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Ontem participei do 3º Seminário Crescer – Famílias Contemporâneas, cujos temas foram as novas tecnologias influenciando as famílias e a quantidade abissal de coisas que precisamos fazer em 24h. Gostaria de agradecer a revista pelo convite, pois foi muito bacana.

{Imagem: Crescer}

Uma coisa que ficou muito clara para mim foi a questão das gerações. A geração X está cansada. Trabalha muito, não tem tempo para nada. A geração Y (me incluo aqui) foi nessa onda, mas já tem a consciência de que algo está errado e precisa mudar. Mas e aí, o que fazer? Home-office? Mudar para o interior? Fazer ponto-cruz?

Algumas pessoas (geralmente antes de ter filhos) costumam reforçar certos respiros no seu dia-a-dia como “no domingo eu durmo até tarde” ou “minha hora do almoço é sagrada”. Agora, a geração seguinte, conhecida como geração Z, tem outro pensamento. O ócio se torna luxo básico. E essa galerinha está crescendo, vai amadurecer essa ideia ainda. Quando os nossos filhos crescerem, tudo será diferente, mas eles pegarão a fase pós-revolução – talvez bem parecida com a essência dos anos 60. Só podemos esperar coisas boas dessa geração que já nasceu sem distinção entre o real e o virtual.

Aliás, tem como distinguir? O modelo Paulo Zulu, convidado do Seminário, usou bastante os dois termos durante a primeira parte da discussão, sobre famílias geek. E, no final, alguém da platéia perguntou se ele real ou virtual, deixando-o em uma saia-justa resolvida pela apresentadora Rosana Jatobá: “quem quiser conferir se ele é real, vem dar um abraço mais tarde”, arrancando gargalhadas da platéia, composta em sua maioria por mães.

O que a geração X não entende é que nunca poderá entender a geração Z. Assim como a geração Z não entenderá suas sucessoras. Isso é antigo. O choque é inevitável. Então como alguém de 45 anos pode falar “o que acha certo ou errado” em ambiente virtual (e real) para os filhos de 14? Eles não entendem. Então voltamos ao básico, que é entrar na vida dos filhos, conversar, e simplesmente fazer o melhor possível para criá-los para o mundo, pois o suposto controle sobre eles nunca existiu.

Falar que 24h por dia é pouco já se tornou tema de lamentação. É o que eu vivo dizendo por aqui: ninguém tem tempo. A triste constatação é que os nossos filhos também não. Para suprir a nossa ausência e mantê-los ocupados, estamos lotando-os de tarefas e responsabilidades que eles não precisariam ter. Mas também, com quem eles vão ficar enquanto a mamãe trabalha, se não for na aula de francês..?

O que eu tenho aprendido nos últimos anos é que:

  1. Se eu não priorizar as coisas na minha vida (e isso significa dizer “não” mais vezes), ninguém fará por mim;
  2. O ótimo é inimigo do bom e 8 não é 10, mas é ok;
  3. Existe um nível de caos tolerável para cada um de nós.

Não adianta reclamar do que não dá para mudar. O ideal é mudar e viver nossa vida da forma que queremos, mas nem sempre isso é possível. Não dá para pedir demissão em uma multinacional se o seu sonho é pintar quadros sem planejamento, e isso demanda tempo. E o meio-tempo é o hoje – é a vida que acontece enquanto você precisa arrumar mochilas e lavar a roupa.

Precisa ter calma, se organizar da melhor forma possível, antecipando o que puder e priorizando sempre. Porque não só as mães são equilibristas – os pais também! Família é trabalho em equipe, senão realmente não tem condições e todo mundo acaba surtando. A mãe precisa deixar o pai participar, criticar menos, e o pai precisa ter boa-vontade sempre.

Cada dia é uma oportunidade de fazer diferente, de correr, mas manter o afeto. Por isso eu acho fundamental abraçar o seu caos tolerável, e não xingá-lo. Apaixonar-se novamente pela vida – lembrar do motivo pelo qual você existe e acorda de manhã. Perceber como você pode lidar com as tarefas do dia-a-dia se estiver sendo fiel a si mesmo(a), não importa a qual geração você pertença.

