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“Eu me encontro na minha bagunça” é uma frase que eu ouço constantemente. “Gosto do caos criativo” também. A segunda, eu mesma falo diversas vezes. O que é bagunça, afinal? E, depois de identificar, como acabar com ela?

Bagunça, enfim, é…

Ter coisas que você gosta, mas não usa.

Você pode achar o máximo ter uma TV de LED de 50 polegadas mas, se não tem tempo sequer para zapear pelos canais e curtir sua aquisição, ela vira tralha sem que você perceba. Aquela câmera que você sempre quis – se você comprou e não usa, ela está bagunçando e ocupando espaço. Se você ama pintar e tem um kit completo em casa, mas não usa – é bagunça. A proposta não é se desfazer dessas coisas, mas aproveitá-las de maneira melhor.

Guardar coisas que você não usa porque acha que vai usar algum dia.

Essa é clássica! “Tenho esse lindo jogo de pratos inglês que era da minha avó mas tenho dó de usar, guardo só para situações especiais.” “Esse vestido custou muito caro, vou usar somente se a Presidenta vier aqui em casa.” “Comprei esse sapato mas tenho dó de usar, estragar e acabar.” Você se identificou com alguma dessas frases? Por favor, aproveite a vida. Use as coisas que você tem. Do contrário, elas são tralha.

Ter coisas que não têm um lugar específico para serem guardadas.

Se alguma coisa na sua casa ou no seu escritório fica fora do lugar porque você simplesmente não sabe onde vai guardar, o seu problema não é falta de espaço, mas ter coisas demais. Por isso, analise e priorize. Esse objeto é importante? Se sim, onde deveria ficar guardado? Tem outra coisa no lugar dele? Se sim, o que é mais importante? Você vai ter que priorizar para organizar do jeito mais eficaz para você. Se não tiver lugar para guardar, questione a posse do objeto. Não dá para a gente ter em casa todos os objetos do mundo!

Juntar objetos diferentes em um mesmo lugar.

Sabe aquela gaveta que tem caneta, trena, durex, recadinho da oitava série, conta paga e uma sorte de outros objetos? Isso é bagunça. Não porque o que está ali não é importante – pode até ser! Mas porque não está categorizado. Você deixou tudo junto, sem coerência. Agrupe objetos semelhantes. Mesmo que você tenha uma caixa cheia de papéis colocados de qualquer jeito, mas sabe que todos aqueles papéis são contas pagas, já é mais organizado que ter uma pastinha etiquetada cheia de coisas aleatórias e sem conexão entre si.

Ter coisas demais em espaços pequenos.

Pense em termos de proporção! Os lugares precisam de espaços “em branco”; pequenos respiros no ambiente para que você não se sinta sendo afogada(o) dentro de sua própria casa ou local de trabalho. Se você tem uma parede pequena, não coloque um quadro gigantesco. Os espaços não precisam ser enchidos completamente. Se o seu apartamento é arejado, mas seu home-office tem coisas demais, isso gera um desequilíbrio que você nem vai sentir, mas seu cérebro vai. E aí, no dia a dia, isso causa estresse. Diminua a quantidade de coisas de acordo com o tamanho de cada ambiente.

Deixar coisas inacabadas.

Ah, aquele quadro que você começou a pintar há sete anos e está ali no canto da garagem esperando uma inspiração para terminá-lo… Ou então, aquele piso que restou da obra, mas você guarda porque “vai que”… Ou caixas que ficaram da mudança porque você ainda não teve tempo de arrumar. Sim, algumas coisas são temporárias. Diferente é quando você tem controle sobre isso, está tomando providências. Se está ali no canto porque foi a saída mais fácil e você não quer pensar a respeito, é bagunça. Não adie decisões.

Deixar coisas quebradas sem conserto.

Da mesma maneira, lâmpadas queimadas, eletrodomésticos que não funcionam, calças que precisam ter a barra feita e sapatos com a sola solta precisam ser consertados. Do contrário, são bagunça. Tome providências!

Deixar as coisas sujas.

Uma coisa é passar o dia inteiro limpando a casa desnecessariamente. Outra completamente diferente é deixar a pia cheia de louça durante três dias. A sujeira, quando acumulada, além de ser perigosa (causa doenças!), fica muito mais difícil de limpar. Ninguém quer (nem tem tempo) ficar limpando a casa todos os dias, mas uma manutenção mínima deve ser feita. Estabeleça rotinas para facilitar, mas pegue leve com elas. Não estabeleça que você deve limpar seu banheiro todos os dias se você só consegue fazer isso uma vez por semana. Feito é melhor que perfeito.

