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2011 foi um ano de testes em minha vida (qual ano não é, na verdade?), e eu decidi me forçar a fazer algumas coisas que, se eu deixasse para lá, para irem no ritmo da maré, eu acabaria não tendo feito. A minha pós-graduação, por exemplo. Estudar todos os sábados, o dia inteiro, tendo recém-voltada a trabalhar depois do nascimento do meu filho, acreditem, não deixa espaço para a fraqueza. Tanto que, para encarar a pós, usei táticas de sobrevivência mesmo, faltando quando meu filho estava doente ou quando precisei viajar a trabalho. Agora, tenho um semestre (e o período da monografia) pela frente e me sinto satisfeita por tê-la começado e estar aqui hoje, quase no fim.

Mas esse episódio todo me ensinou algumas lições. 1) Depois que temos filhos, qualquer projeto nosso, pessoal, que tome muito tempo, fica muito mais difícil e precisamos nos organizar tremendamente para fazer dar certo. 2) Tudo conspira o tempo todo para você desistir dos seus objetivos (mais tempo com o filho, trabalho, cansaço, mimimis no geral, viagens, festas de amigos), mas a sua persistência é o que diferenciará você de uma pessoa que não consegue fazer as coisas. 3) É normal ter momentos de fraqueza e pensar em desistir, mas ter uma postura meio alcoólatras anônimos (“só por hoje”) ajuda. 4) Deixar para fazer “quando der” significa que você pode perder um tempo enorme da sua vida sem ter se esforçado e traçado objetivos anteriormente. 5) Às vezes, vale a pena se esforçar mais para conseguir alguma coisa realmente importante para a sua vida, mas a gente tem que tomar cuidado para não ser assim o tempo todo.

Há cerca de três anos, quando eu li o Walden, larguei tudo e fiz um declutter geral na minha vida, eu entrei no ano seguinte decidida a viver sem objetivos, com mais tranquilidade e sem me preocupar com o que não era de fato essencial. Que eu fiquei mais tranquila, disso eu tenho certeza, mas eu nunca perdi tanto tempo em toda a minha vida. Nos anos anteriores, quando eu tinha meus projetinhos, objetivos e corria atrás deles, eu fiz muita coisa bacana e via minha vida se desenhando. Chegava ao final do ano com a sensação de dever cumprido (afinal, tinha alcançado todos os meus objetivos) e muito tranquila para o próximo, pois eu sabia que tudo na minha vida estava conectado – uma tarefa ligada a outra, um objetivo ligado ao outro, e grandes planos para os anos seguintes. Então, quando eu entrei naquele ano sem objetivos, foi bom porque era como sair da Av. Paulista e pisar na areia de uma praia deserta. Mas… aos poucos, eu fui percebendo que o tempo estava passando e eu tinha deixado muita coisa de lado. E a troco de quê? De uma vida mais tranquila? Mas será que tranquilidade significa viver sem metas e objetivos? Eu cheguei à conclusão que não. Viver sem rumo pode servir para algumas pessoas, mas definitivamente não serve para mim.

Aos poucos, voltei a me concentrar em metas de longo prazo e trazer para o presente o que eu poderia ir executando aos poucos. Reli o Getting Things Done e escrevi um post que uso frequentemente quando quero revisar meus projetos: como definir prioridades e executar tarefas. Lendo o post você saberá melhor como eu faço, mas resumidamente, eu organizo minha vida assim:

  • áreas de atuação hoje (trabalho, família, pós, blog, espiritualidade etc.)
  • objetivos de longo prazo (o que eu quero ter feito até o dia em que eu morrer)
  • objetivos de médio prazo (de 3 a 5 anos)
  • objetivos de curto prazo (de hoje até 2 anos)

Nos objetivos de curto prazo entram as minhas metas para 2012, mas que se estendem a esse prazo (de hoje a 2 anos) e podem mudar de acordo com as minhas necessidades e as da minha família.

