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Não é fácil ser pai e mãe hoje em dia. Sempre foi um trabalho árduo, mas atualmente temos muitas atividades em nossa vida. O que a gente precisa entender de uma vez por todas é que um filho é nossa responsabilidade. Outro dia assisti “Histórias Cruzadas” e achei curioso como a moça que era empregada diz que criou os bebês e, um dia, os bebês cresceram e tiveram outros. Isso descreve muitos pais e mães que, inexperientes, têm filhos, sem um planejamento e/ou sem ter a real ideia do que vem pela frente.

Ter um filho é uma responsabilidade para a vida toda. Quem tem criança pequena sabe o trabalho que dá. Bebês demandam 24 horas de atenção constante, até quando estão dormindo. Adolescentes tiram nossas noites de sono igualmente. E, quando adultos, continuamos preocupando nossos pais. E agora estamos no papel deles, fazendo a roda girar.

Quando a gente começa a se acostumar com o trabalho, como trocar fraldas e amamentar, vem a vida e muda todas as regras! Agora é necessário preparar papinhas, proteger os cantos da casa, esconder os produtos de limpeza. Precisa ensinar a falar, a andar, a usar o troninho. Depois, tem que ensinar a criança a ter paciência, a se comportar, a comer sozinha. E por aí vai. O trabalho nunca acaba. Cada faixa etária demanda uma (ou várias) preocupação diferente.

Por fim… fazemos do nosso jeito. Perfeito ou com muitos defeitos, o tempo não espera a gente se preparar melhor. Nossos filhos vão crescendo e, com eles, crescemos como pais e mães. Aprendemos muito também. E, mesmo dando o nosso melhor (ou convenhamos: o nosso possível mesmo), ainda não temos controle do que acontecerá com ele na vida. Não sabemos se ele será cientista ou advogado – se será astronauta ou morador de rua. Não sabemos se acabará se interessando por drogas ou tendo um filho ainda adolescente.

Criamos nossos filhos para o mundo. Ok, já entendemos. Mas aceitamos? Estamos preparados para ver nossos filhos discordando da gente em pontos tão comuns? Em sair de casa, brigar, discordar, ficar sem falar com a gente durante anos? Ou simplesmente viver uma vida completamente diferente da que esperávamos para eles? Por que nós, seres humanos, temos essa incessante mania de achar que todo mundo tem que fazer alguma coisa para satisfazer os nossos desejos e expectativas?

Com os filhos, é a mesma coisa. Quem somos nós para achar que uma pessoa deve agir do jeito que achamos certo? Apenas porque saiu do nosso corpo e educamos com tanto amor? Amor não é dar sem esperar nada em troca?

Estou escrevendo este post para aliviar um pouco a barra de todos nós, pais e mães. Procuremos fazer o nosso melhor sim, SEMPRE. Sempre dá tempo de mudar, melhorar, aprender. Mas podemos apenas inspirar, ensinar, dar o exemplo, e não forçar. Podemos interferir, incentivar, ajudar no que for necessário, mas não podemos salvar nossos filhos. E, mesmo que ele esteja trilhando o caminho esperado por você, é o caminho dele. No ritmo dele, com as mudanças que ele quiser. Precisamos aceitar isso.

Como uma vida organizada pode ajudar a gente a prover o que pode ser bom para os nossos filhos?

– Ter uma rotina estruturada ajuda as crianças a saberem o que esperar. Serve para bebês (que vão aprendendo aos pouquinhos), crianças e adolescentes (que naturalmente acharão um SACO, mas terão a casa sempre como porto seguro quando precisarem). Falta de rotina dá insegurança aos filhos.

– Ter uma casa segura e saudável sempre será uma coisa boa. Você nunca terá bebês batendo a testa na quina da mesa ou crianças fugindo pela porta da frente.

– Aprender a ser uma pessoa equilibrada promoverá um ambiente gostoso de se viver e fará de você um pai ou uma mãe que é uma boa companhia. Também será o melhor exemplo que você poderá passar para os seus filhos. Que tipo de exemplo você está passando sendo uma pessoa desorganizada e estressada?

– Quando você organiza seus horários e estabelece prioridades, tem tempo para ficar com os seus filhos, incentivar o aprendizado através de brincadeiras, leituras, além de aproveitar tempo de qualidade com eles. Se você não consegue se organizar, nunca tem tempo para isso.

– Se, além de tudo isso, você vive uma vida plena e de acordo com os seus valores, estará passando integridade aos seus filhos. Isso ensinará também você a vê-los e respeitá-los como os indivíduos que são, porque sabe como é ser assim.