Não se cobre tanto. Uma mesa de escritório cheia de papéis que estão sendo utilizados em um projeto atual pode não ser uma bagunça, mas sim parte de um processo criativo. O conceito de bagunça tem mais a ver com negligência que com a arrumação em si. Portanto, utilize os parâmetros acima para identificar focos de bagunça na sua vida e elimine-os. Viver sem bagunça é apenas melhor, e a bagunça mental é altamente influenciada pelo espaço físico em que você vive. Comece o ano bem.

Thais Godinho
24/12/2014
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  1. Ana Yuan 24/12/2014

    Super me identifiquei com esse post,,hahaha muito esclarecedor vai me ajudar bastante a não ficar tão angustiada . Desejo a vce sua familia um natal maravilhoso bjs e obrigada pelos otimos posts em 2014

    http://www.antestardedoquenunca1.blogspot.com

  2. Juliana Das Oliveiras 24/12/2014

    Thais, excelente post! Pontual, prático e direto. Bastante pertinente para final de ano. Tempo em que , por vezes, provocamos limpezas, reformas, mudanças em nossas vidas. Feliz Natal, obrigada pelo seu trabalho!
    Nos depoimentos ultimos tenho me identificado com suas outras fãs. Você é grande!
    Um fraterno abraço,

  3. Sybylla 24/12/2014

    Eu tenho sérios problemas com bagunça por causa da minha mãe. Ela é desorganizada, bagunceira e por mais que eu arrume, eu encontro tudo bagunçado no dia seguinte. Aí chega uma hora que a paciência esgota.

    Por outro lado, nós moramos num lugar pequeno, que poderia ser melhor mobiliado, o que ajudaria e muito na organização da casa. A gente faz o que pode, mas nem sempre é possível. Vou desentulhando o quanto posso e tento passar isso pra ela, mas tem horas que me pone loca! rs

    Grande post, Thais, um grande Natal e uma ótima passagem de ano! 😀

  4. rosana 25/12/2014

    Me identifiquei muito com este texto, e veio em um momento oportuno em minha vida onde estou em processo de destralhamento. Boas festas, e continue sempre escrevendo textos inspiradores!!!

  5. Patty Coelho 25/12/2014

    Perfeito esse texto. Vou imprimir e guardar na minha caixa de lembrancas e coisas especiais.

  6. Jussara 25/12/2014

    Era tudo o que eu precisava ler para tomar … (vergonha na cara e agir) …iniciativa.

  7. Camila Menezes 26/12/2014

    Bah Thaís, que horas vc foi lá em casa olhar minha gaveta que eu nem te vi? E como vc achou o quadro inacabado na minha garagem? E meu kit de pintura??? E ainda por cima entrou na minha cozinha e deu uma olhada na minha pia!!! Oo

  8. Thainá 26/12/2014

    Meu Deus, parece que este post foi escrito por alguém que vive com meu marido… hahahaha

  9. Victória Morena 27/12/2014

    Ótimas dicas e pontos de atenção! Com a ajuda do blog e do workshop, já consegui aprender e evitar esses erros, mas como foi uma mudança recente preciso manter os olhos bem abertos! 😄 Obrigada Thais!

  10. Jaqueline 29/12/2014

    Oi Thais, é impressionante como você está sempre melhorando a qualidade dos seus textos 🙂 Esse post teve profundidade e uma variedade de exemplos. Adorei. Parabéns! Beijos

  11. Leandro Vicente 07/01/2015

    Excelente texto!
    Assim que eu voltar para meu dormitório eu vou revisar as coisas que tenho.

  12. MONALISA 10/11/2015

    oLÁ! TUDO BEM? ADORO SEU BLOG E UM DIA DESSES ESTAVA LENDO SOBRE DESCARTE SUSTENTÁVEL E GOSTARIA SE VC PODERIA ME DAR O ENDEREÇO ELETRONICO, POIS EU JÁ REVIREI O BLOG DE CIMA A BAIXO E NÃO ME LEMBRO EM QUAL MATERIA EU LI. OBRIGADA

    OBS SEU TRABALHO E SEU LIVRO ESTÃO ME AJUDANDO MUUUUUUUIIIIIITOOOO!