Comprei a revista Você S/A de setembro (como sabem, gosto muito da revista) e, ao ler a coluna do Eugênio Mussak, tive a ideia para escrever este post. Ela já tinha sido estartada quando assisti um programa Saia Justa, no canal GNT, outro dia, quando falava um pouco sobre esse tema também.

O Eugênio escreve muito bem, e nesta coluna ele compara os conceitos matemáticos de MMC (mínimo múltiplo comum) com o novo conceito de MDA (mínimo desempenho aceitável) no trabalho. Basicamente, esse MDA é o nível de conforto que alguns profissionais atuam nas empresas – o mínimo de trabalho que você tem que fazer para não ser mandado embora. E, segundo o Eugênio, há muitos profissionais que fazem esse pacto com a mediocridade, trabalhando e fazendo esse mínimo, em vez de buscar o máximo (chamado de MDP – máximo desempenho possível).

Eu acho que vale a gente falar sobre esse assunto porque vem sendo criada uma pressão do protagonismo, ou seja – o mundo pressiona para que você seja o melhor, o mais feliz, o mais produtivo, o protagonista da sua vida, do seu trabalho. Confesso que já me senti muito assim. Eu tenho a séria tendência de me tornar workaholic porque amo trabalhar e costumo somente aceitar trabalhos que eu possa fazer com paixão, pois não funciono de outro modo. E estou sempre pensando em projetos novos, em melhorias para os já existentes, enfim… sou daquelas pessoas que não podem tomar muito café no escritório porque senão acaba sendo barrada pelo excesso de atividades.

Mas, no programa Saia Justa, levantou-se a questão: se o mundo é feito de protagonistas, onde eles atuam? Porque, para uma pessoa ser protagonista, significa que ela tem ao seu redor um montão de outras pessoas que não sejam. E é ok ser simplesmente o motorista de táxi que é feliz no dia a dia sem ter a ambição de ter uma frota inteira! Também é ok ser feliz em um trabalho sem que queira chegar a ser presidente da empresa.

Será que não estamos criando pessoas com expectativas altas demais? Especialmente quando falamos dessa geração mais nova, chamada de “mememe” (jogo de letras entre “mimimi” e “eueueu”), que são pessoas que estão crescendo com foco na felicidade e no “fazer somente o que eu quiser”? Essa geração já tem a tendência a se achar a última bolacha do pacote, mas com essa pressão para ser sempre o protagonista, será que não estamos, na verdade, criando uma geração de pessoas frustradas e com tendências depressivas?

Eu recebo muitas solicitações de entrevistas e consultoria para veículos de comunicação por causa do blog, e tento sempre fazer os próprios jornalistas refletirem um pouco antes de disseminarem ideias equivocadas. Sempre me perguntam: “Thais, como um profissional pode aumentar a sua produtividade?”. E eu sempre rebato com a questão: será que precisamos mesmo aumentar a produtividade dessas pobres pessoas? Já não estamos produzindo demais, trabalhando demais, vivendo de menos? Então sempre peço para que seja usado o termo melhorar a produtividade, porque, do meu ponto de vista, significa exatamente isso: saber gerenciar melhor o tempo, usá-lo para atividades úteis e atividades de descanso também, assim como atividades prazerosas ou simplesmente nenhuma atividade! O ócio também pode ser bom para nos trazer ideias, assim como a desconexão.

Entendo o ponto de vista do Eugênio porque certamente tem muito profissional que não sai de sua zona de conforto e isso prejudica não só as entregas da empresa e a falta de inovação, mas a própria carreira dele, que não evolui. Mas ele não precisa fazer o máximo, somente melhorar sua produtividade. Acho que é um ponto de atenção que devemos ter, pois talvez essa pressão para fazermos sempre mais mais mais, buscar sempre o máximo, pode nos levar a um resultado não tão legal (um infarto, por exemplo). Todo mundo já está sofrendo pressão demais. Quem tem a verve de trabalhar pra caramba e fazer acontecer, ao ler uma coisa dessas, pode ficar sempre se frustrando, achando que nunca está fazendo o suficiente. Não sei se vale a pena perpetuar esse pensamento em detrimento de um grupo que talvez sequer tenha interesse em comprar uma revista sobre seu trabalho (como no caso da Você S/A).