Eu, como mãe, aprendi a amar incondicionalmente o meu filho e a cuidar dele como o que há de mais importante na minha vida (e é). Porque, quando ele quiser tomar decisões sozinho, mesmo que não esteja pronto, eu sei que lá no fundo a minha voz ecoará na cabecinha dele, e pelo menos a minha versão ele terá como parâmetro. Mas a escolha final sempre será dele, e isso está fora do meu controle. E, querem saber? Ainda bem. Quero que meu filho cresça com personalidade própria e descobrindo a si mesmo, errando, acertando, aprendendo. O período que vai do nascimento até a sua independência é uma parte essencial da sua vida, mas é só uma parte. E eu quero que ele aproveite muito cada tempo dela, assim como as que virão depois.

Thais Godinho
18/07/2014
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  1. Samanta 18/07/2014

    Excelente texto Thaís! Ainda não tenho filhos, mas tenho um irmão de 8 anos e sei o trabalho que dá!

    Muitos pais hoje simplesmente deixam a criança na frente da TV ou computador o dia todo pra terem um pouco de paz. Se eles nao querem ou nao podem ensinar a tv e games ensinarão e com ctz perceberão que não foi a melhor escolha lah na frente!

    Como vc disse, não podemos ter controle total sobre as escolhas dos filhos, mas terá sempre os pais como parâmetro na hora de decidir e aí que percebemos como a educação faz a diferença!

    Beijos e parabéns pelo excelente texto!
    http://vestidasdeluz.com.br

  2. Rafaela 18/07/2014

    “Quem tem criança pequena sabe o trabalho que dá” – Nunca mais repeti essa frase, depois uma pessoa me respondeu “o que dá trabalho é doença!”

  3. Carla Corrêa 18/07/2014

    Olá Thais

    Conheci seu blog a dois meses atrás, me APAIXONEI por ele, você tem me ajudado muito a tornar minha vida mais organizada, pois sou muito desorganizada, sempre tive uma vida muito corrida, quando era solteira era trabalho, faculdade e namorado (agora meu marido) morando em outra cidade, mas tinha a minha adorada mãe que fazia tudo pra mim em casa, quando casei não sabia o que era cuidar de uma casa, e até hoje ainda estou aprendendo rsrs, mesmo assim quis muito um filho e hoje tenho meu bebe de 1 ano e sete meses que é a minha vida, mas a organização agora graças a você que esta começando na minha casa. Jamais imaginei que um simples aplicativo evernote poderia facilitar muito minha rotina, e estou me dando super bem com ele.
    MUITO OBRIGADA DE CORAÇÃO, por você se dedicar a ajudar pessoas que como eu precisam de um empurrão para colocar a vida em ordem.

    Beijos
    Carla

  4. Regiane Fernandes 18/07/2014

    Oi, Thais! Pra variar, amei o post!!! 🙂
    Desejo que meu filho cresça livre, seguro e consciente de que pode e deve fazer suas próprias escolhas. Faço o que posso para que ele possa trilhar um caminho bonito e feliz, mas no final das contas a opção será dele, e caberá a mim respeitá-lo e continuar amando-o incondicionalmente.
    bjs,

  5. Vanessa 18/07/2014

    Thais, como não elogiá-la por mais um excelente post como este. Simplesmente amei lê-lo e irei lê-lo quantas vezes mais for necessário para absorver tudinho…Bases para uma vida!!! Obrigada pelo excelente trabalho proporcionado!!! Abraços…

  6. Paula 18/07/2014

    Thais! Muito bom o seu post. Como filha caçula e que deu/dá muito trabalho tenho que dizer que a voz dos pais sempre ecoam…. mas quando fazemos só o que os pais querem, vivemos infelizes, sem personalidade, sem vontade. E pais gostam que sejamos felizes, mesmo que às vezes os deixemos com dor de cabeça. E quando minha màe ficava brava, ela dizia “eu quero que você tenha uma filha igualzinha a você. Nem melhor, nem pior, mas igualzinha!!” hahahahaha. Tenho medo disso até hoje!

  7. Bijou 18/07/2014

    Poxa, parece que esse post foi feito sob medida pra mim!
    Estou grávida e ultimamente só o que eu penso é em como criar minha filha da melhor maneira possível, é meu primeiro bebê e não quero dar furo. Me preocupo muito em criar direito, dando bons exemplos, ensinando o que é correto, não é para que ela cresça feliz e sem traumas mas também para que se torne um ser humano responsável, solidário, do bem. Sei que vou ter muito trabalho pela frente. Mas quero estudar muito, ler tudo o que tiver ao meu alcance para me ajudar nessa tarefa, a de educar no caminho correto pra que eu possa dizer que fiz tudo o que estava ao meu alcance para lhe garantir uma vida digna e feliz e um futuro bom.

