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Acredito que seja claro para 99% dos leitores que uma das pessoas que mais me inspiram é a Martha Stewart. Para quem não a conhece, ela é uma apresentadora de TV, escritora e empreendedora americana que construiu um verdadeiro império em torno dos assuntos casa, decoração, confeitaria, organização, jardinagem, casamentos, entre outros. Seu negócio, segundo ela, é baseado em tudo o que ela ama, e esse é um conceito que eu tento trazer para a vida.

Eu listei neste post então as lições que aprendi com ela e que posso aplicar à organização no geral. São elas:

1. Gostar de coisas boas

A Martha tem uma espécie de bordão, que é “it’s a good thing” (é uma coisa boa). Se não me engano, ela até patenteou o termo “good thing”, pois ela usa muito. Toda a sua empresa é baseada em coisas que ela considera boas. É ok você gostar de um waffle com nutella no café-da-manhã, porque é uma coisa boa. Também pode ser uma experiência confortável receber seus amigos para jantar em casa no inverno. Como fazer isso? Que comidinhas fazer? Que bebidas servir? Sobremesa? E os pratos, quais irá usar? A toalha vai combinar com os guardanapos..? Enfim, entreter é uma coisa boa. Para quem gosta. E é isso o que ela fala: gostar de coisas boas é uma coisa boa!

2. Ser apaixonada pelo que faz

A gente sempre ouve dizer que, quando faz o que ama, não é trabalho. Nós também achamos que quem consegue trabalhar com o que ama é sortudo, e não obstinado, dedicado e sonhador. Porque é tão difícil né? Na vida real, temos contas a pagar, tempo mínimo e disposição zero. Mas é importante sim sempre termos um norte – aquela direção que nos serve de consolo quando deitamos a cabeça no travesseiro depois de um dia ruim. Aquele objetivo pelo qual trabalhamos. Sim, ele existe para todos nós, nos mais variados níveis! E isso sim significa ser apaixonada(o) pelo que faz! É fazer tudo ao seu alcance em busca daquilo que você quer para você, para sua família, para ser, ter e fazer aquilo que acha certo.

3. Sempre ter uma visão macro e uma visão micro das situações

Hoje eu vejo como muitas atitudes minhas foram prematuras quando eu era mais jovem. Eu sei que essa frase foi um completo clichê, porque afinal, que jovem não é imprudente? São raros. Mas eu atribuo tudo isso pela falta de visão micro/macro ao precisar tomar qualquer tipo de decisão. Hoje, ao ter objetivos de longo, médio e curto prazo, eu sei para o que eu preciso dizer sim ou não. Quando somos jovens, toda oportunidade é uma chance de mostrar ao mundo a que viemos ou, até mesmo, tentar descobrir por nós mesmos. E é por isso que nem todo mundo consegue se organizar desde cedo, trabalhar, cursar uma faculdade que realmente queria, fazer um estágio, ou passar em um concurso público, além de todas as outras infinitas possibilidades profissionais.

Pensar no que eu poderia ter feito não me levará a lugar nenhum e eu procuro não alimentar esse tipo de pensamento. O que importa agora é analisar a situação macro (objetivos de longo prazo, quem eu quero ser, onde quero estar) e aplicar na situação micro (o agora, o próximo).

4. Ensinar outras pessoas

Sempre gostei muito de compartilhar o que eu aprendo. Não sei explicar, mas é algo que tenho desde pequena. Sempre montei revistinhas, tive diário, participei do jornal da escola, produzi fanzines e, depois, sites e blogs. O próprio Vida Organizada nasceu dessa vontade de compartilhar as maravilhosas dicas de organização que eu estava conhecendo. E por que eu faço isso? Sinceramente, não consigo explicar em uma única frase. O que eu acho é que o mundo é enorme, somos em mais de sete bilhões de pessoas e existem MUITOS problemas a serem resolvidos. Não podemos resolver todos mas, se conseguirmos ajudar em algo, em uma parcela mínima, acho que já é bastante coisa. Então é um pouco o que eu acredito ao fazer minha parte por aqui.

5. Estar sempre apresentável

Eu já tive durante muito tempo aquele pensamento de que não preciso usar maquiagem, não preciso fazer isso ou aquilo, vestir roupa tal, pois o importante é o conteúdo. A vida me ensinou que não é bem assim. Cuidar de mim mesma mostra que eu me importo, e isso mantém minha auto-estima alta. Com a auto-estima alta, eu consigo ter mais pique para cuidar da minha vida diariamente (quem não?). Estar bem apresentável também proporciona uma sensação visual confortável para quem lida com você: família, colegas de trabalho, pessoas na rua. Não se trata de “ser quem não é”, mas de se cuidar. O nível que isso vai ser feito depende muito da personalidade de cada um. Mas eu aprendi que ficar sem fazer isso não é legal e não passa uma imagem superior de “não me importo com isso”, como muitas vezes pensamos. Hoje pelo menos eu penso assim.