Em um mundo onde todo mundo quer ser protagonista, onde ficam as pessoas comuns? Elas também existem, é um equilíbrio. E tudo bem! Essa pressão por ser sempre o máximo ou o melhor acaba se tornando um desserviço à humanidade e até à saúde pública. Sou a favor da produtividade para termos realização pessoal, mas quando o foco deixa de ser essa realização para ser a produtividade em si, acredito que algo tenha se perdido pelo caminho.

91 Comentários

  1. Ei Thaís! Adorei o texto!
    Gostaria de saber se vc conhece o curso Produtividade Ninja do Seiiti Arata.
    Se sim, gostaria de saber a sua opinião.
    Obrigada.
    Abraço,
    Carolina

  2. Oi Thais, amei o seu texto. Ele reflete muito a minha situação atual de recém-formada e não empregada na área. Temos que aprender que essa frustração não vem de dentro, e sim de fora, nessa pressão de nos tornarmos cada vez melhores e mais especialistas. Não há espaço de verdade para tanta gente superpoderosa! Por isso, estou a cada dia mais feliz com a minha opção de não deixar o trabalho engolir a minha vida e os meus sonhos. Afinal, essa é apenas uma parte da nossa vida e não deve tomar essa importância e acabar com a nossa saúde física e mental.
    Parece que vc escreveu pra mim e, como levo suas opiniões muito em conta, tenho certeza que estou no caminho certo 🙂

    bjos!

  3. Olá Thais, concordo plenamente com as suas palavras, de um lado existe a pressão dentro das empresas para se produzir mais e mais, do outro lado só protagonistas, que se acham e fazem o mínimo possível. O pior ainda é quando essas pessoa são donas do proprio negocio, você é o cliente e a pessoa não atende suas ligações, não responde seus e-mails, a manicure que desmarca varias vezes o seu horario, o medico que fala pra voce pegar o exame no consultório dele e levar para outro medico, não tendo interesse em ter voce como paciente. Tudo isso aconteceu comigo hoje, acho que as pessoas não tem mais comprometimento, não tem mais responsabilidade, se voce agir dessa forma dentro de uma empresa voce está na rua, mas, os protagonistas são donos do proprio negócio e se acham a última bolacha do pacote!!!.

  4. Oi Thais!
    Estou lidando com isso ultimamente e encontrei outro ótimo texto que explica bem o que você retratou (também tão bem).
    http://huff.to/1fCna92

    Sugiro a leitura de quem entender inglês. Ele fala muito das expectativas que a geração Y tem em relação ao próprio futuro e traz fatores que considero bastante relevantes (como a disseminação e uso das redes sociais).

    Obrigada pelo texto! 🙂

  5. Concordo plenamente com você, Thais. Acho que a geração jovem ainda vai pirar com tanta pressão de ser o melhor, o mais inteligente, o mais antenado, o que estuda na melhor faculdade… Acho que se a gente tem mais tempo pra ser feliz e fazer outras atividades que nos deem prazer, o trabalho rende mais, ainda que em menos tempo. E isso que é interessante.

    A gente exige muito da gente, muitas vezes só pra mostrar pra sociedade que somos capazes, que somos bons. Por que precisamos provar aos outros que somos bons? Se realmente o somos a gente sabe. Mas isso é muito uma questão de amadurecimento como pessoa. Quando a gente sabe o que é e do que é capaz, não precisa gritar aos 4 cantos do mundo.

    Bela reflexão!

    Abraço!

