família para sustentar. Não era tão fácil. Não tenho um “backup”. Meu marido é autônomo. Tomar a decisão com base em uma alternativa incerta era difícil e fora da minha realidade, então fui levando.

Muitas coisas aconteceram ao longo dos meses no meu trabalho anterior que me deixaram frustrada e sem perspectivas. Frequentemente comecei a me perguntar o que estava fazendo ali – se valia a pena passar por tudo aquilo e deixar meus sonhos de lado. Em abril, recebi o deadline da editora para a finalização do livro: “para ele ser lançado na Bienal, precisamos terminar este mês”! Foi extremamente corrido, mesmo tendo muito conteúdo adiantado. Lembrem-se que, com o livro, eu precisava conciliar não só o meu emprego, mas meu trabalho com a Call Daniel (que eu já exercia como consultora) e as atividades relacionadas à minha casa e à minha família. Não foi fácil. Sempre que eu chegava a um nível de quase exaustão, eu buscava aprender com tudo aquilo e buscar forças pelo bem maior de tudo o que eu estava fazendo. Se eu tenho como missão inspirar as pessoas a se organizarem para que elas tenham mais qualidade de vida e transformem seus sonhos em objetivos palpáveis, o que na minha vida reflete essa missão? O que devo continuar fazendo?

Já contei essa história aqui, mas gosto de recontar porque é muito importante para mim e foi um divisor de águas. Eu estava no processo final de produção do meu livro, escrevendo, revisando, reescrevendo, super cansada… e então comecei a questionar o que estava fazendo da minha vida. Quem sou eu? Para onde estou indo? O que vai ser da minha vida e da minha família? E aí eu pensei assim: se o meu filho, hoje, lesse o meu livro, que fala sobre como a gente consegue se organizar para atingir objetivos. Se ele lesse o livro e perguntasse: “Mamãe, você fez isso? Você se organizou para transformar os seus sonhos em objetivos?” O que eu diria? Eu diria que não? Não conseguiria.

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Sou uma pessoa muito preocupada em viver uma vida coerente com aquilo que eu acredito e prezo. Como eu poderia falar para as pessoas fazerem uma coisa se eu não tivesse a experiência pessoal de ter feito com o sonho mais importante da minha vida?

Naquele momento, então, eu tomei a minha decisão. Eu não sabia como exatamente faria tudo acontecer, mas não tinha mais como olhar no espelho de manhã e aceitar que eu não estava fazendo nada para chegar naquilo que eu queria. E é engraçado como as coisas funcionam. Às vezes, a gente precisa só desse “click” mental para fazer todo o universo conspirar a nosso favor.

Na mesma semana, conversei com o Daniel, que me fez a proposta de virar instrutora da Call Daniel, ensinando as pessoas a usarem o GTD. Ele é uma pessoa muito bondosa e que fez (faz!) grande diferença na minha vida, porque me proporcionou essa oportunidade incrível de exercer o que eu amo imediatamente. Tudo o que eu precisava era de… tempo! Então, pedi demissão, cumpri meu aviso prévio direitinho e abracei essa vida nova fazendo tudo o que eu amo fazer. Tudo isso aconteceu entre maio e junho, quando finalmente deixei meu emprego para me dedicar ao GTD, ao meu livro, ao blog e a todos os meus assuntos preferidos ligados a gestão do tempo e organização.

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E foi engraçado porque eu nem sabia direito por onde começar! Era uma situação totalmente nova para mim. Trabalhar em casa, fazer meu horário, gerenciar clientes. Eu já tinha feito isso antes, mas em escala muito menor. Agora eu tinha aluguel, carro, família, contas em triplo. Não dava para vacilar.

Também percebemos que não daria para continuar morando em Campinas se a maioria dos meus trabalhos eram feitos em São Paulo. Nossa família também mora praticamente toda aqui. Além do mais, amamos SP. Sofremos bastante quando nos mudamos daqui para Campinas, há três anos. Deveríamos voltar! Mas como organizar uma mudança de cidade já trabalhando em outra, com o tempo escasso e dependendo de uma estrutura (de Internet, telefone, computador) que estava em outro lugar? Gente, foi BEM difícil. Fiquei como nômade durante um mês e meio – por sorte, o período de férias escolares do filhote. Foi difícil encontrar apartamento mas, por fim, encontramos o melhor possível, onde queríamos, em um condomínio maravilhoso, perto da nossa família. Nos mudamos em agosto.

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De lá para cá, minha vida tem sido bastante intensa. Lancei o livro na Bienal, depois fiz um evento na Saraiva do Shopping Paulista. Tenho feito muitos eventos, cursos e palestras desde então. Somente treinamentos de GTD, tenho feito de dois a três por semana, tirando reuniões e trabalhos relacionados. Estamos decorando o nosso apartamento novo aos poucos, com carinho. Faz quatro meses que nos mudamos e as coisas estão em ordem mas, ao mesmo tempo, tem tanta coisa a ser feita! Em agosto, no entanto, estávamos instalados em nosso novo lar, o filhote na escolinha nova (e amando!), toda uma nova rotina e estrutura perto de amigos e familiares. Tudo mudou de repente. Eu pensei que não ficaria mas, internamente, fiquei um pouco desnorteada!

