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Meu marido e eu estamos fazendo algumas reflexões sobre a compra do apartamento e, como envolvem organização, eu gostaria de compartilhar com vocês. Pessoal, quando eu compartilho coisas pessoais aqui no blog, o faço porque acredito que certos pontos possam ser úteis para quem lê, pois esse é o propósito do blog. Não posto nada para “me mostrar” ou ser julgada, especialmente porque o blog é sobre como ter uma vida organizada, não uma vida ideal. Deixo esse aviso porque muitas vezes tenho a impressão que blogueiro é confundido com pessoa pública, e as pessoas não medem palavras para fazer críticas, e algumas acabam me chateando. Sei que quem tem blog está dando a cara a tapa, mas é importante a gente lembrar que tem uma pessoa do outro lado escrevendo, e sempre é bom ser gentil e ter um pouco de consideração e respeito. Não estou dirigindo essa mensagem a ninguém em especial, mesmo porque os leitores do blog são super bacanas – mas é que venho acompanhando outros blogs e ficando um pouco chocada com o nível de críticas que as pessoas recebem por simplesmente terem um blog famoso na Internet. Aqui no blog são muito, muito minoria, mas acontecem também. Enfim.

Aspectos financeiros

A primeira reflexão é financeira, e é a seguinte: eu acredito que a melhor maneira de se comprar um imóvel é conseguir economizar um bom dinheiro para dar como entrada, de modo que as prestações fiquem mais leves. Conheço poucas pessoas que conseguiram comprar um imóvel à vista, que certamente é o ideal, mas no geral a maioria de nós não tem esse valor total e acaba entrando em um financiamento ou consórcio. Algumas pessoas me perguntaram se a gente não teria interesse em fazer um consórcio, e minha resposta é que consórcio é uma solução excelente para quem não precisa do imóvel agora. No nosso caso, gostaríamos de trocar o aluguel pelo financiamento, pois não dá para ficar com as duas despesas ao mesmo tempo.

O fato é o seguinte: um imóvel pelo qual você pagaria, por exemplo, 800 reais de aluguel, em um financiamento pode ter uma parcela de uns 2 mil reais. Isso é triste, mas é a realidade. Logo, você acabará escolhendo um imóvel menor do que o que você mora (de aluguel), pois desta forma as parcelas cabem dentro do seu orçamento.

Aqui em casa, o que decidimos foi o seguinte: não vamos comprar um apartamento cuja parcela fuja muito do que pagamos de aluguel. Assim, vemos como uma troca mesmo. Se você está passando pelo mesmo que eu, o raciocínio pode ser válido.

No geral, o recomendado pelos especialistas em finanças é que você more de aluguel em um lugar barato (ou equivalente ao que você poderia comprar) e economize dinheiro para dar como entrada. Posso falar pelo nosso caso aqui que esse sistema não funciona por alguns motivos. Primeiro, que podemos contar somente com a minha renda, praticamente. Meu marido é autônomo, está passando por uma reformulação de carreira, enfim, não vem ao caso – mas contamos praticamente só com a minha renda. Então assim, não sobra muito, né minha gente. O que eu consigo guardar, se fôssemos esperar para dar como entrada, levaria muito tempo (segundo). (Terceiro) eu prefiro guardar nosso dinheiro para ter uma reserva financeira de emergência, isso sim mais importante que comprar qualquer bem, especialmente apartamento.

Para quem não tem muitos gastos, consegue guardar um bom dinheiro todo mês e não tem interesse em financiar um imóvel no momento, com certeza a melhor coisa é guardar esse dinheiro para ter uma boa entrada para dar lá na frente. Se você estiver fazendo isso, com certeza é o ideal. Não gaste seu dinheiro com muitas bobagens.

Então temos a seguinte decisão: pagar o financiamento do apartamento, mesmo com juros, é mais interessante no momento que guardar dinheiro para dar como entrada daqui a cinco ou dez anos. O que estamos pagando de aluguel + guardar dinheiro é um valor que preferimos converter na compra já do nosso imóvel. Foi uma escolha pessoal, não digo que seja certa para todas as pessoas, mas para nós se tornou a melhor opção.

Tenho um amigo que diz que, se a gente pensar no que vai pagar de juros, a gente acaba não comprando. Entendo o ponto de vista dele que é o de focar nas parcelas e esperar pelo melhor. Porém, há algo a se considerar, que é ter uma reserva financeira para se manter caso fique desempregado etc etc. Entrar em um financiamento dá um certo medinho, porque é uma dívida longa e enorme, então é importante estar preparado para isso.

Por fim, nós pretendemos comprar um apartamento cuja parcela seja equivalente ao que pagamos de aluguel. Nossa carta de crédito nem é tão alta, então o valor das parcelas fica parecido com o que pagamos mesmo. Mas aí entra outra questão, que é a espacial.

Aspectos espaciais

É muito chato descobrir que, com a parcela do seu financiamento, você poderia morar de aluguel em um imóvel muito melhor. Meu conselho com relação a isso é: desapega! No final das contas, trata-se de um choque de realidade, pois mostra que você vive dentro de um padrão de vida que não condiz com as suas possibilidades.