  6. Thaís,
    Realmente é um tema para reflexão. Esse equilíbrio entre produtividade, realização, saúde, qualidade de vida, etc.

    Só discordo de um ponto específico: pq para ser um protagonista, siginifica ter ao redor pessoas que não são, ou não podem ser?
    Se protagonismo tem mais haver com atitude, não com hierarquias. Acho até que é possível termos uma equipe de pessoas protagonistas, ou seja, que trabalham com atitude, questionam, corrigem, refazem, aprimoram, etc….nem sempre sob uma ordem de chefia, mas por querer trabalhar com excelência.

      • Também concordo com a Mariana. E entendo “ser protagonista” como exercer esse papel em relação a sua própria vida, independente das relações (hierárquicas) profissionais ou mesmo familiares.

        É que o termo veio do teatro e aparentemente faz relação com os “coadjuvantes da peça”. Mas não é a única definição. Pode ser também:

        1. aquele que se destaca num processo: o protagonista da reforma
        2. pessoa que desempenha o papel principal: o protagonista do filme

        Ou seja, no filme da SUA vida, só compete a você exercer esse papel 😉

        De qualquer forma, gostei muito do texto – com essa pequena ressalva.

  7. Isso é exatamente tudo o que eu penso! As pessoas se chocam quando digo que não tenho a ambição de me tornar chefe nunca, pois isso exige muito da pessoa, causa estresse, entre tantos outros problemas. Prefiro ser uma pessoa simples, comum, que trabalha pra se sustentar, ter saúde, poder viajar, sair, ser feliz. Felicidade não está exatamente no status profissional. Prefiro ser simples e ter paz do que ser diretora de uma empresa e viver de tarja preta.

  8. Que texto maravilhoso, Thais! Obrigada por escrever.
    Hoje fiquei dormindo até um pouquinho mais tarde, pois sou advogada e professora universitária e dar aulas até tarde todos os dias e tocar o escritório é bem cansativo. Cheguei ao trabalho me sentindo culpada pelo horinha a mais de sono e me deparei com seu texto. Sabe o quê? Vamos viver mais!
    Enorme beijo no seu coração.

  9. Oi Thais,

    Vivo com esta frustração das pessoas diariamente. Trabalho como RH em uma empresa e essa geração nova quer a qualquer custo ser promovido umas três vezes ainda dentro do período de experiência. Acho que isso que uma vez se chamava ter pro atividade se tornou loucura. as pessoas não param. Não comemoram as pequenas vitórias…os bons momentos. E por fim distorcem ou nem sabem o que ser feliz. Sempre fui um pouco minimalista com as coisas. Acho que não precisamos de tudo o que queremos para viver..Vamos simplificar as coisas…deixar a vida mais leve..isso sim é felicidade…

    ;)…um ótimo dia a todos!!!

    Deixo este texto do Mario Quintada …

    FELICIDADE REALISTA

    A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

    Mario Quintana

  10. Olá Thais, como vai?
    Ótimo post, como sempre! Obrigada.
    Eu já curtia muito os textos do Eugênio Mussak e depois de tê-lo como professor em uma disciplina virei fã!
    Toda essa questão de protagonistas e alto potencial me remeteu ao modelo de avaliação que conheci de uma empresa, o chamado modelo de curva forçada. Nesse modelo haviam % por nota de avaliação, exemplo: eram 5 notas, sendo a menor para o profissional que entregou menos do esperado e a maior para quem entregou mais que todos. Pois bem, o problema é que era obrigatório que fossem cumpridos percentuais por nota, ou seja, sempre teria alguém que seria avaliado como abaixo do esperado… imagina só isso!
    Eu fiquei chocada em descobrir que alguns profissionais ruins eram mantidos na empresa até o período de avaliação para serem encaixados como Low e depois demitidos! Todos eram incentivados a serem protagonistas, e no final alguém era tachado como incompetente para que os High pudessem receber os holofotes, ótimas bonificações e etc.
    As vezes me sinto como uma vara de cana, não importa se cada vara só faz 1 copo de guarapa, as empresas querem que entreguemos litros e litros..

