ou

Hoje é o Dia da Mulher.

Tive a ideia para este post ouvindo um bate-papo sobre dicas de gestão do tempo para mulheres, que me deixou tão frustrada que sequer guardei o link. Prometo que, se encontrar novamente, eu edito aqui no post. Mas, basicamente, o entrevistador forçava o entrevistado com perguntas como:

“Éééé não é fácil para as mulheres se organizarem com tantos afazeres, trabalho no trabalho, trabalho em casa, cuidar do maridão”
“As mulheres têm essa jornada dupla, até tripla de trabalho, têm que se organizar”
etc.

Então me bateu um estalo sobre esse tipo de conceito que vem sendo reforçado já há algum tempo. Será que a revolução feminista é somente para a mulher ter o direito de escolher trabalhar? Ou será que vai muito além? Será que a revolução feminista não é, na verdade, uma revolução de gêneros? Porque, afinal, a mulher não merece fazer jornada dupla não, minha gente. Ninguém merece. A mulher começou a trabalhar fora de casa mas, quando chega, precisa cuidar de tudo, enquanto o homem continua apenas trabalhando fora e, quando chega em casa, ainda tem a mulher “para cuidar”?

Por isso, hoje, eu, Thais, proponho que a gente comece uma campanha contra esse estereótipo da mulher multitarefa que acumula jornadas e muitas atividades. Homens e mulheres têm vidas com as mesmas atividades. Uma executiva que tem um filho significa que existe um pai desse filho também. Ele não trabalha? Ele não precisa de seis meses de licença paternidade? Ele não pode se ausentar para levar o filho ao médico? Ou ir à reunião de pais?

Toda vez que eu escuto alguém falar que as mulheres levam vantagem no mercado de trabalho “porque sabem fazer muitas coisas ao mesmo tempo”, eu considero isso um pensamento muito perigoso. Todo ser humano, independente do seu gênero, pode ser capaz de “se virar nos 30” e fazer muitas coisas ao mesmo tempo, porque a nossa vida hoje, em plano século XXI, é maluca e cheia de informação. Não só as mulheres. Atribuir essa qualidade a uma mulher é o mesmo que dizer “continua se virando por aí que eu continuo descansando por aqui”.

No final das contas, o discurso feminista sempre bate no mesmo ponto: direito de igualdade. Somente isso.

Ninguém ajuda ninguém nas tarefas de casa. Quem mora na casa deve ajudar. É trabalho em equipe.

Não é só a mulher que tem jornada dupla ou tripla. Homens também trabalham fora, habitam casas e têm filhos.

Fico contente de estar vivendo em uma época onde há tantas pessoas engajadas nesse movimento e vendo muitas coisas mudarem. Mas ainda falta muito. Depende de todos nós, mães e pais de meninos e meninas, ou simplesmente cidadãos do mundo. Exerçamos em nossa casa, em nosso trabalho, o direito de ser seres humanos iguais.

Para de dizer que mulher é eficiente porque sabe fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
Pare de reforçar o pensamento de que mulher tem duas ou três jornadas de trabalho.
Pare de dizer que o sonho de toda mulher é constituir família e ter filhos.
Pare de dizer que rosa é de menina e azul, de menino.
Pare de dizer que menino não pode brincar de boneca, ou de comidinha, ou de casinha.
Pare de colocar as meninas da família para lavar louça enquanto os meninos estão vendo televisão.
Pare de dizer que uma mulher deve se valorizar.
Pare de dizer que é papel da mulher cuidar do marido.
Pare de dizer que lugar de mulher é na cozinha, ou no tanque.
Pare de dizer que uma mulher que foi vítima “mereceu”.
Pare de dizer que “mulher minha não faz isso”.
Pare de julgar outras mulheres pela sua liberdade sexual.
Pare de julgar uma mãe que trabalha fora.
Pare de julgar uma mulher que contrata uma faxineira.
Pare de julgar uma mulher que largou a carreira para cuidar do filho.
Pare de julgar uma mulher que fez escolhas.

Feliz Dia da Mulher.

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Thais Godinho
08/03/2013
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