Nós moramos em um apartamento bacana, com três quartos e cerca de 70 metros quadrados, em um bairro bom. Nós escolhemos essa localização por ser perto do meu trabalho, mas também perto da região central, e a opção pelo terceiro quarto foi porque eu trabalho bastante em casa e preciso de um canto meu para guardar minhas coisas de escritório e trabalhar com a porta fechada quando necessário. Porém, com toda a sinceridade, estou começando a repensar esse modelo. Fico me perguntando se não temos coisas demais e se não poderíamos viver em um imóvel menor, com menos coisas, menos complicações. E mais barato, claro.

Meu marido é muito mais radical que eu nesse ponto e, por ele, já estaríamos morando em um apartamento menor. Sei lá, há alguns anos eu acreditava que a maioria das pessoas poderia morar tranquilamente em kitnets – afinal, o ser humano precisa somente de abrigo e um lugar para se alimentar. Eu sinceramente ainda penso dessa forma, mas com um filho, as coisas ficam diferentes. Ele dorme mais cedo, tem outras necessidades, enfim. Mas aí, quando paro realmente para pensar, vejo que dois quartos são suficientes, e a coisa do escritório é contornável. Posso fazer um canto na sala e, quando precisar fazer alguma atividade reservada (reuniões, por exemplo), posso ir para o quarto, pois trabalho com um notebook, não com um computador de mesa.

E aí vocês podem imaginar o santo desapegador baixando na Thais, né? Já comecei a enxergar tudo com outros olhos, e até mesa de jantar está indo para a lista de itens desnecessários. Estou diminuindo a papelada, questionando a manutenção de certas coisas até então consideradas sagradas (discos, livros) e pensando que, no final das contas, o importante é o bem-estar da minha família. Quem diria que uma decisão como essa (de comprar o apartamento) levantaria tantas reflexões interessantes. Vale a pena se questionar sobre a quantidade de coisas que tem, sobre o quanto paga de aluguel, de faxineira (porque o imóvel é grande), entre outros aspectos.

Tem sido um desafio e tanto para a gente esse momento, pois estamos procurando imóveis, visitando, conhecendo outros bairros que até então não tínhamos levado em conta. Não temos pressa, pois estamos bem onde moramos. Só vamos sair se realmente valer a pena, e eu espero poder escrever sempre sobre todo o processo aqui para vocês.

Obrigada por tudo, pessoal.

Thais Godinho
09/09/2013
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  1. Glaucia 11/09/2013

    Oi Thaís, eu sou uma que acredito que investir em imóvel próprio para sair do aluguel seja a melhor estratégia.
    Obviamente a especulação imobiliária existe, e chega ser exorbitante as vezes. Mas o fato é que os preços no máximo vão estabilizar, após um periodo de valorizações, salvo a ocorrência bolha imobiliária idêntica ao que o EUA passou. (Nao sou de finanças mas acredito estarmos em situações diferentes)
    Alguns dizem que quem investe em imóveis não perde dinheiro, seja pela valorização (que certamente ocorrerá) ou mesmo pelo fato de não ter que pagar aluguel, valor que enriquecerá somente o locador.
    Obviamewnte temos que prestar atenção no mercado de imóveis e o risco da tal bolha imobiliária.
    Tenho pouca experiência nesses negócios mas todas a negociações que fiz eu tinha um lema: vou comprar pensando em vender!
    Nao que eu faria isso, mas usava esse raciocionio mais especificamete projetando a questao financeira a longo prazo, pois considero os aspectos subjetivos e minhas necessidades na hora de comprar e os que me trariam maior retorno na hora de vender. Fazendo uma conjugação desses fatores chego a um resultado. É engraçado até, mas quando vou comprar um imóvel logo busco como esta o mercado dele para a venda, se possui demanda, preços, demanda de quantos quartos, entre outros fatores. Com o resultado saberei se terão maiores valores de metro quadrado ao vender, caso queria me desfazer dele por algum motivo ou porque não atende minhas necessidades.
    Ja mudei de varios locais e sempre funiconou devido as valorizacoes que obtive e caracteristicas do imovel. Logicamente isso é o que funciona pra mim, não necessariamente se aplica aos outros. Infelizmente nem sempre considerei integralmente as minhas necessidades. Abri mão de comprar um apartamento de dois quartos porque um studio era mais valorizado em termos de valores de metro quadrado pra vender. E atualmente no apartamento que moro nao desmanchei um quarto para aumentar a sala porque apartamento de dois quartos aqui na minha cidade tem mais dificuldade na venda. Para algumas pessoas é dificil desapegar das necessidades. Enfim, é questão de estudar as necessidades e demanda e ajustar a parte econômico-financeira.
    Abraços!