  11. Vejo as pessoas falando em aumento de produtividade, em perfil X de funcionário, em ter que se empenhar e se desenvolver nas suas atividades mas, em todas as empresas que tive a oportunidade de trabalhar, me deparei com pessoas medíocres e já cheguei a ser dispensada por trabalhar demais!!! E não falavam sobre horas extras, falavam sobre fazer muito mais que as demais pessoas no meu ambiente de trabalho.
    Recentemente, pedi demissão por que a pessoa que deveria ficar satisfeita por não estar se preocupando com o trabalho que fui designada a fazer, estava se sentindo “ameaçada” com minhas atitudes e por ter colocado ordem no lugar em tão pouco tempo (trabalho parado há anos e “sem” solução). Sendo filha do dono da empresa, fica evidente que o risco dela é nulo (visto o tanto de coisas erradas sob sua supervisão e ela ainda está lá). E olha que me avisaram que isso poderia acontecer se eu desse continuidade ao trabalho na velocidade que eu estava!! Achei que era brincadeira mas, vendo que tinha um superior com esta mentalidade, não ia ser feliz no trabalho nunca!
    Assim como você, tenho tendência à ser mais uma workaholic. Só não fui feliz até o momento em encontrar uma empresa que esteja disposta a me deixar encontrar o ponto de equilíbrio e fazer MENOS no meu dia a dia, para acompanhar o perfil que eles sustentam como ideal. E sim, ainda estou procurando trabalho!

  12. Concordo plenamente com vc. Trabalho pra mim é realização tb. O grande problema é que a maioria das pessoas não conseguem trabalhar no que gostam. Isso por si só já gera uma enorme frustração p maioria das pessoas que, por esse motivo, acabam fazendo o mínimo.
    bj

    • Concordo. Aí acho que entramos em outra questão, porém. Uma coisa é a pessoa que gosta do seu trabalho mas não quer ser chefe (tem muito especialista que não quer virar coordenador, por ex, porque gosta de pôr a mão na massa, e não cuidar de planilhas de controle). Outra coisa é a pessoa que está em um emprego que não gosta e não toma uma atitude para buscar outro e ser feliz.

      • Entendo seu ponto de vista e acho que tem muita gente que age assim, mas nem todo mundo. Eu trabalho no que não gosto, mas gosto realmente é de arte. Estou fazendo curso de pintura e correndo atras, mas conseguir alguma coisa nessa área é muito difícil e pode levar muitos anos. Enquanto isso, preciso pagar minhas contas trabalhando no que nao gosto. Faço mais que o mínimo, mas sei que se fosse minha paixão meu rendimento seria muito melhor.
        bj

  13. Eu vi esse programa do Saia Justa também! E sempre me pergunto isso, se todo mundo for líder, quem serão os liderados? Eu sou muito melhor liderada do que lider e hoje se você não almejar ser a presidente da sua empresa, parece que você tem um problema. Realmente é uma questão a refletir. Isso torna tudo mais cansativo…
    Sempre muito bom ler o que você escreve. Tenho aprendido tantas coisas com você e o melhor, conseguido ajudar outras amigas a ganhar tempo na vida sendo mais organizada..
    Bjs e que Deus te abençoe.