Quando eu trabalhava em casa, costumava me levantar e ficar de pijama algumas vezes. Eu percebi que a minha produtividade piorava muito quando isso acontecia, então passei a me vestir como se fosse sair para trabalhar todos os dias. Isso faz uma diferença enorme! E, se você precisar sair de última hora, não precisa tomar banho, se arrumar e trocar de roupa, porque já estará pronto(a)!

6. Qualidade é importante

Sempre quando eu vou escrever um post para o blog, eu me pergunto se ele está com a melhor qualidade possível. Ortografia, coesão, elementos informativos suficientes, entre outros fatores. No meu trabalho, sempre me pergunto se, eu fosse dona da empresa, meu trabalho estaria me deixando satisfeita. Quando eu preparo uma refeição para a minha família, eu corto os ingredientes com amor, procuro usar sempre as partes mais fresquinhas, e cozinhar com cuidado. Ao limpar a casa, longe do perfeccionismo, mas eu tento sempre fazer o meu melhor. Se eu vou limpar a pia do banheiro, por exemplo, eu limpo direito – não deixo um pedaço de pasta de dente grudado ali. Essas pequenas coisas. Qualidade é sempre uma escolha diária, que fazemos o tempo todo. É um padrão que eu gosto de ter e que aprendi com a Martha também.

7. Saber trabalhar em equipe

Para todo trabalho solitário, existe uma equipe competente dando suporte por trás. Mesmo que você execute uma tarefa sozinha(o), você depende de outras pessoas para diversos assuntos. Saber se relacionar é importante. Isso vale para as tarefas domésticas também.

8. Focar no lado positivo

Imperfeições acontecem todos os dias. Muitas vezes, o que tínhamos planejado não sai como o esperado e imprevistos aparecem. Não podemos deixar a peteca cair! Se a cebola que você tinha comprado para preparar o almoço veio com um pedacinho estragado, corte fora e use o resto! Não deixe a cebola estragar a sua refeição! E sim, essa foi uma metáfora para diversas áreas da nossa vida. Eu aprendi a desapegar de certas atitudes e continuar com o jogo quando o imprevisto me alcança. Ser organizado(a) não significa ter controle de 100% do que é a sua vida, principalmente porque isso é impossível! Ser organizado(a) é ter foco e saber o que fazer nas mais diversas situações. Quase uma virtude de resiliência e adaptação. E focar no lado positivo quando os problemas acontecem é o que mantém o bom-humor e a vivacidade ao realizar tarefas e correr atrás de sonhos.

9. “Make it beautiful” – faça bonito

Isso lembra um pouco do que eu falei sobre qualidade, mas o fazer bonito é mais por uma satisfação pessoal mesmo. É fazer algo para ter orgulho de ter feito. Não consigo explicar nada mais além disso, mas eu tenho certeza que você me entendeu! Faça o que fizer, faça bem faça direito, faça bonito! Realizar qualquer coisa desta forma nos traz uma sensação de conquista maravilhosa e eu aprecio muito sentí-la com uma certa frequência. =)

10. Eu não preciso ser perfeita para ser organizada

No final das contas, algo muito importante que a Martha me ensinou é que ela é somente um ideal. Ela tem uma equipe gigantesca para trabalhar em seu site, nas suas revistas e blogs. Fotógrafos incríveis, jornalistas, escritores, editores, decoradores, artesãos e cozinheiros. O que ela passa é a imagem ideal, do sonho, do bom gosto, do chic, daquilo que achamos lindo de se ver. A vida real é assim? Não! Mas é bom ter um patamar muito acima do nosso para vermos todas as possibilidades que existem.

Além do que, quando eu li seu primeiro livro, o Entertaining, dá para ver como ela era uma pessoa simples – mesmo quando já “bem de vida”. Ela morava em uma fazenda enorme, mas cuidava pessoalmente da horta, das plantas, tinha uma cozinha cheia de cacarecos e ervas secando no teto, penduradas.

Ela não era perfeita. E continua não sendo. Ela é somente uma pessoa incrível, que ama o que faz e que construiu uma equipe competente. Eu espero que essas sejam as palavras usadas para me descrever também um dia. =)

Thais Godinho
28/03/2013
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