Meus objetivos atuais para 2012 e 2013 são os seguintes:

  1. Comprar um carro. Vivemos em uma cidade onde quase não existe estrutura de transporte público e, por isso, ninguém anda a pé. Além do mais, como viajamos muito para São Paulo (minha pós-graduação, a profissão do meu marido) e temos um filho, achamos que é a hora de finalmente termos um carro. Eu confesso que nunca precisamos de carro em São Paulo. Sempre nos viramos muito bem de ônibus e de metrô. Mas agora as necessidades são diferentes e comprar um carro se tornou um objetivo de curto prazo.
  2. Falar inglês fluentemente. Eu já me viro bem no inglês, mas quero desenvolver melhor meu vocabulário e pronúncia.
  3. Falar o básico de espanhol. Trabalho em uma empresa com foco em toda a América Latina, então é imprescindível começar a estudar espanhol agora. E também é super válido para a minha carreira profissional como um todo, então virou um objetivo.
  4. Terminar a pós-graduação. A previsão de entrega da monografia é outubro e eu espero sinceramente não ter nenhum percalço até lá.
  5. Tirar minha cidadania italiana. Eu estou adiando isso há muito, muito tempo. Queria primeiro casar, para mudar de sobrenome e fazer a coisa toda de uma vez, mas agora não tem mais desculpa e vou atrás do processo ainda este ano.
  6. Tirar carteira de motorista. Afinal, compraremos um carro.

Tenho alguns poucos outros objetivos pessoais que não quero divulgar publicamente, mas esses de cima já dão uma visão geral.

Percebam que são objetivos viáveis e diretos, não metas etéreas. E todos eles fazem parte de objetivos maiores. Eu tenho meus objetivos de médio prazo também, além dos de longo prazo, que norteiam os objetivos atuais. Por exemplo:

Objetivo de longo prazo: ser professora
Objetivo de médio prazo: começar a lecionar de alguma forma (cursos livres etc.)
Objetivo de curto prazo: terminar a pós-graduação

Todos os objetivos conversam. Quando estabeleço um objetivo, penso a longo prazo se ele contribuirá de alguma forma para o que eu quero fazer de verdade. Isso é o melhor norte possível para saber se o que eu quero fazer tem algum sentido ou se vou apenas perder meu tempo. Pode parecer uma atitude fria, mas é extremamente necessária no meu caso. Eu vivo sempre tendo milhões de ideias e, se eu deixar, vou querer fazer tudo ao mesmo tempo e tirar o foco do que for realmente importante. Por isso, eu aprendi a priorizar, ir com calma e ligar uma meta a outras de médio e longo prazo para ter significado.

É claro que isso não significa que, se eu quero muito algo, mas esse algo “não se encaixa nos objetivos”, blablabla, eu vou deixar de fazer. Se é algo que eu quero muito, eu vou fazer. E os objetivos de longo-prazo podem mudar por causa disso – por que não? Às vezes, descobrimos um hobbie que pode virar profissão e transformar nossas prioridades. Então é legal ter esse planejamento, mas ficar aberto também ao que a vida nos traz, sem neuras.

Quando eu fui naquele Seminário da revista Crescer, eu ouvi uma reflexão que utilizo muito hoje em dia, que é: a gente precisa desencanar dos pratos de papel e prestar atenção nos pratos de porcelana quando estamos equilibrando tudo. Os pratos de papel podem cair, pois não vão causar nenhum estrago. Isso significa que temos projetos realmente importantes, que devemos nos concentrar, e outros que, se descobrirmos que não dão certo, podemos deixar para lá e seguir com a vida. Tudo é mutável e precisamos ser flexíveis, mas sem tirar a atenção do que é essencial.

“Thais, pelamor, mas como você organiza esses projetos? Socoooooorrroooo!”

Sim, eu sei que você deve estar se perguntando isso. Se você acompanha este blog já há algum tempo, sabe que eu utilizo o método GTD (leia mais sobre ele aqui). É um método que, para você entender, o melhor conselho que posso te dar é: leia o livro! (Getting Things Done, em inglês, ou A Arte de Fazer Acontecer, em português, do autor David Allen). Somente o livro pode te direcionar bem.