  14. Olá Thaís,

    Lendo seu texto lembrei de uma discussão ontem na faculdade. Eu curso o 3° período de Direito, é a minha segunda graduação, já sou graduada em Contabilidade, e depois que virei concurseira decidi fazer Direito. Pois bem … Qualquer brasileiro que queira trabalhar na justiça tem que estudar muiito … Tem q estudar muito pra passar no vestibular, tem q estudar muito para concluir o curso e passar na OAB, tem q estudar muito pra passar em um concurso, seja pra uma vaga de escrivão ou de Juiz. Eu já entrei em Direito sabendo exatamente oq desejava do curso … e como é minha segunda graduação, já lido melhor com certas pressões. Mas me angustia ver meus colegas mais jovens, de 18/19 anos, tão vocacionados, desistir do curso… pq se sentem o “só mais um na multidão”. Explico melhor: Um estudante que passa em Direito/Medicina/Engenharia ele tem seus 6 meses de “estrela”, pois ele se sente um aluno do ensino médio suuper evoluído … Quando ser aluno de Direito deixa de ser novidade entre a família/amigos, eles vão perdendo o interesse no curso. Geralmente chegam na faculdade achando que vão ser ministros do STF em 6 meses, quando percebem q tem q se esforçar muiiito mais pra se destacar na multidão, eles desistem, começam a procurar caminhos mais fáceis .. (mas esses caminhos não existem!!!). É triste ver vários jovens colegas desistirem de seus sonhos por não suportarem não ser o N° 1 …

    • Pois é… as pessoas estão ficando frustradas e deprimidas justamente por causa dessa bendita/maldita ideia que colocaram em suas cabeças de que devem ser destaque sempre.

  15. Thais, concordo em termos…Bom, não li o texto do Eugenio Mussak, então vou comentar apenas em cima do seu post.
    Acho que precisamos, sim, todos nós, ser protagonistas. Mas isso não tem a ver com crescer na hierarquia profissional, passar a ser chefe, ser mega ambicioso, nada disso. O motorista do táxi é protagonista se o seu trabalho lhe dá satisfação e garante o sustento de sua familia. Ele é protagonista se sorri para seus clientes, gosta de estar nas ruas e tem convicção de que é um bom motorista. Ele não precisa ter como meta ser o dono da frota. Nesse sentido, podemos todos ser protagonistas.
    Acho prudente que se trabalhe um pouco a mais entre os 20 e os 40/45 anos, que é quando a pessoa está no auge de sua energia. É preciso alcançar uma situação mais confortável nesse periodo, ou ter um plano B. Muitos mercados de trabalho vão excluindo os profissionais de mais idade. E não estou falando de modelos nem de jogadores de futebol não…rsrs. Basta olhar as vendedoras de loja, por exemplo. Tem gente que entra nesse mercado e se acomoda, gosta do que faz, a comissão é legal. Só que as lojas tem sempre vendedoras jovens, as mais velhas tem que se preparar pra fazer outra coisa.
    E essa outra coisa pode ser montar sua própria loja.
    Por último: acostumamos a associar alto desempenho com muuuitas horas de trabalho. Já trabalhei em locais que a gente tinha vergonha de sair no horário. Todo mundo ficava até mais tarde, quando alguém tinha que sair às 18:00 hs dava mil explicações, só faltava pedir desculpas. Hoje tenho um grupo de 8 pessoas trabalhando em minha empresinha, e não aceito que ninguém fique nem 10 minutos além do seu horário. Minha convicção é de que a maioria das empresas poderia reduzir o turno de trabalho para 6 hs diárias, sem perder nada. O trabalho continuaria a ser feito da mesma maneira, dentro das 6 hs.

    • Vania, eu entendo seu ponto de vista. Eu concordo com o protagonismo pessoal, de a pessoa estar feliz como está. Até comentei isso no texto – ser improdutivo é ruim para a própria pessoa, pois ela não se sente evoluindo, pessoalmente. A crítica foi sobre a pressão que vivemos para sermos o protagonista em ambiente externo. Em uma equipe só com protagonistas, ninguém se destaca, não é?