Trabalhar em casa é um eterno desafio, mesmo com um cômodo dedicado exclusivamente ao escritório. Não é fácil gerenciar interrupções de um filhote de quatro anos ou resistir à tentação de conciliar atividades domésticas com o trabalho em si. Fazer isso é fácil, até, mas as horas que você tira do seu trabalho precisam ser compensadas depois, em algum momento. A tendência a tudo se misturar é enorme! Precisa ter muita disciplina.

Acho que o principal de tudo isso é que, quando a gente sai de “um emprego estável” para trabalhar “por conta”, a pressão de sustentar a família é enorme. Por causa disso, dá vontade de abraçar o mundo e fazer de tudo, buscando aquilo que dará um retorno financeiro maior e mais estável. Em certo momento, você começa a se perguntar se vai aguentar esse ritmo e que providência precisa ser tomada, porque é uma experiência muito intensa! Eu passei uns dois bons meses refletindo sobre isso e procurando aprender sobre quem era essa nova Thais e para onde eu deveria ir. Mais uma vez, o que me guiou foi ter uma missão de vida tão clara e definida, e aprender a ir com calma, consolidando uma coisa de cada vez.

Aprendi também que não importa muito o nome que a gente dá às coisas, contanto que elas sejam coerentes com a nossa missão. Cheguei ao começo de novembro extremamente centrada e sabendo o que eu queria e, incrivelmente, a situação começou a se acalmar e a se estabilizar. Organizar a vida tem a ver com dizer muito NÃO para coisas legais também, o que pode deixar a gente com um pé atrás se não tiver nossos valores e objetivos bem definidos. Tive que fazer MUITO isso nos últimos meses. Deixei muita coisa que seria bacana de lado para conseguir priorizar aquilo que, para mim, fazia mais sentido. Infelizmente, não dá para a gente fazer tudo o que quer. Mas tudo bem. O importante é eu estar tranquila com as minhas decisões.

Lançamento do livro na Saraiva Paulista

Lançamento do livro na Saraiva Paulista

Gostaria de agradecer todos os anos de trabalho que eu tive na Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, que é uma empresa muito bacana para se trabalhar. Espero que projetos incríveis sejam tocados e realizados por lá.

Gostaria de agradecer o Daniel, pelo apoio crucial em um momento decisivo da minha vida, e por sua bondade em tantos momentos.

Gostaria de agradecer o pessoal do Evernote Brasil e Latam, que me convidou para participar da EC4 em San Francisco.

Gostaria de agradecer o pessoal da Editora Gente, que praticamente me pegou no colo e fez o livro mais lindinho de todos os tempos, com o lançamento em uma Bienal do Livro. Isso foi MUITO significativo para mim.

Gostaria de agradecer meus amigos e parentes próximos, por todo o apoio, todas as conversas, toda a ajuda necessária nos momentos mais difíceis e a divisão de risadas nos momentos mais alegres.

Gostaria de agradecer meu marido e meu filho, por simplesmente existirem. Eu seria uma pessoa totalmente diferente sem eles. Talvez eu sequer tivesse este blog, escrito um livro e falando sobre tudo isso aqui agora.

E, por fim, mas não menos importante, eu gostaria de agradecer VOCÊ, leitor ou leitora do blog, por sua visita, seus comentários, seu apoio sempre. Não é fácil escrever, ser lida e ainda ter quem goste do que você escreve, então agradeço pela sua presença este ano e desejo tudo de bom em 2015.

Em 2014 eu me tornei finalmente aquela pessoa que “largou tudo para viver do que ama” e não poderia estar mais feliz.

Tem MUITA novidade vindo por aí! Fiquem ligados nos próximos posts.

Obrigada por tudo, pessoal! Feliz 2015!

Thais Godinho
25/12/2014
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  1. Heloisa Miquelino 31/12/2014

    Parabéns por suas conquistas! Você merece! E obrigada por compartilhar conhecimentos e experiências, por nos ajudar a realizar sonhos e viver melhor! Um 2015 repleto de coisas boas!

  2. Priscila 31/12/2014

    Thais, vc é a minha Martha Stewart kkkk. Adoro vc e o seu blog!
    Bjs

  3. Ana Balthazar 02/01/2015

    Texto incrível!
    Feliz 2015

  4. Camila 02/01/2015

    Como é bacana ler sua “retrospectiva” e me sentir quase íntima, tamanha emoção que você transmite. 🙂
    Obrigada por compartilhar com a gente. Um excelente 2015 pra você, Thais!