Ninguém é perfeito. Ninguém consegue fazer tudo. Ninguém é 100% organizado. Veja sua geração como ela é e aceite as mudanças, porque essa é a única verdade imutável. E espere coisas boas dessa galerinha que está vindo, pois eles chocarão mais ainda.

Esqueça um pouco o controle. Foque no afeto. Priorize. Não busque a perfeição. Abrace o caos. Isso foi o que eu tirei de lição do Seminário da Crescer. E achei muito bom.

Thais Godinho
21/06/2011
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  1. Ayana Meyer 21/06/2011

    Ótimo artigo, eu vivo em um desses caos, trabalho desde sempre, mas não deixo de priorizar meu filho e o amor pela vida. Abraçando o caos, sempre!
    Parabéns pelo site, muito legal mesmo.

  2. Aline v. H. Maas 21/06/2011

    Poxa adorei esse texto!

  3. Tatiana 21/06/2011

    Nossa Thais, esse texto caiu como uma luva para mim.
    Tô numa fase de reflexão constante e ler seus apontamentos sobre o seminário, me abriu a mente. Me ajudou muito. Obrigada!

    Um super abraço em você!

  4. Melissa Rossi 21/06/2011

    adorei também. É tudo o que eu preciso “ouvir”, sempre! diariamente nesse exercício de não surtar, porque não sou perfeita e nem vou ser… =)

  5. Débora 21/06/2011

    Olá,
    Gostei desse post, fez eu parar e refletir, assim como o de ontem, eu sempre reclamo da falta de tempo.
    mas estou tentando priorizar outros lados de minha vida, como meu relacionamento com minha filha de 3 anos.
    Te linkei e te sigo; se puder me visite: http://afterbariatrica.blogspot.com/
    bjos

  6. Celeste 21/06/2011

    Olá Thais,
    Venho regularmente visitá-la e hoje não pude deixar de comentar o seu artigo que achei excelente. Realmente quem é que faz depressa e bem? Não é para rimar, mas, ninguém.
    A minha vida como a de tantas outras mulheres sempre foi uma correria. Até que decidi começar a abrandar e levar as coisas com mais calma sem stress (não é fácil) acho que me reeduquei, agora sinto que tenho mais qualidade de vida.
    Um beijinho e continue a escrever estes artigos que dão tanto gosto ler.

  7. Alessandra 21/06/2011

    Adorei!

  8. Ana 21/06/2011

    Thais, mt bom o post.
    Vc já conhece o livro: FILHOS, MANUAL DE INSTRUÇÕES para pais da geração X e Y, da Tania Zagury? Recomendo.
    bjos

  9. Thais Godinho 21/06/2011

    Ana, dela só li o Limites Sem Trauma, mas tenho vontade de ler esse. É bom? Obrigada pela indicação e pelo comentário.

  10. Oi Thais! Sou leitora do seu blog há quase 1 ano e adoro suas dicas, posts, a maneira como você se expressa…! Mas ao ler este texto não poderia deixar de comentar! Ainda não tenho filhos, mas pretendo tê-los em breve porque adoro criança e sempre desejei ser mãe. Achei perfeito quando você diz que cada dia é uma oportunidade de fazer diferente e que ninguém é 100% perfeito, deve aprender a ser menos stressada (que antes era sinônimo de status, mas graças a Deus hoje se prega ao contrário!), temos que aprender a dizer não…Isso não é fácil de aplicar na prática, mas vamos tentando e esse texto ficou perfeito para mim! Parabéns !!! Beijos

  11. Adriana 21/06/2011

    Nossa, adorei a sua análise! Acompanhei o seminário pelo seu Twitter e fiquei morrendo de vontade de estar lá!! hehehehehe

    Deve ter sido mesmo bem proveitoso. Obrigada por compartilhar!!

  12. Tati 21/06/2011

    Nossa! me identifiquei muito com tudo que vc falou e tb queria muito estar lá… tb to abraçadinha no caos…kkkk
    beijosssssss

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