  16. Excelente!!!
    já estava há algum tempo refletindo sobre isso (larguei um trabalho longe de casa com muita pressão para um perto de casa com menos pressão, porém onde eu tenho mais a aprender, ou seja, em termos práticos, deveria haver muito mais pressão aqui, onde tem mais coisas pra fazer, prazos mais curtos etc, maaaaaas é como eu sempre digo, o que estraga as coisas são as pessoas – lá a minha chefe era super intolerante, aqui, já é mais compreensiva, e acho que isso se encaixa na tua reflexão: lá se focava em aumentar a produtividade (tanto que minha chefe gritava “produção! produção!” quando a gente conversava e era tudo a toque de caixa) e aqui se foca em melhorar a produtividade mesmo! aprender a fazer as coisas do jeito certo para saber fazer cada vez mais coisas te dá um ânimo que não cabe em palavras!
    impressionante como t u d o que tu escreve tem a ver com o que estamos passando!
    um beijo
    continue assim

  17. Pois eu estou passando justamente por um momento de MDA voluntário. Explico: depois de muitos anos envolvida em profundidade com o trabalho e sindicato preciso de um retiro, de não saber detalhes: de qual fulano assumirá qual setor, de qual projeto de lei está em curso e nos prejudica…

    Bem, sinto que minha contribuição foi relevante para os colegas, e uma experiência de vida pra mim. Mas me vejo num momento de focar na família, e este texto traduziu o que eu sinto: por agora, quero ser figurante no trabalho, e protagonista na família.

    Texto ótimo e tema muito atual, Thais, parabéns!

  18. Olá, Thais.
    Amei a postagem de hoje.
    Passei uma fase completamente afundada no trabalho. Deixei de lado todos os outros quesitos na minha vida: família, espiritualidade, namorado, saúde… Tudo em prol de uma meta de profissão e status que nem estava tão clara assim para mim.
    Trabalhava 16h por dia, e toda minha energia/ concentração/ tempo estavam voltados para isso. Ainda sim, não achava que era suficiente.
    Depois de várias reflexões, conversas com pessoas mais experientes, descobri que a vida não se resume só a produção, produção. Comecei a reconhecer minhas reais prioridades e a cuidar delas.
    Levei para mim muitas dicas do teu blog, e estou tendo a ajuda do GTD e do Evernote também para me organizar (de uma maneira bem ampla).
    Obrigada por tudo.
    Natália

    • Uma frase legal que eu li esse ano, nem lembro onde, foi a seguinte: ninguém, quando está morrendo, diz que gostaria de ter trabalhado mais. Poxa, trabalhar é legal, nos deixa motivados e é sim a razão de vida de muitas pessoas sortudas que têm uma missão e trabalham em prol dela. Mas outras coisas podem ser deixadas de lado por causa disso. A gente tem que equilibrar para não se arrepender depois.

  19. Thais, tenho um irmão mais novo e quando ele estava nas séries iniciais minha mãe sempre dizia que ele tinha que ser o PRIMEIRO da sala, o primeiro em tudo, ser o melhor. Um dia minha mãe descobriu que ele não lanchava no intervalo, não brincava, só ficava sentado; ela foi conversar com ele para saber o motivo, e ele explicou: Na hora de voltar do intervalo temos que ficar em fila e esperar a professora chegar para ela nos acompanhar até a sala, então como eu tenho que ser o PRIMEIRO da turma, eu fico sentado na fila, para ser o primeiro da fila também.
    Entendeu o que isso faz com a pessoa? A criança nem brincava mais porque tinha que ser o primeiro em tudo, o melhor!!
    Sorte que minha mãe percebeu que não era bem aquilo que ela deveria dizer para o meu irmão… hahahah

  20. Amei o texto, mas um parágrafo em especial, sobre a geração Y. Como professora de Ensino Médio, é assustador ver como a maioria de nossos jovens é mimada e tem dificuldade com a hierarquia. Os que começam a trabalhar logo saem porque não admitem serem “mandados”.
    Fica a reflexão para os pais (eu, inclusive, pois tenho um filhote de 7 anos).
    Beijo, Thaís, AMO seus textos.

