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Ser uma pessoa organizada não é ter uma casa em ordem e limpa o tempo inteiro (consigo ouvir os “ooohs” de fundo).

Especialmente se você tem filhos, você precisa aceitar que a sua casa não ficará arrumada 100% do tempo, a não ser que você tenha uma empregada que cuide de tudo para você. Para a imensa maioria dos mortais, no entanto, a limpeza e a arrumação diárias ficam por conta dos moradores mesmo, sejam um ou oito.

Organização tem a ver com funcionalidade, não com beleza, aparência, limpeza, arrumação. Ser organizado(a) é criar sistemas que facilitem o dia-a-dia. É possibilitar a arrumação. Explico: se as suas revistas ficam empilhadas em um canto da sala, isso significa que não existe uma solução para guardá-las. Organizar é encontrar essa solução. O que você vai fazer depois é que é arrumar, mas não é possível arrumar o que não está organizado. Porque oras, é muito fácil jogar todas as tranqueiras dentro de uma caixa de plástico e achar que a casa está organizada. Não está. Está arrumada, mas a tralha continua ali. E, possivelmente, no dia em que você precisar de algo que esteja ali dentro, nunca vai encontrar.

Outro dia o meu marido estava reclamando que era a terceira vez que ele recolhia os brinquedos do nosso filho pelo quarto. Eu disse a ele: “Se ele ainda está brincando, por que você se preocupa em recolher agora? Deixe para guardar de uma vez, mais tarde”. Esses pequenos desapegos revolucionam o nosso dia-a-dia. E é claro que, fazendo uma única vez, você ainda ensina a criança a guardar junto com você. Agora tenta ficar indo toda hora atrás de um mini-humano de dois anos pedindo para ele guardar isso e aquilo. A organização não deve nos deixar estressados – muito pelo contrário. Ela serve para facilitar, tornar nossos dias mais tranquilos. Se você estiver se estressando por causa disso, reveja o que está fazendo.

Aí depois entra a boa vontade também, é claro. Se eu tenho um sistema de arquivamento de contas, eu não vou bagunçá-lo, porque sei que ele funciona. Eu sei que, se eu não guardar a conta que eu paguei na minha pastinha, ela vai ficar jogada e perdida por aí. Então qual é o ponto? O mínimo esforço diário para arrumar as coisas já mantém tudo funcionando, mas isso só é possível se você encontrou soluções anteriormente. É o exemplo que eu não canso de dar aqui no blog: não adianta reclamar da roupa suja no chão do banheiro se não tem um lugar para colocá-las. As pessoas (todas, eu inclusive) são preguiçosas no mais íntimo do seu ser! O que for mais fácil, elas acabarão fazendo. O segredo da organização é tornar o organizado essa coisa mais fácil. Se tem um cesto para as roupas sujas na frente do chuveiro, seu filho não irá jogar a roupa no chão. Entende? Assim como você não colocará as chaves em cima da mesa da cozinha se tiver um porta-chaves antes de você chegar até ela.

Pense na organização como um processo de reeducação alimentar. Primeiro você faz uma dieta (destralha a casa) para emagrecer o que precisa (ficar só com o necessário e o que você ama!). E é claro que você precisa comer os alimentos certos (encontrar as soluções de organização) nessa reeducação. Depois, é só manter diariamente. Não adianta se empaturrar de alimentos engordativos (trazer mais tralha para dentro de casa), pois inevitavelmente você irá engordar (bagunçar tudo de novo). Lembre dessa metáfora quando pensar em organizar tudo.

Ser organizada(o) não é ser perfeita(o), nem manter a casa brilhando o tempo todo. É fazer as coisas funcionarem. Não confunda aparência e arrumação com organização. Livre-se desse mito e encare o processo de organização com outros olhos.

Thais Godinho
19/07/2012
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