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Imagem: Vanity Fair

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Recentemente li o livro da Sheryl, “Faça acontecer” (Companhia das Letras) e demorei um pouco para escrever sobre ele aqui porque me despertou uma série de sentimentos que eu não tinha experimentado antes. O livro é muito diferente do que eu pensava, no bom sentido. É um livro feminista. Outro dia uma leitora comentou que eu sou muito tendenciosa sobre esse assunto mas, como a Sheryl, eu descobri que tenho uma missão ao falar sobre organização da casa, da família, da vida, enfim, que diz respeito à igualdade de gênero, então o blog acaba ficando tendencioso mesmo. Espero contribuir um pouco para mudar a mentalidade que a nossa cultura tem sobre tarefas domésticas e outras coisas do tipo, desde sempre associada às mulheres.

Para quem não a conhece, Sheryl é a chefe de operações do Facebook. E, segundo ela, Mark Zuckeberg tinha 7 anos quando ela se formou na faculdade. Só um fato engraçadinho de citar.

Quanto ao livro, me ensinou questões importantes. Ela comenta sobre a sua trajetória e tudo o que aconteceu para ela ser quem ela é, e os aprendizados que teve pelo caminho. Para todas as mulheres, é um livro importante. Ela fala sobretudo sobre como as questões de gênero ainda influenciam no mercado de trabalho e como nós, mulheres, podemos lidar com todos os problemas relacionados. Eu sinceramente nunca tinha lido nada parecido! O famoso dilema de “mães que trabalham” sempre carrega um lado mais pessimista, mas foi reconfortante ler que é normal, é ok, é saudável investir na sua carreira. E o principal ponto: que as mulheres devem apoiar as escolhas umas das outras em vez de julgarem umas às outras. Uma mãe que deixe sua carreira em standy-by tem todo o direito de fazer isso, se foi sua escolha, assim como a Marissa Mayer tem todo o direito de ter uma semana de licença-maternidade, desde que não use isso como regra para todas as funcionárias do Yahoo!, por exemplo. Cada caso é um caso, e devemos nos unir e apoiar o direito de escolha que nós temos.

Imagem: Getty Images

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“Ninguém se lembra que a Marissa Mayer tem um marido que sabe cuidar bem dos filhos, obrigada!”

Um ponto que me chamou a atenção foi a questão da auto-sabotagem que as mulheres fazem consigo mesmas. De acordo com a Sheryl, desde a infância as meninas são educadas para acreditar que não são capazes de chegarem ao topo e, quando o fazem, recebem rótulos e são enquadradas em estereótipos. Nós acabamos nos sabotando por questões simples, por acharmos que não merecemos, porque queremos ter um filho em dois anos, porque não somos tão agressivas etc.

Outro ponto que ela cita é a estrutura familiar. Pela primeira vez, leio uma alta executiva falando sobre a importância de ter um companheiro que seja parceiro de verdade. Que não a sabote, que colabore, de forma que ela possa investir na sua carreira e que ambos possam cuidar da casa e dos filhos. Eu acho essa questão fundamental quando a gente fala de fazer acontecer – versão para mulheres! Porque de nada adianta você ter espírito de liderança e empreendedorismo se não recebe apoio da pessoa que você ama e resolveu um dia dividir a vida. E ela também fala que a maioria das executivas de sucesso são casadas, o que vai um pouco contra aquele estigma de “quando sua carreira vai bem, seu relacionamento vai mal”. Parceria é a chave.

Sei que os homens acabam sofrendo com isso também porque temos esse exemplo em casa. O tempo todo ouço perguntas como “como você consegue dar conta de tudo?” ou “o seu marido não se sente mal por não ser o provedor da casa?” (o que eu acho absurdo, mas acontece o tempo todo!). Aliás, adorei o desabafo dela sobre essa questão da pergunta “como você consegue?”. Ela disse que fica até ofendida, e entendo demais o conceito porque muitas vezes me sinto assim. Por causa do blog, muitas pessoas me perguntam: “como você consegue dar conta de tudo?”, e a resposta envolve tantos conceitos que não sei direito nem por onde começar a responder! Mas é fato que estamos falando de boa-vontade, senso de aproveitamento da vida e, principalmente, companheirismo. Porque eu não poderia fazer 90% do que eu faço se não fosse pelo apoio do meu marido.

Imagem: NY Mag

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“A maior decisão de carreira que você pode tomar se você vai ter um companheiro de vida é quem será esta pessoa”.

A principal sensação ao terminar de ler o livro foi de alívio! Sim, alívio! Por saber que não estou sozinha. Por saber que eu tenho permissão para trabalhar muito, para ter muita coisa para fazer, para ir trabalhar depois que o meu filho foi dormir. Eu confesso que me achava um pouco anormal e até me sentia culpada por isso, mas é normal. Todo mundo chega em um momento da vida que o trabalho não se resume ao seu período de oito horas no escritório, especialmente se você tem um alto cargo executivo, duas carreiras (meu caso) ou um negócio próprio. Essa é a vida! Não tem que ficar se culpando. E confesso que eu precisava ler isso. Estava me sentindo muito culpada por ter aceito diversas oportunidades profissionais que apareceram porque, ei, sou competente! Eu estava achando que não merecia e que não deveria aceitar por n motivos, todos insustentáveis. Resolvi aceitar e tem muita coisa acontecendo, porque a vida é assim mesmo. E, quando eu leio textos como esse, sei que precisamos falar sobre isso. Simplesmente precisamos.

Assuntos que provocam mudanças são difíceis de serem tratados e não é todo mundo que gosta de falar sobre isso, mas é necessário. Não dá para a gente mudar tudo, mas podemos pegar algumas ramificações e trabalhar nelas da melhor forma possível, e eu escolhi essa bandeira, entre outras. A própria Sheryl diz no livro que nós não devemos ignorar esse assunto. É chato, algumas pessoas não entendem, mas precisamos falar, justamente porque estamos focando em igualdade. Como uma mulher que tem o mesmo cargo que um homem ainda ganha menos em uma empresa pelo simples fato de ser mulher? Isso é um absurdo e faz um efeito terrível na auto-estima. Então é por isso que precisamos falar. Esse cenário tem que mudar.

Especialmente as mulheres que são mães se sentem culpadas com relação ao trabalho e outros assuntos. Sentem-se culpadas por fazer qualquer atividade que não tenha a ver com seus filhos, e isso precisa ser pensado. Homens também têm filhos e ninguém os julga caso tenham uma vida profissional próspera, viajem a trabalho ou trabalhem até tarde em casa. Todos estamos batalhando nesse mundo maluco de hoje e, assim como as chances devem ser iguais para todos, os sentimentos também. Ninguém é perfeito. E, aliás, um dos meus lemas foi retirado justamente de um texto que li sobre o Facebook uma vez, e que a Sheryl repete no livro: feito é melhor que perfeito. Gente, isso se aplica tanto a tudo hoje em dia.

Eu recomendo muito a leitura desse livro  porque me despertou insights incríveis a respeito da minha vida, da minha relação com a carreira e com a minha família. Valeu demais a pena ter lido – e agora eu espero um da Marissa Mayer, quando ela tiver um tempinho para escrever.

Imagem: IBN Live

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“Toda mulher, eu sei, se sente culpada com relação às escolhas que está fazendo, incluindo eu mesma. Na verdade, eu me sinto tão culpada que escrevi um livro inteiro sobre isso.”

Alguns outros textos sobre o livro que gostei muito:

Mais alguém já leu esse livro? O que achou?

Thais Godinho
20/08/2013
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