    • Nem me fala, Nane. E eu que coordenava uma equipe só de galerinha de 20, 22 anos? E assim, eu mesma sou criança da década de 80, não sou tão inadequada à essa geração. Achei difícil! Parece que a adolescência se transferiu dos 15 para os 25.

  21. *complementando…. Pq são protagonistas em suas casas e aí não admitem papéis secundários, que fazem parte da vida.

  22. Oi Thais, era exatamente o estava precisando ler, sou assinante da Você S/A e estou nesta fase “protagonista” assim, e me frustrando!! Obrigada pelo texto, grande abraço!!

  23. Thais,

    Texto fantástico. Muitas vezes penso assim também, estou feliz onde estou, pra quê mais?
    Mas de repente, no meio de tanta gente, tanta pressão, tanta informação, mudo completamente minha ideia, e penso “tenho que produzir!”, “tenho que crescer”, “tenho que subir na carreira”, “tenho que ser gerente”. Será que preciso mesmo de tudo isso? Está tão bom como está agora.. Tenho tempo de curtir minha casa, minha família…

    Parabéns pelo post!

    P.S. Já acompanho há muito tempo seu blog… há mais de 1 ano! Comentei pouquíssimas vezes.. Só quero lhe parabenizar pelos seu trabalho!

  24. Onde tem a opção de curtir mil vezes aqui…rs. Esse pots foi “The Best” na minha opinião. O q seria do mundo se todo mundo fosse Dr.? rs. É sempre aquela cobrança de que “ter” é melhor do que “ser”.

  25. Muito bem dito.
    Obrigada pela resposta que deu ao meu pediod sobre estudos. Um grande abraço.

  26. Oi Thaís,

    Excelente texto, concordo plenamente com você. Já passei por essa fase de ânsia de protagonismo, mas confesso que sou muito mais feliz vivendo com equilíbrio. Vamos aprender a usar o tempo, minha gente! É difícil, eu sei! Vidaorganizada.com tá cheio de dica para ajudar, rs!

    Essa pressão faz com que todo mundo queira um dia com 40 horas, como se isso fosse solução! vou simplificando no que posso para dar tempo de viver em vez de sobreviver!!

    Abçs, e o site continua ótimo, como sempre!

  27. Ótima reflexão Tais. Eu já havia pensado sobre isso também, não tão profundamente quanto você, mas concordo com seu ponto de vista.
    Falo por mim, dou conta das minhas tarefas com muito suor, não tenho como “aumentar minha produtividade”, então nem penso nisso e sou feliz assim.

    Nós simples mortais, donas de casa, mães, sem ajudante, que chega em casa depois de um dia de trabalho e temos mais trabalho pela frente. Como ser mais produtiva na vida profissional sem abrir mão das outras áreas da vida, inclusive a preocupação com a estética e a saúde?
    É muita “obrigação”, não dá pra ser super em tudo, então tentamos ser o melhor possivel, mas dedicação total a uma tarefa é simplesmente impossível.

  28. Ótimo post, Thais! Muitas pessoas buscam apenas o objetivo profissional e acabam não procurando o real objetivo de vida. Na minha visão, é importante montar um plano de vida, onde ali há o campo para trabalho, mas também o campo para você, família, amigos, Deus…

    Escrevi recentemente um post chamado “Do fundo do coração: curta a vida curta” onde tentei resumir essa visão. Iria adorar se você conseguisse me um feedback. (http://rafaeldanigno.com.br/outros/do-fundo-do-coracao-curta-a-vida-curta)

    Abraços!