  8. Paula 18/07/2014

    Meu filho tem 11 anos, e já tem 9 anos que eu e o pai dele terminamos. Voltei a morar com a minha mãe nesse tempo e tem quase 5 meses que estamos morando sozinhos.
    A rotina é fundamental para nós dois, um dia ou outro assistimos um filme até mais tarde sem problemas.. mas não dá para ser desorganizado todos os dias.
    Sou chata com alimentação, mas claro que compro e permito umas bobeiras de vez em quando. Até pq ele fica com o pai dele também e é bom ele ter noção dos alimentos e de como se organizar sozinho.
    Ele mudou de escola esse ano ano tbm, e começou a tirar notas baixas, a coordenadora me chamou e conversamos para tentarmos achar uma rotina melhor de estudos, tanto para ele quanto para mim.
    A principio pode ser um pouco chato, mas depois de um tempo as coisas começam a funcionar melhor e ser menos estressante para todos.

    Beijos

  9. Kelly 19/07/2014

    Cara, gosto muito das dicas de organização. Seu post é muito encorajador, com excessão à limitação da prole! Os filhos não são um capricho! Nosso sistema respiratório tem um fim específico, nosso sistema nervoso também, do mesmo modo o reprodutor. Aqueles para conservar a vida estes para conservar a espécie. Se desrespeitamos essas regras o caos é inevitável!

    Abraços!

  10. Levvi 20/07/2014

    Ótimo texto!
    Sempre nos deparamos com pais que querem a todo custo que os seus filhos vivam o roteiro que eles sempre imaginaram, que sigam a profissão que é “tradição na família”, que sigam a mesma religião etc… Eu ainda tenho 19 anos e (espero) vou demorar muito ainda pra ter filhos, mas espero que quando a época chegar eu me lembre desse seu texto e que eu tenha acesso a outros bons conteúdos relacionados a esse assunto! 🙂

  11. Remédios Oliveira 21/07/2014

    Como não amar seus posts???
    e mais uma vez esse foi mega especial pra, mim, estou me mudando pra minha casa e pensando em cada cantinho pois tenho uma uma princesa de um aninho e é lá que eu quero passar muitos anos, e viver os melhores momentos com minha familia, buscando uma vida organizada e feliz.
    obg querida Thais
    um gd abraço.

  12. Carolina 21/07/2014

    Amei o texto!

    Estou numa fase crítica da vida. Com um bebê de 5 meses e uma filha de 6 anos, fora casa, comida, marido, roupa e uma empresa. Ah como me sinto exausta e como sempre estou tentando me organizar.

    bjs

  13. Carol Venâncio 23/07/2014

    Oie Thais.

    Não sei se você lê e responde a todos os comentários mas preciso expressar a minha imensa felicidade ao ler esse texto.

    Pois bem, eu sou estudande de Ciências Sociais (por conta disso, observo de maneira exagerada as relações sociais e de quebra, as familiares!) e cada vez mais reparo o quanto os pais são “abusivos” na criação dos seus filhos.
    Digo isso porque observo pais que criam problemas em situações tão pequenas – como a menina querer ou não fazer seu próprio aniversário de 15 anos – até a assuntos mais complexos como a sexualidade do seu filho.

    Dessa forma, observo que não importa o assunto, a realidade triste mostra que os pais desejam o seguinte: que os filhos os obedeçam, como se fossem aquelas crianças de 3 anos sabe? Não importa a idade ou o nível de independência que a pessoa tem, os pais insistem em uma autoridade que não é nenhum um pouco plausível.

    Acredito que essa forma de agir vem de não entendem que criam uma pessoa autônoma e passam assim a projetar todas as suas frustações e desejos nesse pequeno ser (que um dia cresce!).

    Nesse sentido, observo uma hipocrisia sem tamanho, pais e mães que admitem um amor maior que o mundo sobre uma pessoa, mas que quando é posto a prova, onde você tem que abandonar seus desejos e vontades para respeitar o do seu filho, cai por água a baixo.

    Por isso, fico extremamente feliz de ver uma pessoa que nem você que no mínimo se indaga! Que se pergunta! Será que eu como mãe estou pronta para ver seu filho sair de casa quando se formar? E se ele se assumir gay? E se fizer Artes cênicas ao invés de Direito?
    Pequenas coisas mas que reforçam todos os dias o amor de mãe.

    É isso! Um texto enorme mas na verdade é também um desabafo. Adoro seu blog e a sua filosofia de vida! 🙂
    Namastê.

  14. Vivi 10/11/2014

    Vc fazia papinha todo dia ou congelava para alguns dias??