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Sempre que mudamos de residência, temos a oportunidade de rever alguns conceitos e promover mudanças não só físicas como mentais relacionadas à nossa casa. Eu estive pensando sobre isso nos últimos dias, pois estamos passando por uma mudança recentemente. Gostaria de compartilhar com vocês as reflexões que cheguei:

Quem vive na minha casa?
Para que eu uso a casa?
Onde passo mais tempo em casa?
O que é imprescindível ter em casa?
O que eu gostaria que a minha casa fosse?

Podem parecer perguntas banais, mas elas têm sido fundamentais para eu entender como organizar nossos pertences e decorar os ambientes. Podemos ter a tendência de criar nossa casa para os outros, pautada em situações que sequer ocorrerão com tanta frequência, como receber visitas, preparar jantares, ter hóspedes. Isso também me fez pensar no que eu gostaria de ter em casa. Porque, afinal, se algum dia eu pensei que ter um buffet em casa para guardar louça, é porque eu esperava receber pessoas ocasionalmente. Onde essa vontade foi parar? Por que não aconteceu? E aí posso pensar em tomar algumas providências para gerenciar meu tempo de maneira melhor e me permitir ter esses pequenos momentos algumas vezes.

Ao mesmo tempo, a casa deve servir os moradores dela e sua organização deve ser pautada neles, não em situações que acontecem ocasionalmente. Eu não posso deixar dois filhos dormirem em um mesmo quarto sendo que eu tenho um quarto para hóspedes, por exemplo. Isso é priorizar terceiros em detrimento da minha família. Claro que cada caso é um caso, e seu quarto de hóspedes pode receber semanalmente uma mãe ou um pai doente que precisa ficar alguns dias com vocês. Mas vale refletir sobre as escolhas que tomamos com relação à nossa casa, porque muitas vezes nos pegamos nessa controvérsia interna e não nos damos conta de como isso está incomodando e até mesmo atrapalhando a rotina da nossa família.

Imagem: Apartment Therapy

Imagem: Apartment Therapy

Outra reflexão que venho fazendo é sobre a qualidade das aquisições. Quando montamos nossa primeira casa, priorizamos quantidade acima de qualidade, porque precisávamos montar quase tudo do zero. Aos poucos, os móveis e objetos de má qualidade vão cobrando seu preço, quebrando, mofando, envergando. E aí vale a pena pensar em substituições inteligentes e até mesmo reduzir a quantidade de coisas que temos dentro de casa. Vamos consagrando o espaço que temos e dando valor ao respiro que há ali também.

Da mesma maneira, aprendemos a gastar menos, porque fazemos escolhas melhores. Compramos apenas três porta-revistas porque temos menos revistas – somente as que realmente queremos guardar, e não uma pilha delas. Para falar a verdade, acho que o principal ensinamento de uma mudança é a consciência de que não precisamos de tantas coisas. Aprendemos a priorizar o que queremos e precisamos ter em casa, nos desfazendo de muito e ajudando outras pessoas. Vamos criando um filtro e deixando entrar em casa somente o que realmente amamos ou temos necessidade.

Por fim, para mim, o mais importante é a percepção de que a casa é construída por todos que ali moram. O que realmente transforma uma simples residência em um lar são os relacionamentos que são construídos dentro dela. Também é lugar de refúgio, de descanso, de prazer, de conforto, de tranquilidade. Limpar, consertar, cozinhar, arrumar são verbos que fazem parte da rotina de manutenção da casa, mas são meros detalhes. Precisamos resolver, sermos práticos, mas tais atividades jamais devem tomar a importância das principais, citadas anteriormente. Mas, se amamos a nossa casa e construímos relacionamentos ali, é natural querermos cuidar e deixar tudo do nosso jeito. Gostamos de cuidar do que gostamos e nos faz bem.

E aí, faz sentido comparar a nossa casa com a dos outros? Claro que não porque, se somos pessoas diferentes, imagine o que não sairá do relacionamento entre diferentes pessoas e o reflexo disso dentro de uma mesma residência?

São apenas alguns pensamentos dessa semana de mudança…

Thais Godinho
07/08/2014
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