  29. Nossa adorei o termo: mememe.
    Super concordo!
    Muito bacana o texto!
    Sabe, daria para fazer um texto sobre essa geração do mememe, realmente, fazer o que a gente quer e buscar a felicidade pode ser algo bem frustrante =/
    nem sempre a nossa vida é como imaginamos, o que devemos fazer é aceitar os fatos e tentar melhorá-la de acordo com as nossas potencialidades e possibilidades =]

  30. Thaís,

    parabéns pelo texto, muito oportuno. Interessante é ver como muitas mães, por exemplo, enaltecem certas características dos filhos pequenos, como por exemplo, “nasceu para ser líder”, “é o líder da turminha”. Em rodas de conversa no trabalho, a gente também percebe que as pessoas não querem saber do outro, só querem dizer das suas experiências, como resolvem todos os seus problemas. O texto que uma leitora citou aqui, em inglês, também é ótimo.

    Obrigada,
    Audrey.

  31. O que dizer,simplesmente fantastico texto,obrigada por sempre contribuir.
    Vc faz a nossa vida ser melhor!!!

  32. Sinto-me exatamente assim, Thais: sou servidora pública, quero melhorar minha produtividade de trabalho e de vida (tenho TDA e, sim, enrolo, mas entrego tudo a tempo, bem feito, no ultimo momento de prazo), mas não tenho ambição de ser a melhor, ou a mais rica; até porque ainda não me encontrei profissionalmente. É confortante ler (você) e ouvir (minha terapeuta) dizendo: não, você NÃO PRECISA SER A MELHOR PARA SER FELIZ!
    Ótimo texto.
    Saudações! 😉

  33. Thais, tudo bem?
    Acompanho seu blog há algum tempo, mas não costumo comentar. Porém hj vi esse texto, e tenho certeza que vc o escreveu pra mim! (rs)
    Sempre tive como prioridade a minha vida pessoal, e pra mim o trabalho é um meio de conquistar e manter as minhas prioridades. Isso não quer dizer que não estude, não me capacite, não me dedique… muito pelo contrário! Adoro trabalhar, só não coloco o trabalho acima de tudo (claro que uma vez ou outra isso vai acontecer, mas realmente são situações extremas).
    Eu estava muito insatisfeita com a minha trajetória profissional e conseguir mudar o rumo, indo para uma multinacional no setor de auditoria, e realmente me encontrei lá. Porém, sempre deixei muito claro que não queria chegar à diretoria, muito menos a ser sócia, pois isto me levaria a abrir mão de uma vida. No entanto, após dois anos na empresa, a liderança entendeu que não há espaço para coadjuvantes, e que só querem aqueles que fazem de tudo, mesmo, pelo papel principal.
    Hoje, depois de refletir muito, entendo que o melhor para mim foi ter saído da empresa, pois a minha saúde e bem estar ocupam o primeiro lugar absoluto.
    Pra finalizar, bato no peito pra dizer que sou uma coadjuvante muito feliz com o meu papel, e confiante de que o estou desempenhando da melhor maneira.
    Um grande beijo,

  34. Oi Thais!

    Li seu texto no dia em que ele foi publicado, mas levei uma semana pra comentar porque não achava o link de um texto que tinha lido, que trata justamente dessa infelicidade da geração Y : http://www.huffingtonpost.com/wait-but-why/generation-y-unhappy_b_3930620.html

    Eu pelo menos não senti muito disso na minha criação, mas vejo muitos que hoje estão entre os 25~30 anos que acreditam piamente que o mundo foi feito para girar ao redor deles – e descobrem depois duramente que a vida não é assim tão gratificante quanto papai e mamãe prometeram que seria…

  35. Olá Thaís, gostei do seu texto mas discordo da parte em que vc critica o fato de essa nova geração ter foco na felicidade, acho isso muito positivo! O que é realmente ruim é que as pessoas acham que é necessário muito para ser feliz, quando na verdade a felicidade está nas pequenas coisas.
    beijos

  36. Sabe que esta leitura me fez sentir mais aliviada com relação a toda esta pressão diária. Faz tempo que penso não querer mais correria do que já tenho mas sempre vem a dúvida: será que não posso fazer mais e estou me acomodando? Mas ando tentando me convencer de que tenho este direito se assim me faz bem. Adorei o texto.

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