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Não sei se vocês já repararam, mas muita gente hoje em dia tem mais de uma atividade profissional. Virou comum. As oportunidades vêm aos montes junto com a democratização de tudo na internet, então as pessoas podem divulgar mais seus trabalhos ou criar novos (como os blogueiros, por exemplo).

Desde que eu comentei aqui que comecei a trabalhar com o Daniel (Call Daniel é uma empresa de consultoria em produtividade, com foco no GTD, e eu coordeno as ações de marketing digital deles), algumas pessoas me pediram para escrever um post contando um pouco sobre como é conciliar dois empregos e eu mesma tinha vontade de escrever a respeito, porque acho curioso.

No meu caso, as coisas são um pouco diferentes porque eu tenho muitas frentes de trabalho. Tenho meu emprego em segurança da informação, onde basicamente sou responsável por campanhas de conscientização e eventos, além do meu trabalho com a Call Daniel, que já expliquei acima. Além deles, tenho o blog, que envolve muitas outras coisas: palestras, livro. Também comecei a dar aulas na pós-graduação, este ano, e faço parte da comissão organizadora do Social Media SP, um evento itinerante que roda o estado falando sobre mídias sociais. Ficou tonta(o) só de ler? Pois é, eu também!

Muitas vezes fico me perguntando como foi que tanta coisa resolveu acontecer ao mesmo tempo na minha vida. É claro que tudo isso é resultado de anos de trabalho e dedicação a tudo que faço, mas realmente as coisas vieram de uma só vez. E não dá para dizer não porque são todas realmente importantes para mim. A solução, então, foi me organizar para conciliar tudo.

O primeiro passo foi conversar com o meu marido, que é um verdadeiro companheiro e me apoia em tudo o que eu faço. Depois que eu comecei a trabalhar com o Daniel, ele aumentou muito mais a responsabilidade dele aqui em casa, porque sabe que meu tempo é escasso. Mas o mais interessante, pelo menos no meu caso, é que, quanto mais coisa eu tenho para fazer, parece que organizo meu tempo melhor. Como tenho pouco tempo para fazer as coisas, acabo otimizando tudo e fazendo muito mais do que faria se tivesse mais tempo disponível. Fico muito mais tempo com o meu filho agora, por exemplo, pois me organizei melhor.

Outra coisa que mudou é que agora priorizo muito mais o meu descanso do que antes. Era comum ficar até de madrugada trabalhando ou estudando (e confesso que, vez ou outra, ainda fico, mas em raríssimas vezes). Agora me forço a dormir cedo e, aos finais de semana, dormir um pouco no final do dia, para aguentar ficar acordada até um pouco mais tarde (meia-noite). Durante a semana, se eu estiver muito cansada, durmo um pouco junto com o nosso filho (por volta das 20:00), acordo às 21:00 e vou cuidar da vida. Tem feito muita diferença!

Não preciso dizer que ser organizada é fundamental. Mesmo assim, tem coisas que simplesmente escapam do meu controle e não dou conta. Sim, acreditem! Aí o negócio é não me estressar e fazer o possível. Quando isso acontece, eu procuro avaliar o que deu errado no meu dia, e geralmente foi alguma coisa que acabei deixando um pouco para última hora, e conserto para antecipar mais da próxima vez. Dá certo!

O mais difícil de conciliar nessas atividades todas, para mim, é a questão dos horários. Inevitavelmente, trabalho aos finais de semana. O que eu tento fazer é dividir bem o meu tempo, de forma que eu consiga descansar, ficar com o filhote, ver um filme ou sair para passear com o meu marido, cuidar da casa etc. E tem funcionado por enquanto.

O que eu digo é que conciliar duas carreiras (ou mais) não é para qualquer um e, sinceramente, não é um estado que eu pretenda ficar para sempre. É cansativo sim, especialmente para quem não for organizado. Entendo que seja uma fase, estou me dedicando durante um tempo, mas aos poucos vou diminuindo. Por exemplo, não pretendo pegar uma nova turma para dar aulas tão em breve. Também não sei como ficará minha participação na equipe do evento. O blog, já que não é meio meio de vida, precisa ter um pouco menos da minha atenção (mas não consigo – eu amo o blog). Essas coisas.

Não preciso dizer que jamais conseguiria fazer isso se não fosse pelo meu marido me apoiando e dando conta de muita coisa. Eu ainda faço tudo aquilo: cuido do filhote, limpo e arrumo a casa, lavo roupa, limpo geladeira. Só tive que diminuir minhas expectativas de limpeza, diminuir o ritmo e otimizar meu tempo para não desperdiçá-lo com coisas que não eram para ser demoradas. Por exemplo, hoje eu sei que em determinado dia eu preciso fazer tal coisa em casa. Antes eu tinha listas e ia fazendo à medida que dava.

O que mais sinto falta, sinceramente, é de fazer uma atividade física. Desde que desloquei meu braço, não consegui voltar a fazer. Precisei sair da natação, não dei certo com a hidroginástica (achei meio entendiante) e fui poucas vezes à academia fazer exercícios aeróbicos. Estou buscando algo que eu possa fazer em casa e todos os dias, pois acho que se encaixa melhor na minha rotina. Pretendo voltar a tocar bateria (vocês não têm ideia do exercício físico que é!) e estou muito tentada a estudar yoga, por influência da Rita. Esse é um dos meus projetos atualmente.

A revista Você S/A de julho trouxe uma matéria de capa sobre o assunto e ela veio bem a calhar, pois foi logo depois de eu ter aceitado começar a trabalhar com o Daniel e ainda estava começando a me estruturar. Confesso que fiquei aliviada ao ler e saber que eu não sou a única maluca a fazer isso. Vale a pena a leitura se você passa por situação semelhante.

Thais Godinho
18/10/2013
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