Mas o método precisa de uma operacionalização diária e, para isso, eu utilizo o Toodledo. Trata-se de uma ferramenta online, compatível com iPad e celular, que serve basicamente para você organizar suas tarefas. Mas ela é tão boa que eu acabei pagando pela versão pro somente para ter acesso a detalhes importantes, como a possibilidade de criar subtarefas. Lá, você pode selecionar suas tarefas por contexto, por áreas, por objetivos de curto-médio-longo prazo (isso é incrível), inserir status, datas de início e fim e muitos mais. A ferramenta também tem duas particularidades que eu uso muito: estatísticas e planejamento de trabalho. As estatísticas mostram, em gráficos, as áreas onde você se concentrou mais, o número de tarefas criadas e concluídas, onde você está focando mais etc. E o planejamento de trabalho, a melhor invenção do homem depois da escrita (haha), onde você pode determinar quanto tempo tem para executar tarefas e o programa elabora um guia para você de acordo com o projeto ou o contexto (computador, telefone, entre outros que você escolher). Daí, é só ir executando tarefas. Se eu amo de paixão? Imaginaaa.

Como se não bastasse tudo isso, ainda tem uma função para imprimir as listas que você quiser. Então se, por exemplo, você quiser ter uma lista de tarefas que precisa fazer na rua, é só imprimir essa lista. Ah, mas não quer imprimir por contexto, e sim por projeto? Mesma coisa. Eu uso muito, muito, muito. De todas as ferramentas que já experimentei até hoje para aplicar o GTD, ela é a melhor.

Para compromissos, como vocês já leram por aqui, eu utilizo a agenda do Google e não troco por nada. Tenho um calendário de parede em casa para toda a família, onde eu anoto os principais compromissos e contas (mais para o meu marido saber mesmo e termos uma visão geral), mas meu controle pessoal de agenda é todo digital. Também posso imprimir e acessar pelo celular, por exemplo. Sempre utilizei agenda de papel mas, como trabalho com internet, para mim funciona muito bem assim. Mas o caderno e a caneta no dia-a-dia, servindo como “caixa de entrada” para ideias e tarefas que preciso fazer, são insubstituíveis.

Vale lembrar que a agenda do Google tem link com o Toodledo também – ou seja, você pode configurar a sua agenda para ter suas tarefas com data marcada aparecendo lá.

Planejando 2012

Para alcançar aqueles objetivos que eu descrevi ali em cima, preciso planejar projetos e, deles, fazer brotarem tarefas. Eu costumo ter uma visão geral, que significa mapear mais ou menos os passos que preciso seguir para alcançar determinado objetivo, mas raramente proponho metas com datas, pois sei que tudo depende do meu dia-a-dia. Tendo uma visão geral, eu sei mais ou menos quando tenho que ter cada etapa concluída, e isso me basta para ir executando as tarefas.

Minha pós-graduação, por exemplo. Eu sei que ela começa em fevereiro, termina em julho e, até outubro, eu tenho que entregar a minha monografia. Isso me dá um mapa. Eu sei que o carro só conseguirei comprar depois que eu terminar de pagar a pós, em outubro, muito provavelmente. A carteira de motorista, só poderei fazer depois que terminarem as minhas aulas e eu tiver meus finais de semana livres, em julho. E por aí vai.

Todas as tarefas que já forem executáveis entram nas listas de contextos (rua, trabalho, telefone, computador, casa) e, assim que possível, vou riscando da lista. Às vezes, só de fazer uma coisinha ou outra nós já damos um passo enorme em direção à conclusão do projeto.

Esses são meus objetivos para 2012 e a forma como eu organizo os meus projetos. De forma tranquila. E você, tem planos para 2012? Como você os organiza?

Thais Godinho
02/01/2012
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Meus objetivos para 2012 – e como eu organizo meus projetos
Como eu organizo a minha semana
Como foi: workshop Construa seu estilo e organize seu armário em São Paulo