  2. Wilma 11/09/2013

    Lembrei-me de outra questão. Procurar imóveis em Imobiliárias/Corretores, eu percebi que eles primeiro tentam mostrar os encalhados e se bobear nos convencem, também percebi que na Internet muitos bons imóveis não são disponibilizados…etc e etc
    Como você pretende escolher? Hoje penso que faria da seguinte maneira: escolheria o bairro, a rua, o prédio e tentaria descobrir algum em disponibilidade pra venda com porteiro, vizinhança, placas… ah e não se pode deixar de levar em conta o IPTU, o Condomínio e algum processo em andamento com dívidas para os condôminos, analisar balancete do condomínio e possíveis inadimplentes contumaz…principalmente se o prédio for de poucos moradores.

  3. Thyeme Figueiredo 11/09/2013

    Oi Thais! Em primeiro lugar, adorei o que você escreveu no primeiro parágrafo. Não acho que você precise se justificar por falar um pouco mais da sua vida pessoal, afinal é um blog. Mas entendo perfeitamente a questão dos comentários maldosos. Meu blog ainda é pequeno e ainda não me deparei com esse tipo de coisa, mas tenho visto muito isso em outros blogs, como você falou, e não consigo compreender como as pessoas conseguem se sentir no direito de serem tão cruéis. Adorei o post por inteiro. Trocar o aluguel por um imóvel próprio é a vontade de quase todo mundo, o difícil é mesmo se organizar direitinho. Seu blog tem me ajudado bastante nesse quesito 🙂 um abraço! Thyeme

  4. patricia 11/09/2013

    Olá Thaís! Gostaria de compartilhar com vc uma dica que me deram quando fui comprar meu Apê: Verifique se há algum imóvel nos bairros mais próximos (do que o bairro que você realmente quer)com um preço mais acessível… muitas vezes mudando só “um pouquinho mais pra lá” (rs) vc consegue uma exonomia considerável. Outra eu mesma aprendi com um amigo que é construtor: Veja se o imóvel que vc vai comprar não tem um quarto cuja estrutura possa ser alterada com uma “dry Wall”… vc consegue um comodo extra! é o que pretendo fazer lá em casa: Pego um pedaço do quarto e vai virar um (mini) escritório… Claro que vai ser bem pequeno, praticamente o espaço para a escrivaninha, estante e PC, mas com porta para meu marido, que trabalha em casa, ter mais privacidade… bem, “pitaqueira-mor” se despedindo … # ficadica! bjim

  5. Adélya 12/09/2013

    Ois Gostei muito do post! Vc fala de tudo com muita lucidez, leitora anonima assídua!

  6. Ida Luize 15/09/2013

    Thais! Parabéns pela sua dedicação e generosidade! Tem blog é minha inspiração diária!

  7. Michele 01/11/2013

    Olá Thais, sou arquiteta e odeio essa mania de brasileiro pagar mais do que merece por apartamentos, bens de consumo etc.
    Imóvel tem o seu valor, especulação imobiliária é o que estão fazendo de inserir certos “benefícios” dentro do empreendimento como piscina, área de lazer etc. Isso não agrega valor no imóvel no valor final.
    Nas aulas de faculdade, os professores mandavam a gente fotografar o local do projeto, de manhã, à tarde e a noite, conhecer a sua vizinhança, seus problemas com estrutura, água e coleta de lixo. Visitar fim de semana, ir sábado a noite, domingo a noite enfim…dá um trabalhão. Mas estamos falando de um imóvel, seu bem mais precioso. Um bem que demora mais de vinte anos para pagar. Um bem que você deixará para o seu filho.
    Depois disso você fará uma triagem, sempre aconselho escolher Arquiteto para ver o local e não o corretor, pois ele quer vender e o Arquiteto pensará no seu bem estar.
    Eu prefiro apartamento em prédio antigo ou um novo com uma super layout, ou seja eu posso colocar o sofá onde quero, a cama onde quero. Prédio simples apenas com garagem também é uma boa ideia. Fuja dos grandes condomínios, pois a taxa para piscina e outros itens como brinquedoteca e área gourmet é caríssimo.
    Vou usar um exemplo: eu vi um apartamento na Tijuca, Rio de Janeiro em 2005, com o dono falecido, de 120m2, dois banheiros, dependências de empregada, uma sala com 30m2 ( isso mesmo 30m2) e um quarto de casal com 20m2 ( isso mesmo 20m2). pé direito de 3,15m, e a construção era dos anos 40. Parquinho na frente do prédio com caixa de areia e ao lado do colégio batista ( o melhor da Tijuca). Para melhorar a rua era arborizada, sem ônibus e ainda tinha uma queda d’água natural na altura da janela do quarto de casal. Tinha problemas? Claro. Tinha que refazer o encanamento ( todo em ferro barbará) e a fiação. Não tinha estacionamento ( comum em apartamentos antigos) e sem varanda. Na época estava se pedindo 170mil e tenho certeza que o valor quadruplicou hoje. Na época não tinha dinheiro nem para a entrada e fiquei super triste por isso.
    Hoje moro em outra cidade e estou me policiando para economizar para a entrada. Se você quer um bom apartamento, se prepare para o leilão ao contrário, pagar mais do que eles pedem, dê uma boa volta de onde você quer apartamento fuja das corretoras e procure um bom profissional. Imóvel bom já tem comprador e não passa pela corretora, vai por mim.